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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Entrevista edição 24 - Almir de Mirando Perru - Sinduscon/PR

Empreendimentos Verdes: construindo um mundo mais sustentável

A Construção Civil é um dos setores mais promissores para as próximas décadas e também um dos mais preocupados em reduzir seus impactos socioambientais. Encontrar alternativas sistêmicas e que envolve todas as etapas do processo, mantendo a viabilidade dos empreendimentos, é o grande desafio desse segmento. Para abordar esses pontos e outros assuntos relacionados a sustentabilidade, Almir de Miranda Perru, vice-presidente da área técnica de Meio Ambiente do SInduscon/PR falou com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL. Almir é empresário do setor atuando desde 2003 à frente da CTBA Construtora. Em seu currículo, conta com aproximadamente 90 mil metros quadrados de área de construção em obras em andamento e de empreendimentos já concluídos.



Almir de Miranda Perru
Vice-presidente da área de Meio Ambiente do Sinduscon/PR


Construção e Sustentabilidade caminham juntas?
Sim, cada vez mais empresas de construção civil têm se sensibilizado com o tema sustentabilidade, por uma questão de sobrevivência, sob aspecto econômico, social, político e ambiental. A indústria da construção tem participado ativamente de discussões sobre este assunto com agentes de todas as esferas do setor produtivo, institutos de pesquisa e desenvolvimento, universidades, fabricantes de materiais, recicladores, e principalmente com o poder público, a fim de que o tema seja tratado de forma adequada e igualmente ‘sustentável’.
Vale ressaltar aqui a importância de estimular a inovação tecnológica eco-eficiente no País, como uma ferramenta para reformulação de práticas e atitudes, pois toda mudança requer primordialmente políticas de incentivos.

Que etapas do processo de uma construção são mais críticas e que geram os maiores impactos ambientais?
Não existe uma fase mais crítica que outra. Tudo começa com um bom processo de gestão do negócio, desde a fase de desenho do projeto, até a fase de execução. Com planejamento eficiente, os materiais são empregados de forma racional, sem desperdício, o que significa economia de dinheiro e tempo, além de poupar o meio ambiente. As novas tecnologias têm contribuído com a redução do impacto ambiental. Os processos industrializados minimizam a geração de resíduos.
As construtoras têm utilizado tintas sem solvente, materiais menos agressivos, têm adotado medidas que diminuem os desperdícios com água e energia, utilizado sistemas com aproveitamento da energia solar, inibição do uso desnecessário e simultâneo dos elevadores e ares condicionados, dentre outros elementos e atitudes que visam a saúde e qualidade de vida dos usuários e preservação do meio ambiente.
Em termos construtivos, muito se evoluiu também. Hoje em dia muitas empresas não empregam apenas o sistema convencional de construção, de empilhar tijolo sobre tijolo. Existem vários métodos construtivos, tais como, alvenaria estrutural, construções pré- moldadas, pré-fabricadas, dentre outros que permitem um processo mais controlado, visando sempre a diminuição do desperdício, aumento da velocidade de produção e conseqüente diminuição do impacto ambiental nos canteiros de obras.

Certificações verdes para construções são diferenciais para construtoras e investidores?
Sim, com certeza. No Brasil existem duas certificações que indicam os empreendimentos verdes, o selo LEED e o Aqua. Investir em um projeto sustentável é sem dúvidas um excelente negócio, mostra a consciência ambiental da empresa, e o consumidor está cada vez mais atento a estas questões. Vale ressaltar que um prédio construído com foco na certificação beneficia não apenas o meio ambiente, mas as pessoas envolvidas na obras, nos chamados empregos verdes, as pessoas que irão conviver naquele empreendimento, bem como o seu entorno.

Considerando que uma grande obra nunca está sozinha, como promover efetivamente o desenvolvimento do seu entorno?
Alguns empreendimentos são construídos em localizações estratégicas, onde os futuros moradores contam com um leque de serviços muito grande, escolas, mercados, enfim, com estabelecimentos comerciais próximos, possibilitando que o carro fique na garagem, estimulando as pessoas a caminharem. Há empreendimentos que contribuem com o desenvolvimento da região onde são construídos, que acabam atraindo comércio e serviços, beneficiando todos que moram ou circulam no local.

Será possível superar o gargalo de infraestrutura nos próximos anos, diante das exigências dos eventos esportivos (copa e olimpíadas)?
Curitiba é uma cidade modelo, é reconhecida por desenvolver excelentes projetos para o desenvolvimento da cidade e região metropolitana. Temos certeza de que é possível vencer os gargalos existentes e que a capital paranaense fará bonito na copa do mundo de 2014. É lógico que para isso existem alguns desafios, como vencer a burocracia, a morosidade da administração pública, bem como atribuir transparência a este processo de preparação para os eventos esportivos.

O setor da construção civil é um dos mais promissores para as próximas décadas, quais são as principais tendências socioambientais que influenciam o segmento?
Os prédios verdes, que atendem a uma série de critérios e exigências para se tornarem sustentáveis, como valorização da iluminação natural e lâmpadas mais econômicas para poupar energia, captação da água da chuva, emprego de materiais de fácil manutenção, também para economizar água, dentre tantos outros exemplos. Outra tendência são os empreendimentos Home Working, que congregam salas comerciais inteligentes, apartamentos, e espaços comerciais, como shoppings, tudo para dar maior comodidade aos moradores. Num prédio misto como este, o cidadão não precisa pegar o carro e enfrentar o trânsito para trabalhar ou para ir às compras. Poupa tempo, energia e o meio ambiente.
De forma geral, a industrialização dos sistemas construtivos é também um caminho sem volta. Para dar conta da demanda por novas moradias, até mesmo por conta do Programa Minha Casa, Minha Vida 2, o setor terá de modernizar os canteiros de obras, investir em maquinários, novos equipamentos e processos construtivos, bem como em qualificação profissional.

Quais ações o Sinduscon-PR vem desenvolvendo para o fortalecimento e sustentabilidade do setor?
A entidade tem promovido uma série de cursos e eventos para debater com os empresários da construção civil e demais atores da sociedade organizada temas relevantes, como o da sustentabilidade. Para assuntos mais técnicos o Sinduscon-PR disponibiliza também um serviço especializado para os associados, onde engenheiro e arquitetos orientam as empresas quanto a procedimentos adequados, legislação urbana e normas técnicas, por exemplo.
A entidade participa ativamente das discussões que envolvem o setor na FIEP, na esfera pública e em todos os níveis de governo, por que sabemos que a construção civil é a grande parceira do desenvolvimento do País.

Que mensagem final gostaria de deixar para os leitores da Revista Geração Sustentável?
Durante longos anos o País deixou de tratar a habitação de interesse social com a atenção necessária, situação que culminou em um déficit habitacional de aproximadamente sete milhões de unidades.
Este problema transcende a questão física-estrutural. A falta de moradia desagrega a família, dificulta a educação, favorece o acesso à criminalidade, reduz as chances de inserção do indivíduo na sociedade, dentre outras consequências igualmente graves.
E não é possível falar em construção sustentável, isolando-se apenas o empreendimento, desconsiderando o entorno. É fundamental prover à totalidade da população brasileira de serviços adequados de saneamento básico, para evitar que mais de 500 crianças morram, por dia, vítimas de doenças provocadas pela falta ou pela insuficiência deste serviço público tão importante e vital.
Só com moradia digna o trabalhador renderá mais no emprego, a criança estudará melhor e a família passará mais tempo em casa, beneficiando e potencializando, por conseqüência, os investimentos públicos em saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública. Sociedade mais feliz e educada está é a fórmula para um mundo Sustentável.


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Veja outros conteúdos dessa edição!




Matérias:
Editorial (acesse)
Matéria de Capa: Usipar
Responsabilidade Ambiental: Composteiras Industrializadas
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre (Curitiba)
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil


Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

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