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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Empresários, é hora de agir!

A palavra de ordem do século XXI precisa que resgatemos seu sentido original. Tão apregoado nos últimos tempos, o termo sustentabilidade parece banalizado. A grande distância entre o discurso e a prática mascara a real amplitude do “desenvolvimento sustentável”, que é bem mais concreta do que o jargão vazio do mero discurso verde. Afinal, o uso legítimo da palavra sustentabilidade deve refletir efetivas ações que promovam o equilíbrio entre as esferas social, econômica e ambiental.

Publicado em 2012 pelo Núcleo Petrobras de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, o “Relatório: Estágio da Sustentabilidade das Empresas Brasileiras” evidenciou a dissociação entre a percepção e compreensão da sustentabilidade e sua gestão dentro das empresas. A pesquisa sinaliza que 67% das empresas brasileiras não possuem procedimentos sustentáveis inseridos na cultura empresarial - apesar de terem uma boa percepção do termo!

Foram validados 172 questionários, respondidos principalmente por grandes empresas, com mais de 250 funcionários. O relatório baseia a análise em uma classificação de cinco estágios da sustentabilidade empresarial. O primeiro é o mais elementar, quando a sustentabilidade é desenvolvida em ações esporádicas, sem programas elaborados.

O segundo estágio, chamado de “engajado”, reflete a situação de lideranças que levam em consideração aspectos da sustentabilidade, porém com comunicação limitada com stakeholders. Esse é o estágio em que se encontra a maioria das empresas brasileiras, de acordo com o relatório.

O terceiro estágio é “inovador”, já com uma visão mais ampla de sustentabilidade, quando há alto nível de aprendizagem e inovação, porém falta alinhamento dos processos de sustentabilidade e as estratégias empresariais.

O quarto estágio atinge o nível “integrado”, quando a liderança inclui os processos de sustentabilidade na visão central da empresa e utiliza indicadores para o monitoramento. O estágio mais avançado é o “transformador”, quando há uma visão inclusiva de sustentabilidade, articulada com os demais sistemas e processos da empresa, e, além disso, há o estabelecimento de parcerias com stakholders, como ONGs.

Assim, é justamente na gestão empresarial que se encontram os ingredientes primordiais para diminuir o abismo entre a prática e o discurso, além de operar como estratégia central dos negócios, alinhar a sustentabilidade às demais áreas.

A dissociação da sustentabilidade aos outros setores decorre, principalmente, da falta de mobilização das lideranças, que não enxergam o potencial da área. Investir em sustentabilidade é contribuir com a rentabilidade dos negócios, com o incentivo à inovação e à formação de parcerias. Empresas que priorizam o meio ambiente agradam o consumidor por transmitir credibilidade, além de cooperar com a preservação ambiental.

Apesar das vantagens de investir em sustentabilidade, 67% das empresas entrevistadas associam a formação de parcerias aos benefícios financeiros das oportunidades de inovação. Apenas 48% admite ser incapaz de resolver tudo sozinho, o que leva às parcerias. Do mesmo modo, a intenção de mais de 90% das empresas quando investem em questões ambientais é o reconhecimento social.

Fica claro, portanto, que reputação e imagem são visadas pela gestão empresarial, mesmo que não correspondam à realidade. Nesse antagonismo, o que não pode mais perdurar é o não cumprimento da legislação ambiental e a inércia na tomada de ações efetivas em prol da sustentabilidade.




segunda-feira, 9 de abril de 2012

ABRAPS SUL realiza fórum de debate sobre o profissional de sustentabilidade em Curitiba

Quem é o profissional de sustentabilidade? Esse foi o foco do debate do primeiro evento da ABRAPS SUL promovido nas instalações da EBS (Estação Business School) no último dia 04 de abril.

O evento, que foi realizado na parte da noite, contou com a participação de debatedores renomados no cenário estadual e nacional. As atividades iniciaram com a apresentação da associação pela coordenadora de Expansão da ABRAPS e representante do Grupo Sul, Daniella Mac Dowell. “Entre nossos objetivos está a representação formal dos profissionais de sustentabilidade junto a sociedade. Além disso, a ABRAPS busca articular e mobilizar profissionais dedicados ao assunto, compartilhando, fomentando e construindo o conhecimento”, destaca Daniella.

O debate foi conduzido pela jornalista Adriane Werner e teve a geração de conteúdos tanto relacionados ao tema sustentabilidade como também ao perfil do profissional dessa área. Dentro do contexto apresentado pelos debatedores, foi enfatizado que esse tema transita em todas as áreas do conhecimento e que o profissional deverá buscar novas habilidades, como também aproximar de profissionais de outras áreas visando à complementação de conteúdos.

Os debatedores: Bernt Entschev, Rodrigo da Rocha Loures, Rodrigo Brito, Nelton Friedrich e Eloi Casagrande comentaram por cerca de três horas suas opiniões e experiências dentro dessa temática, com menção aos conceitos e práticas da gestão sustentável. Para Bernt Entschev fundador da De Bernt Entschev Human Capital “a sustentabilidade é um processo de evolução, uma mudança de mentalidade. (...) O profissional de sustentabilidade deve ser multifacetado e precisa saber trabalhar em várias vertentes”. O estímulo a criação e ao desenvolvimento profissional também foi mencionado por Rodrigo Brito da Aliança Empreendedora, “a sustentabilidade não é ação solidária e nem pode ser vista como gasto pelas empresas. O profissional que atua nessa área precisa usar a inteligência e não pode ser preguiçoso na hora de criar”.

O evento contou com a presença de 180 participantes que tiveram a oportunidade de acompanhar o debate e encaminhar suas perguntas também para os debatedores. Dentro de uma linha mais direcionada para o profissional, Nelton Friedrich da Itaipu Binacional comentou que a “sustentabilidade significa celebração da vida. O profissional de sustentabilidade precisa propor uma nova aliança com a natureza”. Para o professor da UTFPR, Eloy Casagrande Junior “esse novo profissional terá como base a escola, a educação. (...). Para ser sustentável é preciso mudar hábitos sempre. É um trabalho diário e necessário”. O direcionamento para a formação do profissional também foi citada por Rodrigo Rocha Loures do IPD (Instituto Paranaense de Desenvolvimento) que enfatizou que “o profissional de sustentabilidade tem que ser um psicólogo e um sociólogo, ou seja, deve entender esses conceitos, mas, acima de tudo precisa ser humano“.

Para atuar na esfera da defesa de interesses dos profissionais de sustentabilidade, a ABRAPS está investindo na criação de espaços de debates, com o intuito de integrar seus associados, a sociedade e as entidades representativas. Além do evento, a associação também disponibilizou, através de job descriptions na entrada do auditório, diversas oportunidades profissionais nessa área.

Entre suas atribuições a associação visa: promover ações que busquem o desenvolvimento sustentável; representar formalmente os profissionais de sustentabilidade na defesa de seus interesses, tornando a atividade legítima e reconhecida na sociedade; articular e mobilizar profissionais dedicados ao assunto na sociedade; compartilhar, fomentar e construir conhecimento.

Para saber mais sobre a ABRAPS acesse http://abraps.blogspot.com.br/ ou encaminhe um e-mail para abrapssul@gmail.com.


Fonte: Revista Geração Sustentável
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Veja abaixo outros momentos do evento:
Crédito (fotos): Tales Cardeal
































segunda-feira, 12 de março de 2012

Curso de planejamento estratégico sustentável - RJ - 30 e 31 de março



Como é trabalhar a sustentabilidade no nível estratégico?

O que diferencia um planejamento comum de um planejamento orientado para a sustentabilidade?

Fundamentado no BSC, a Agência de Sustentabilidade criou o curso de planejamento estratégico sustentável, que combina o uso de ferramentas de mercado com ferramentas exclusivas de sustentabilidade.

O curso é focado na realização de atividades práticas, onde, ao final de 16h, os participantes terão elaborado o planejamento estratégico sustentável de uma empresa fictícia.


FACILITADORA:

Julianna Antunes, sócia-diretora da Agência de Sustentabilidade, com experiência em planejamento estratégico sustentável e gestão por processos sustentáveis. Foi finalista de prêmios de sustentabilidade no Brasil e vencedora do prêmio Go & Trade do Shell LivreWire / IniciativaJOVEM em 2010. Co-criadora da rede H² Sustentável, também é membro de diversas redes mundiais de sustentabilidade.

A Agência de Sustentabilidade não enxerga a sustentabilidade como uma série de projetos criados para legitimar junto aos stakeholders a maneira de se administrar de sempre. Sustentabilidade é, antes de tudo, transformação: de valores (pessoais e corporativos) e de gestão. A forma de se comunicar, de negociar, de produzir, de se relacionar muda, fazendo com que todos os processos de negócio sejam orientados a práticas sustentáveis. Com isso, acreditamos que qualquer profissional, de RH a finanças, de marketing à supply chain, independente de formação e da área, pode (e deve) ser um profissional de sustentabilidade.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

MÓDULO 1: Introdução planejamento estratégico
· Panorama da sustentabilidade corporativa;
· O que é planejamento estratégico;
· Metodologias de planejamento estratégico;
· BSC sustentável x SSC.

MÓDULO 2: Administração estratégica sustentável – 1ª parte
· Análise de sustentabilidade;
· Análise de ambiente;
· Diretrizes organizacionais;
· Estratégias sustentáveis.

MÓDULO 3: Administração estratégica sustentável – 2ª parte
· Cenários de sustentabilidade;
· Objetivos estratégicos sustentáveis;
· Objetivos táticos.

MÓDULO 4: Administração estratégica sustentável – 3ª parte
· Metas e indicadores;
· Ferramentas de controle;
· Plano de ações.


QUANDO: 30 e 31 de março, das 9:00 às 18:00h

ONDE: Aberj, avenida Rio Branco, 81, 19º andar Centro – Rio de Janeiro / RJ (esquina com a Presidente Vargas, próximo às estações de metrô da Uruguaiana e Carioca, além de farta oferta de transporte público no entorno).

INVESTIMENTO: R$ 640,00 (parcelados em até 3x)

Saiba mais:
Informações através do email: cursos@agenciadesustentabilidade.com.br


domingo, 1 de janeiro de 2012

Artigo: O encanto permanece, mas o gosto muda

De acordo com muitos analistas de mercado norte-americanos, Steve Jobs pode ser considerado um dos maiores empreendedores de todos os tempos, ao lado de figuras ilustres como Thomas Edison (GE), Henry Ford, Thomas Whatson (IBM) e William McKnight (3M), pioneiros do empreendedorismo nos Estados Unidos.

Falecido em 05 de outubro último, Jobs saiu da vida para entrar na história como uma personalidade incomum, digna de reconhecimento e veneração nos quatro cantos da Terra, não apenas em função do seu gênio criativo, despertado aos dezesseis anos de idade, mas devido ao seu completo desprendimento das coisas materiais.

Para quem se considerava “um sujeito que provavelmente teria sido apenas um poeta semitalentoso do Quartier Latin, mas meio que se desviou do caminho”, pode-se dizer que a história premiou o talento, a persistência e a vontade de superar os mais indignos obstáculos.

Ao desistir da escola, para evitar o sacrifício financeiro dos pais adotivos, Jobs começou a participar de palestras sobre produtos eletrônicos da HP, onde encontrou Stephen Wozniak, egresso da Universidade da Califórnia. Wozniak era um jovem gênio da engenharia que gostava de inventar dispositivos eletrônicos.

Com a aproximação, Jobs e Wosniak também compareciam regularmente às reuniões do Homebrew Computer Club (Clube do Computador feito em Casa). Os associados eram na maioria tecnófilos, interessados em diodos, transistores e ainda nos dispositivos eletrônicos que poderiam construir com isso.

Jobs era diferente, segundo Daniel Goleman, PhD. Ele sabia avaliar o estilo, a utilidade e a capacidade de colocação dos produtos no mercado. Com o tempo, Jobs convenceu Wozniak a trabalharem juntos para a concepção de um computador pessoal. Nasceu assim o Apple I, projetado no quarto de Steve Jobs e com o protótipo construído na garagem da casa de seus pais.

Ao seguir os conselhos de um executivo aposentado da Intel, Jobs e Wozniak fundaram sua própria empresa. Para viabilizar o projeto, ambos venderam os seus bens mais preciosos na época, uma Kombi VW de Jobs e a calculadora HP de Wozniak. Com os US$ 1300 arrecadados, ambos iniciaram oficialmente a Apple. Jobs, aos vinte anos de idade, e Wozniak, aos vinte e seis.

Em menos de dez anos, a Apple havia deixado de ser apenas dois sócios numa garagem para se tornar uma empresa de dois bilhões de dólares, com mais de quatro mil funcionários. Um ano depois de lançar a sua melhor criação – o Macintosh –, Steve Jobs completava trinta anos de idade quando foi, então, despedido da Apple, por divergências internas com a equipe de comando.

Em menos de cinco anos, Jobs fundou a NeXT e, logo depois, a Pixar, o estúdio de animação mais bem-sucedido do planeta, onde idealizou o primeiro desenho animado do mundo feito apenas por computador – Toy Story. Segundo o próprio Jobs, “foi um remédio amargo, mas acho que o paciente precisava dele”. Entrava em cena novamente o seu espírito empreendedor e criativo.

Numa impressionante reviravolta, a Apple comprou a NeXT e, em menos de dez anos, Jobs voltou para a empresa que ele mesmo ajudou a fundar, para alegria dos “applemaníacos” e o bem da companhia. Retornava, dez anos depois, o salvador da pátria, num período difícil para a Apple. O resto é história.

No início do ano eu tive a felicidade de conhecer a sede mundial da Apple, em Cupertino, interior da Califórnia. Para os apaixonados por tecnologia e também por empreendedorismo, difícil não se encantar com a grandiosidade de uma empresa que nasceu na garagem da família de Steve Jobs e se transformou numa das empresas mais inovadoras do mundo.

Apesar de todas as dificuldades pelas quais passou, indiferente ao fato de a Apple ser considerada uma das empresas mais valiosas do mundo, em Cupertino ou em qualquer loja da rede é possível testemunhar o espírito de Jobs e sentir a energia irradiada por quem amou o que fez até o último dia trabalho.

Com a partida de Steve Jobs, o encanto da maçã permanece, mas penso que o seu gosto nunca mais será o mesmo.

Jerônimo Mendes
Administrador, Consultor, Professor Universitário e Palestrante
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local


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Veja os conteúdos dessa edição:

Matérias:
Capa: Saiba como andam as práticas de sustentabilidade dos bancos brasileiros
Entrevista com Manfred Alfonso Dasenbrock - Sicredi PR
Desenvolvimento Local: Iniciativa sustentável inova modelo de entregas
Responsabilidade Social: Sustentabilidade - da teoria à prática




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Artigo: Da Tunísia a Wall Street

Se existe algo que tem feito de 2011 um ano diferente dos anteriores é, sem dúvida alguma, a série de manifestações populares que têm ocorrido desde janeiro, reivindicando, em última análise, medidas que provoquem mudanças sociais. Nada muito diferente do que exigiam aqueles que tomaram a Bastilha de 1789 e fizeram a Revolução Francesa. É incrível como, depois de mais de 220 anos, não tenhamos conseguido avançar na direção da construção de uma sociedade mais justa e democrática, que se preocupe verdadeiramente com o desenvolvimento das pessoas e com a sustentabilidade das atividades socioeconômicas e culturais.

Desde a Revolta de Jasmim, que derrubou o ditador tunisiano Bem Ali, passando pelos “Dias de Fúria” no Egito, pelo esfacelamento da Líbia e por alterações em todo norte da África e grande parte do Oriente Médio, até as recentes manifestações inspiradas no “Occupy Wall Street” em muitos países, este tem sido um ano de manifestações públicas e insatisfações com injustiças sociais. Gostaria de exercitar três reflexões sobre pontos em comum em todas essas manifestações, mesmo reconhecendo terem origem e motivos aparentes diferentes.
A primeira é que, independentemente da discussão, se novas democracias africanas abrirão portas para grupos radicais mulçumanos tomarem o poder ou se concentrações em praças vão ou não gerar empregos para um grande número de pessoas sem atividade na Europa ou nos EUA, pode-se concluir, sem sombra de dúvidas, que o modelo reducionista e teleológico de pensar os homens e a sociedade como apenas mais um produto econômico não se sustenta mais. Com o passar dos anos, o andar da carruagem não consegue mais ajeitar as abóboras e só acentua diferenças socioeconômicas entre países e grupos sociais.

A segunda é como as novas tecnologias de registro, informação e comunicação têm-se tornado mais efetivas na organização desses movimentos, não importando mais o país onde ela tem origem. As redes sociais venceram as censuras, os toques de recolher e a falta de liberdade de expressão. A onda global de movimentos sociais que precedeu a Revolução Francesa durou mais de 20 anos, iniciando-se EUA em 1776 e atingindo diversos outros países, como Inglaterra, Irlanda, Países Baixos e outros. Hoje somos convidados a participar e a acompanhar ao vivo os acontecimentos, independentemente de proibições.


O MUNDO PRECISA DE LÍDERES

A terceira reflexão sobre pontos em comum nas revoltas de 2011 é a ausência de lideranças fortes e reconhecidas em todos eles. A movimentação é bastante positiva, pois são sinais de mudança. Porém, as reivindicações nesses movimentos não são muito claras. Em alguns casos, como na Argélia, a simples suspensão de um Estado de Emergência é recebida como satisfação e vista como uma medida pacificadora. Em outros, como no “Occupy Wall Street” e nos movimentos ocorridos recentemente em diversos outros países, inspirados na ocupação do centro financeiro norte-americano, os objetivos dos insatisfeitos não são tão claros. Constata-se apenas que do jeito que está não está bom. “Queremos o fim da ganância das grandes corporações e das instituições financeiras”, como se isto fosse compatível com um regime capitalista de mercado, que tem na acumulação de capital sua meta principal.

Precisamos desenvolver novas lideranças, em nosso país e em todo o mundo, em todas as áreas. Pessoas comprometidas com o novo, com o inédito, capazes de perceber a insatisfação de grupos e sociedades, de refletir, discutir, aparar diferenças e conduzir insatisfeitos para uma situação diferente, que tenha sempre como objetivo final uma maior igualdade entre regiões, povos e pessoas. Torço para que essa lacuna social de lideranças seja temporária e não signifique o esquecimento, a descrença ou o desinteresse das pessoas de retomar o caminho de construção da liberdade, da igualdade e da fraternidade.


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** Ivan de Melo Dutra: Arquiteto e Urbanista e Mestre em Organizações e Desenvolvimento

Artigo publicado originalmente na edição 25 da revista Geração Sustentável



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Veja os conteúdos dessa edição:

Matérias:
Capa: Saiba como andam as práticas de sustentabilidade dos bancos brasileiros
Entrevista com Manfred Alfonso Dasenbrock - Sicredi PR
Desenvolvimento Local: Iniciativa sustentável inova modelo de entregas
Responsabilidade Social: Sustentabilidade - da teoria à prática






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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Faça a pergunta certa!


Aqui, no FAÇA A PERGUNTA CERTA! você não só recebe a resposta certa, como recebe prêmios também!!! Confira como funciona o jogo aqui!

Em novembro, entre 14 e 20 acontece a Semana Global do Empreendedorismo, movimento mundial em prol do empreendedorismo nas pessoas e organizações. Por isso, para fomentar o empreendedorismo e a habilidade da fazer perguntas, a KaminskiAvalca Consultoria Empresarial está organizando ao "Faça a pergunta certa!". Participe!!! O jogo acontece entre os dias 14 e 18/11.

Saiba mais

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Seminário de Sustentabilidade Empresarial - FESP - Curitiba/PR



Evento: Seminário de Sustentabilidade Empresarial
Data: 06 e 07 de outubro
Horário:08 às 18hs
Local: Auditório da FESP


Evento voltado ao debate da sustentabilidade como ferramenta empresarial e suas perspectivas, abordando exemplos reais de ‘boas práticas’ empresariais, a visão dos atores do mercado, as fontes de fomento e a legislação vigente, criando, assim, o ambiente propício para o relacionamento e a troca de experiências, facilitando o relacionamento profissional

Saiba mais!
http://www.sustentabilidadempresarial.org.br/

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Grupo Ecoverdi investe na criação de linha de produtos que promovam a sustentabilidade nas empresas

No caminho do bem

O entendimento da importância da sustentabilidade e a busca pela promoção de uma nova realidade para o planeta foram alguns dos motivos que levaram o grupo Ecoverdi, de Curitiba, a investir em uma linha especial de produtos para a sociedade. A linha ECOnsciente, que recentemente estreou no mercado brasileiro, busca oferecer soluções para um problema do dia a dia de pessoas e empresas: o descarte de lixo.

Tradicional fabricante de papel e celulose no mercado brasileiro, a Ecoverdi (a holding que reúne as empresas Cocelpa, Conpel e Arpeco), percebeu no mercado uma demanda sustentável ao alcance de suas mãos: a substituição das tradicionais sacolas de plástico por opções que agridem menos o meio ambiente. Com isso criou a linha ECOnsciente, que traz para o mercado nacional duas soluções para fazer a diferença nos hábitos das pessoas e empresas: as sacolas para compra em Supermercados e os sacos de lixo ECOnsciente. Com uma tecnologia que apenas duas empresas no país têm, a Ecoverdi desenvolveu seus produtos pensando nas vantagens para o comerciante e para o consumidor.

O carro chefe da entrada desses produtos no mercado são as sacolas. Produzidas em papel Kraft, as sacolas apresentam uma resistência muito superior às de plástico, o que permite que cada unidade transporte muito mais peso do que as em uso nos supermercados brasileiros. De acordo com Rinaldo Dalaqua, Diretor comercial do grupo Ecoverdi, “a sacola pequena da linha ECOnsciente substitui, pelo menos, 4 das de plástico; e a maior 8 sacolas plásticas Além disso, pela sua resistência, as sacolas podem ser reutilizadas pelos consumidores pelo menos mais quatro vezes sem sofrer deformações. Isso aumenta e muito sua vida útil”. A grande diferença nessas sacolas é o conforto para o consumidor, em função de suas alças. Com um tecnologia pouco usada no Brasil, as alças são planas e feitas de papel kraft (e não com barbantes), o que garante a alça a mesma resistência da sacola.

A tecnologia das sacolas foi testada durante 18 meses em uma rede de supermercados de Curitiba. Ali foram comprovadas as características do material e a adesão do público a novidade. “As pessoas aprovam a iniciativa da sacola de papel, pois ela diminui resíduos nas residências, é reutilizável e também mostra ao consumidor o conceito de responsabilidade ecológica do ambiente que ela frequenta”, afirma Dalaqua.

Disponíveis para venda em massa há pelo menos dois meses no mercado brasileiro, os primeiros resultados são animadores. “Já temos bons clientes para esse produto. Além de Curitiba, Minas Gerais e Santa Catarina são os principais compradores”, conta Dalaqua. Uma das explicações é a lei municipal da capital mineira que proíbe a oferta de sacolas plásticas em supermercados. “As sacolas não surgem necessariamente como concorrentes das de plástico, mas sim como uma alternativa para diminuir a produção de lixo e também de respeito ao meio ambiente”, comenta Dalaqua. O material de que são feitas as sacolas é 100% reciclável, além do uso de tintas atóxicas e hidrossolúveis, que permitem que o papel utilizado seja reciclado e retorne a ser sacola, sem restrições de uso.


Sacos de lixo recicláveis

Nem só das sacolas funciona a ECOnsciente. A linha disponibiliza também sacos de lixo estruturados, uma novidade no mercado. Os novos modelos, também produzidos em papel Kraft, são produzidos com uma estrutura especial, que dispensa o uso de lixeiras para sustentação. Os sacos são produzidos com o intuito de facilitar a separação correta do lixo, e por isso tem indicações dos respectivos materiais recicláveis que recebem – de acordo com a norma do Conama (resolução nº 275/2001) – papel, metal, plástico, vidro, orgânico e não reciclável. Didáticos, os sacos também colaboram com a educação para o reaproveitamento do lixo.

Cada saco de lixo dessa linha suporta até 15kg e podem ser utilizados por até 30 dias sem necessidade de substituição. “Existem sacos maiores desse material que são para recolher o lixo. Em uma empresa, por exemplo, o lixo é recolhido ao final do dia e os sacos ainda estão em perfeito estado para serem reutilizados. Os sacos absorvem pequenas quantidades de líquidos, como os restos de café e água dos copos, sem deixar odores. Assim, o lixo sai seco e permite que o saco continue a ser utilizado”, explica Dalaqua.

Todo papel utilizado na fabricação da linha ECOnsciente é proveniente de madeira de florestas plantadas, manejadas de acordo com práticas sustentáveis e em áreas previamente degradadas. “Não estamos destruindo florestas para produzir esse material. Além de tudo, oferecemos um produto que se decompõe em 60 dias no ambiente sem emitir gases, resíduos ou poluentes e também não é um agente potencializador em caso de grandes fenômenos naturais, como grandes chuvas e enchentes. O material se desintegra e permite que o ambiente seja respeitado”, afirma Dalaqua. Atualmente, o grupo Ecoverdi possui a capacidade de produzir 20 milhões de sacolas por mês e 20 milhões de sacos de lixo ao mês. “A demanda ainda não está aquecida, mas estamos no início do projeto. Em pouco tempo acreditamos que estaremos trabalhando com capacidade máxima”, garante.


Grupo Ecoverdi

O grupo Ecoverdi foi estruturado em 2010, mas reúne empresas com mais de 50 anos de atuação no mercado de papel e celulose. Atento as mudanças e a necessidade da responsabilidade com o ambiente e com a manutenção do planeta, a Ecoverdi decidiu fazer parte do processo de conscientização da população. “A forma que temos como empresa para promover a sustentabilidade do planeta em larga escala é oferecer opções que ajudem na conscientização da população para a mudança de hábitos”, argumenta Dalaqua.

Além disso, a Ecoverdi está investindo na mudança dentro da sua realidade. Com um departamento direcionado em sustentabilidade desde 2010, muitas ações estão em andamento com o objetivo de trazer um novo posicionamento da empresa também junto ao seu público interno. Desde que o conceito de sustentabilidade foi inserido nas empresas do grupo, são realizadas ações focadas nos colaboradores, como ginástica laboral e saúde do colaborador, além do contato com as comunidades próximas as fábricas, criando um processo de transparência dentro das regiões onde atua ativamente.

Hoje, o Grupo Ecoverdi conta com quatro fábricas (três no Paraná e uma na Paraíba) e é o 2º maior produtor de papel Kraft do país. Com grande atuação na produção de sacos para cal, cimento e para o transporte de alimentos, o grupo ocupa a 2ª posição entre os fornecedores de sacos valvulados no país. O grupo conta hoje com quase mil colaboradores e realiza um processo verticalizado de produção, com gerenciamento completo sobre a cadeia (desde o manejo de florestas plantadas até a produção de embalagens), e com isso exporta para 11 países. Focada também em sustentabilidade, suas unidades de produção de papel absorvem aparas, sendo que a fábrica em João Pessoa é responsável pela produção de papel reciclado.

Matéria publicada originalmente na edição 22 da Revista Geração Sustentável
Lyane Martinelli
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domingo, 15 de maio de 2011

Paraná ganha usina de reciclagem de resíduos para construção civil

Foi inaugurada na região metropolitana de Curitiba, em Almirante Tamandaré (PR), a USIPAR, Usina de Recicláveis Sólidos Paraná S/A. Com um investimento inicial de R$7 milhões, ocupando uma área de 54 mil m², a empresa vai atuar na reciclagem de sobra de materiais de construção civil de Curitiba e Região Metropolitana, sendo um grande serviço de apoio para o segmento da construção civil, um dos mais aquecidos do país.

Contando inicialmente com 30 colaboradores e com a expectativa de chegar ao final de 2011 com 60, a USIPAR levou três anos para sua total implantação. Período importante para a obtenção de todas as licenças ambientais e também a adequação do projeto as necessidades regionais. A empresa começa sua operação com a capacidade média de 8 mil toneladas de resíduos/mês, com a possibilidade de alcançar em médio prazo a demanda de 20 mil toneladas/mês.

Programada para atender a capital Curitiba e toda sua região metropolitana, a Usina promete ter 15% deste mercado até o final do ano, inclusive ampliando o projeto com a construção de novas unidades em outras regiões. A iniciativa da implantação da USIPAR se deu através de uma parceria estratégica entre Adonai Aires de Arruda, Adilson Penteado, Silvio Gaspar e Alexandre Graeser Blaszezyk.

O produto e o Meio Ambiente
Trabalhando com resíduos do tipo A, que inclui a caliça das obras de construção - como restos de material cerâmico, concreto e argamassa - a USIPAR após separar os materiais de acordo com sua classificação, tritura a caliça transformando-a em areia, brita, pedrisco e rachão, que são comercializados para nova utilização na construção civil, com uma média de preço em torno de 25% mais barato.

Com essa prática, poupa-se o meio ambiente reduzindo de extração nos areais e pedreiras, incentivando a preservação de áreas, além da correta destinação dos resíduos, que depois de separados, são encaminhados às cooperativas de reciclagem. Isso evita que ocorra o despejo de resíduos em áreas impróprias, diminuindo o impacto ao meio ambiente.

A coleta
A correta destinação das sobras geradas nas reformas e construção civil pode evitar multas. A Prefeitura Municipal de Curitiba é responsável pelo recolhimento de materiais que equivalham a até cinco carrinhos de mão. Acima disso a responsabilidade pela destinação passa a ser do gerador, que, apesar de contratar empresas para a coleta dos resíduos, continua responsável pelo destino final do material gerado.

Contratar uma empresa de coleta de resíduos é algo que deve ser feito com cuidado. É preciso exigir da empresa coletora o Manifesto de Transporte de Resíduos, o MTR. Esse documento garante a correta destinação e isenta o construtor de ter problemas futuros, como multas que podem gerar entre R$250 a R$12 mil.

Para Adonai Aires de Arruda, sócio-presidente da USIPAR, a concretização do empreendimento é um ganho para Curitiba e Região Metropolitana. “Além do setor de construção civil obter mais facilidade na logística de seus resíduos, barateando o serviço de coleta, o meio ambiente é preservado, seja pela diminuição da extração de matéria-prima, como também evitando o despejo em áreas não autorizadas”, afirma Arruda.

Fonte:
MAPA Comunicação Integrada
Josiany Vieira - Atendimento
curitiba@mapacomunicacao.com.br
http://www.mapacomunicacao.com.br/

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Artigo: Quando o patrimônio natural vira moeda de troca

Quando o patrimônio natural vira moeda de troca

Fossemos um pouco mais maduros, portanto mais responsáveis e conscientes do real significado das flexibilizações do Código Florestal Brasileiro, desesperadamente pretendidas pelo setor ruralista, não estaria sendo admitida esta barganha medíocre que ocorre neste momento no Congresso Nacional. O ardiloso esforço, milimetricamente calculado, que pretende gerar profundas alterações na legislação que trata da conservação de áreas naturais nas propriedades privadas não é e não pode ser o ponto de partida de nenhum tipo de negociação. Justamente o que o Governo Federal optou por fazer, admitindo como estratégia perder o menos possível numa investida que representa nada mais do que retrocesso e prejuízo para toda a sociedade. Esta condição já é indesejável por origem.

Vivemos uma situação de julgamento em causa própria, cujos atores principais abusam de excentricidades e inconsistências com a realidade, já sabedores da expectativa de obtenção de um resultado intermediário - este, na verdade, o originalmente pretendido. Não esperemos demonstração de contentamento dos ruralistas, sejam quais forem as eventuais conquistas que venham a conseguir, mesmo que não definitivas. Avanços representarão simplesmente um sinal verde para a continuidade de um comportamento histórico de desrespeito às Leis e de novas investidas para manterem-se sublimados, acima dos interesses maiores da sociedade.

O conhecimento científico disponível não permite mais dúvidas sobre os impactos gigantescos causados pela contínua degradação da natureza causada pela utilização irresponsável do nosso Patrimônio Natural. E de quanto pagamos por toda esta destruição silenciosa, diária, e que, como um câncer, desafia de morte o organismo em que está instalado. Ao invés de tentarmos enumerar as várias armadilhas incrustadas no texto que defende as mudanças no Código Florestal, que abrem brechas para malandragens que o Governo Federal tenta minimizar, devemos seguir um caminho inverso. É preciso repudiar a manipulação explícita que está ocorrendo com o povo brasileiro.

Ao invés de uma negociação pressionada pela busca oportunista e politiqueira de soluções imediatas e sem lastro científico, a legislação que regra a proteção e o uso de nossas áreas naturais no Brasil deve ser submetida a um processo mais virtuoso, sem retrocessos. E reconhecendo o valor de áreas bem conservadas em propriedades particulares, gerando instrumentos de remuneração por esforços conservacionistas, diversificando a renda de agricultores e garantindo as atividades rurais a longo prazo.

Seja qual for o desdobramento dos próximos dias, uma questão ficou amplamente esclarecida para todos nós: o ruralismo tem bastante poder, pensa exclusivamente nos seus interesses, usa de informações distorcidas e mentirosas para impor suas posições, impede o pronunciamento contrário a suas verdades, como no caso de especialistas de instituições públicas atreladas politicamente ao agronegócio - situação da Embrapa - e pouco se importa com as conseqüências advindas de suas atividades, que excedem os limites que a natureza permite assimilar sem gerar prejuízos coletivos, perda na qualidade de vida e o comprometimento de sua própria atividade em futuro próximo.

O Brasil merece muito mais do que o que estamos presenciando. Temos conhecimento suficiente para criar um novo modelo que compatibilize atividades agrícolas essenciais ao desenvolvimento econômico com a ciência que ampara a conservação de áreas naturais e sua função indissociável no processo produtivo. A arrogância que se impõe, contrariando as regras da natureza, é um encaminhamento muito pobre e arriscado, que já teve seu espaço no passado. Seguir nesta linha nos levará novamente à triste condição de país atrasado, agrário-exportador e, principalmente, pobre em qualidade de vida para toda a sociedade. Qualidade que só a conservação da biodiversidade e de seus serviços essenciais à vida pode assegurar.

Clóvis Borges é diretor-executivo da ONG curitibana Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Fonte: Teresa Urban é jornalista e ambientalista.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Edição 22 - Matéria de Capa: Relatórios de Sustentabilidade devem demonstrar que a gestão da empresa inclui, de fato, princípios sustentáveis


Gestão transparente e preocupada com o futuro

Mais de 3 mil empresas em todo o mundo emitem relatórios de sustentabilidade. A prática, que deve estar inserida na governança corporativa, é uma tendência em constante evolução, pois não basta divulgar as informações de forma apresentável, que fique interessante aos olhos da comunidade, dos funcionários, dos clientes, dos investidores ou dos fornecedores, é preciso inserir a sustentabilidade na gestão da empresa.

Em outras palavras: "Tinha muito blá-blá-blá, muita historinha e foto bonita, ou seja, foco apenas nas iniciativas sociais da empresa, quando, na verdade, a sustentabilidade precisa estar inserida na governança corporativa. O relatório precisa tratar da questão social, da história da empresa, do meio ambiente e dos dados econômico-financeiros, precisa ser mais completo, com abordagem quantitativa e qualitativa", comenta Mauro de Almeida Ambrósio, da Horwath RCS Auditoria e Consultoria, empresa que audita e elabora relatórios de sustentabilidade.

A opinião é compartilhada por Estevam Pereira, da Report, agência especializada em comunicação da sustentabilidade, tendo como um de seus principais produtos os relatórios de sustentabilidade, muitos já premiados. "Antes os relatórios de sustentabilidade contemplavam apenas o aspecto de marketing, mas o mercado passou a exigir relatórios que tivessem informações socioambientais, e trouxe a necessidade de adotar o padrão internacional GRI", ressalta Pereira.

A Global Reporting Initiative (GRI) – organização não-governametal criada em 1997, com sede em Amsterdã, na Holanda – oferece a metodologia mais bem aceita internacionamente, que permite comparabilidade a empresas do mesmo setor em qualquer parte do mundo. A rede GRI oferece diretrizes para elaboração de relatórios de sustentabilidade e criou, também, suplementos setoriais e protocolos. A orientação para a elaboração de relatórios, na forma de princípios e indicadores, é fornecida gratuitamente. Segundo dados da GRI, cerca de mil organizações em mais de 60 países declararam usar a estrutura de relatórios de sustentabilidade da GRI.

O Brasil é hoje é um dos cinco países do mundo em que a GRI atua que conta com um ponto focal, ou seja, um representante da entidade alocado no país com o objetivo de ampliar a disseminação das diretrizes da organização. Os outros países que contam com representantes são Austrália, Índia, China e EUA. "Pretendemos ter outro ponto focal na África do Sul", conta Gláucia Terreo, representante da GRI no Brasil. Ela explica que a metodologia GRI é bastante utilizada nos Estados Unidos, na Espanha, e em terceiro lugar no Brasil, com 132 empresas que seguem os princípios da organização. Gláucia comenta que o perfil das empresas que utilizam a metodologia é, na maioria, composto por empresas de capital aberto.

Pereira, da Report, ressalta que os princípios da GRI acabam apontando muito claramente para a qualidade do que é reportado. "Tem tornado os relatórios mais precisos, mais relevantes para o que tem que publicar, para não desperdiçar tempo e recursos com algo que não seja relevante", comenta. Ele exemplifica que as informações que precisam constar nos relatórios devem ser pertinentes ao tipo de negócio da empresa. "Um banco deve trazer dados sobre acesso a crédito, uma mineradora, sobre o impacto ambiental, ou seja, focar mais o conteúdo".

A sócia da BSD Brasil, Maria Helena Meinert, também destaca que os relatórios de sustentabilidade devem priorizar aquilo que é, de fato, relevante para a empresa em questão. Vale ressaltar que a BSD é uma consultoria especializada em desenvolvimento sustentável, responsabilidade social empresarial e comércio justo. É, também, uma das prioneiras na oferta de auditoria para relatórios de sustentabilidade, pois oferece o serviço há cerca de seis anos. Maria Helena acrescenta um exemplo: uma usina hidrelétrica deve focar nos impactos ambientais e sociais nas áreas inundadas. "O importante é que a empresa defina quais são os assuntos mais relevantes em processos estruturados de consulta e engajamento de stakeholders".

Pereira lembra que não é preciso falar de tudo, mas sim, ser mais específico. "O ideal é fazer uma coleta consistente dos indicadores. Se a empresa usa estes indicadores apenas uma vez por ano, só na hora de relatar, mostra que não está fazendo a gestão correta. O relatório de sustentabilidade não pode ser um produto, mas o processo de gestão que a empresa gera, que precisa falar de sustentabilidade 365 dias por ano", considera. Segundo ele, os relatórios de sustentabilidade auxiliam na gestão do negócio, pois melhoram o desempenho da empresa.

Maria Helena salienta uma mudança qualitativa na produção dos relatórios. "Apesar de ainda haver um longo caminho a ser percorrido, muitas empresas demonstram evolução nos seus relatórios pela apresentação de temas críticos e dilemas, buscando uma melhor contextualização da atuação da empresa na região onde atua. De forma geral, as empresas estão em um processo de aprendizado sobre a sustentabilidade empresarial", acredita.



Uma questão de princípios

A GRI fornece, gratuitamente, princípios e indicadores para elaboração dos relatórios de sustentabilidade. Afinal, a visão da GRI é que os relatórios de desempenho econômico, ambiental e social elaborados por todas as organizações sejam tão rotineiros e passíveis de comparação como os relatórios financeiros.

"A rede GRI confirma essa visão ao desenvolver e melhorar continuamente sua estrutura de relatórios de sustentabilidade, além de criar competência para sua utilização, cujo componente essencial são as Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade. Outros componentes da estrutura de relatórios são os suplementos setoriais e os protocolos", destaca o site em português da GRI.

Segundo a organização, para assegurar alto grau de qualidade técnica, credibilidade e relevância, a Estrutura de Relatórios de Sustentabilidade da GRI é desenvolvida e continuamente melhorada por meio de um intenso engajamento multistakeholder que envolve organizações relatoras e especialistas que, juntos, desenvolvem e revisam o conteúdo da Estrutura de Relatórios.

Os níveis de aplicação das diretrizes GRI variam de acordo com os indicadores relatados pela empresa que vão dos níveis "C" até "A". Para definição de conteúdo dos relatórios de sustentabilidade os principais princípios da GRI são materialidade, inclusão das partes interessadas, abrangência, e contexto da sustentabilidade. Já para assegurar a qualidade do relatório, os princípios são equilíbrio, comparabilidade, exatidão, periodicidade, clareza e confiabilidade.

Até 2010 a GRI oferecia três tipos de selos para todos os níveis. O selo de auto-declaração, o verificado por terceira parte e o GRI Check. Os selos da auto-declaração e da verificação estavam disponíveis gratuitamente via download no site do GRI. Entretanto, desde janeiro deste ano a organização não oferece mais estes dois selos. "A própria empresa, ao fazer o relatório pode declarar: 'Utilizei a metodologia GRI nível A ou nível B'. O selo estampado dava a impressão de chancela da GRI, o que não acontece nestes casos", explica Gláucia, da GRI.

Atualmente, a GRI fornece apenas o selo “GRI Checked”. Para isso, é preciso enviar o relatório para a GRI. O custo é em Euro (1.700) ou gratuitamente para membros da organização. Neste caso, o relatório entra na base de dados da GRI como “checado pela GRI”.

Gláucia explica que a medida foi tomada porque, infelizmente, muitas empresas apresentavam relatórios de baixa qualidade, mas inseriam selos da GRI, sem utilizar os princípios de forma adequada. "Se a empresa não aplica a metodologia GRI corretamente no relatório de sustentabilidade não usufrui benefícios de melhoria de gestão. Não adianta fazer por fazer, é gastar discurso e recursos à toa", destaca.

Ela enfatiza que a produção do relatório precisa ir a fundo na gestão empresa. No caso da gestão de risco, por exemplo, ela usa a metáfora do iceberg. "Em geral, as empresas relatam apenas o que se vê, e esquecem que a parte de baixo é o suporte da empresa. Não estão acostumadas a medir, a analisar a empresa. Se não mede, não vai gerenciar de forma correta. As diretrizes GRI são uma forma de olhar o que está abaixo, o iceberg todo", comenta.



Evolução das diretrizes GRI

Gláucia lembra que a GRI quer formar massa crítica, por isso, constrói suas diretrizes pensadas globalmente, multistakeholder. É um trabalho em rede. Ela conta que em 1997 foi feito o primeiro rascunho das diretrizes, sendo que a primeira versão foi lançada em 2000, ano em que a metodologia GRI chegou ao Brasil. "Mas ainda era uma colcha de retalhos. A Natura foi a primeira empresa brasileira a testar a ferramenta. Lançou seu relatório de sustentabilidade com princípios GRI em 2001 e por vários anos serviu como inspiração e exemplo para outras empresas", lembra Gláucia.

Em 2002 foi lançada uma versão melhorada, mas ainda não trazia muita clareza para a produção de relatórios de sustentabilidade. "Afinal, relatório bom é o que vai direto ao ponto", esclarece. A terceira geração de diretrizes GRI – a chamada G3 – foi lançada em 2006. Segundo Gláucia, que é a representante da organização no Brasil desde 2007, começa aí o crescimento do uso da metodologia em território brasileiro. Afinal, as diretrizes foram disponibilizadas em português, o que tornou mais amigável o manuseio da ferramenta.

No dia 23 de março deste ano, a GRI lançou a G3.1, uma versão atualizada das diretrizes, com mais indicadores (sobre relações com a comunidade, gênero e direitos humanos). "É um protocolo para ajudar a entender melhor a materialidade no conteúdo das informações. No entanto, a empresa que quiser continuar usando a G3, pode continuar, pois não difere muito", explica Gláucia.

A quarta geração de diretrizes, a G4, deve ser lançada em maio de 2013, durante a próxima conferência de Amsterdã. "Quanto mais gente usando e concientizada, a probabilidade de a minha filha de seis anos ter um mundo melhor é maior", comenta Gláucia. Ela ressalta que este é o sentido geral da ferramenta.

Entretanto, para usar as diretrizes de forma eficaz, a representante da GRI no Brasil sugere que a empresa planeje seu relatório internamente, antes entrar em contato com a consultoria que confeccionará o documento. Segundo ela, é preciso, antes de tudo, ter clareza do processo. A decisão deve ser coletiva, bem como o planejamento. Deve ser pensado sobre o tamanho da equipe que trabalhará na composição dos dados, se o texto será impresso, quais níveis de aplicação terá. É preciso definir a materialidade e formar um comitê, pois a produção do relatório de sustentabilidade depende de um intenso diálogo interno e grande conexão com as partes interessadas. "O relatório de sustentabilidade deve ser fruto do processo de gestão", lembra Gláucia. Somente depois é possível partir para o processo de publicação e asseguração. Ela sugere, no caso da realização do primeiro relatório da empresa, o prazo de pelo menos um ano de trabalho para que o resultado seja de qualidade.

A representante da GRI no Brasil comenta que a organização idealiza que 100% das empresas estejam usando o modelo em breve. "E que agregue a avaliação de desempenho financeiro e também socioambiental", lembra. Afinal, é preciso que a sustentabilidade esteja no discurso e na ação das empresas. Por isso a GRI tem lutado para integrar as três dimensões dos relatórios. Neste sentido, formou, em 2010 o Comitê Internacional para Integração dos Relatórios (International Integrated Reporting Committee – IIRC - www.integratedreporting.org) em parceria com a A4S - Accounting for Sustainability. O Brasil tem dois representantes no IIRC.

De acordo com Gláucia, alguns países já tornaram os relatórios integrados obrigatórios. "Na África do Sul empresa listada na bolsa tem que apresentar relatório integrado. Na Suécia empresa estatal é obrigada a apresentar relatório de sustentabilidade. A autoregulação é um bom sinal, pragmatiza", destaca. Seguindo esta tendência, o intuito do IIRC é apresentar a proposta ao Grupo dos 20 (G20), formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais de 19 países mais a União Europeia, entre eles o Brasil.

Gláucia enfatiza que a inclusão da sustentabilidade na gestão das empresas é uma necessidade urgente. "Temos inúmeros problemas no planeta e ainda há quem não dê conta para isso", comenta, elencando algumas necessidades como manutenção da biodiversidade e a proteção à saude. Também lembra que a responsabilidade é de todos e as empresas são partes muito interessadas no processo, já que não podem colocar a sobrevivência de seus negócios em risco. "Por isso precisam fazer parte da solução do problema, e não estarem fora. É um jeito de atuar para contribuir com melhorias no planeta", considera.



A auditoria de relatórios de sustentabilidade

Ambrósio, da Horwath RCS, lembra que a realização de auditoria é recente no Brasil, se comparada à Europa e aos Estados Unidos. "Poucas empresas submetem seus relatórios a auditoria. Podemos dizer que de cada dez empresas, seis a sete, ou seja, 60%, audita. No Brasil, de cada dez uma ou duas faz auditoria, ou seja, de 10% a 15%", comenta.

Mas Ambrósio destaca que este cenário começa a mudar. "Temos recebido muitas empresas interessadas em auditar seus relatórios, por dois fatores fundamentais: as empresas querem se adequar aos princípios do GRI com padrão checked (auditado), ou possuem muita infomação nos relatórios de sustentabilidade e querem dar mais credibilidade e transparência", explica.

O auditor destaca que, como os relatórios são anuais – a maioria é produzido entre dezembro e janeiro e é publicado entre abril e maio – o ideal é que o auditor se envolva desde a produção. O trabalho de checagem pode levar de 30 a 45 dias, pois depende da complexidade dos relatórios.

Maria Helena, da BSD, também ressalta que nos últimos anos tem se observado um grande aumento da quantidade de relatórios de sustentabilidade publicados. "Contudo, este crescimento não significa necessariamente que as informações publicadas sejam confiáveis. Com a preocupação de garantir informações de qualidade aos stakeholders, algumas empresas passaram a submeter seus relatórios à verificação externa. O estabelecimento de procedimentos sistemáticos de verificação independente das informações publicadas contribui para o aumento da confiança dos stakeholders", enfatiza.

Ela explica que o processo de assurance (certificação) contempla algumas atividades básicas, que fundamentam as conclusões do verificador (Declaração de Garantia). Estas ações são identificação da origem das informações para elaboração do relato; avaliação dos controles internos, processos de registro e atualizações relacionadas às informações do relato; avaliação da relevância das informações quanto à gestão da sustentabilidade e o contexto da empresa; e avaliação de processos de engajamento de stakeholders.

"Internamente, o processo contribui significativamente com a melhoria dos processos e controles internos, além do maior envolvimento das equipes internas e da alta administração. Além disso, reduz riscos por meio da identificação de temas críticos e aumenta a confiança dos stakeholders na empresa", considera a auditora.

Maria Helena ressalta que a auditoria dos relatórios dá mais credibilidade ao processo. "A verificação proporciona ao leitor uma opinião independente clara sobre os temas relevantes para a empresa. As conclusões da verificação são publicadas na Declaração de Garantia, ao final do relatório", conta.

A auditora também comenta que os leitores de relatórios buscam informações relevantes que de fato reflitam a estratégia de gestão de sustentabilidade empresarial. Por isso, segundo ela, cada vez mais, é preciso investir esforços no desenvolvimento de relatórios focados em assuntos materiais e com informações confiáveis examinadas por terceira parte.



Empresas interessadas na qualificação dos relatórios

A cada dia, novas empresas buscam os serviços de consultorias e auditorias para seus relatórios de sustentabilidade. O intuito é qualificar a publicação. É o caso da Copagaz, empresa nacional com 50 anos de atividade, integrada na distribuição de GLP (gás de cozinha).

A Copagaz, que publicou seu primeiro relatório em 2001, entende que o relatório de sustentabilidade é um importante instrumento de comunicação e gestão para que a empresa tenha a oportunidade de prestar contas e relatar aos seus stackholders, à sociedade e ao mercado suas melhores práticas rumo à sustentabilidade.
"A princípio era apenas um Balanço das Ações Sociais, sem muito envolvimento das diversas áreas. A partir de 2005, passamos a utilizar as orientações do Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e em 2006, agora com envolvimento dos diversos gestores da empresa, utilizamos, além do Ibase, as diretrizes do Global Reporting Iniciative – GRI. Iniciamos a auditoria externa a partir de 2009. De certa forma, uma evolução gradativa", comenta Elizete Neto Tavares Paes, assessora do Diretor-Presidente e coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da Copagaz.
Segundo ela, há um comprometimento com o imperativo da transparência das atividades da Copagaz no seu desempenho social, ambiental e econômico, seguindo a metodologia G3 da GRI. Elizete destaca que o grande desafio de qualquer empresa na confecção de seus relatórios é a presteza no atendimento e o engajamento de todos os envolvidos no processo, considerando-se os stakeholders externos e internos. "O relatório é sempre uma ferramenta que estimula o desenvolvimento de melhores práticas de gestão e estabelece caminhos específicos para cada setor da organização", acredita.

A empresa adere aos princípios da GRI, que estabelece indicadores para medir e relatar seu desempenho. "São orientações que continuam a evoluir a cada ano por meio de um consenso entre representantes de empresas, sociedade civil, setor financeiro, trabalhadores, academia e outros", lembra Elizete.

Além disso, a coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da Copagaz ressalta que a auditoria independente garante às partes interessadas a transparência, a credibilidade e a materialidade das informações constantes no relatório. É uma revisão necessária, segundo ela.

"Para os stakeholders, o relatório de sustentabilidade é um instrumento que permite a eles tomarem conhecimento das práticas desenvolvidas pela organização durante o ano de vigência do relatório. Além disso, há o processo de engajamento, já realizado em anos anteriores, onde são apontados pelos stakeholders os temas de maior interesse e relevância nos relatórios, proporcionando dessa forma, uma comunicação clara e personalizada com seus grupos de interesse", salienta Elizete.

** Matéria publicada na Edição 22 - Revista Geração Sustentável (Criselli Montipo)

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Artigo: Tecnologia e inovação para um caminho sustentável

A razão de ser de 100% das empresas do mundo inteiro é a de produzir bens e serviços que venham atender as necessidades humanas, que são as molas propulsoras da economia. O problema econômico aparece porque os recursos econômicos são escassos e, por isso, não geram produção suficiente para atender a todas as necessidades. Daí, surge o desafio ou o problema econômico.

As necessidades humanas são crescentes porque: a) a população mundial continua crescendo e b) a renda dos consumidores, apesar da péssima distribuição da riqueza, também continua crescendo. Com mais gente e com mais renda, a demanda global por bens e serviços se expande, pressionando por mais recursos econômicos. Entre os recursos econômicos, há os recursos naturais, os humanos e o capital, sendo que este nada mais é do que a combinação dos dois primeiros. Por exemplo, uma máquina (considerada capital) resulta da combinação de minérios de ferro convertidos em aço com a participação do ser humano. Não há capital sem os recursos humanos.


O desafio da sustentabilidade

Com esta pressão da população por mais bens e serviços, o grande desafio é o de atender as necessidades humanas, preservando os recursos naturais, que são extraídos diretamente da natureza, tais como solos (urbanos e agrícolas), os minerais, as águas (dos rios, dos lagos, dos mares, dos oceanos, e do subsolo), a fauna, a flora, o sol, e o vento (como fontes de energia), entre outros. Este é o grande desafio, o da sustentabilidade, por ser um problema de manutenção e ampliação da capacidade produtiva da economia.


Tecnologia e inovação: o caminho inteligente

De um lado, a sociedade pressiona por mais bens e serviços e por isso, aumenta a demanda por mais recursos econômicos, inclusive os naturais. De outro lado, as empresas, pelo ambiente econômico de crescente competição (concorrência), são pressionadas a serem competitivas, se quiserem sobreviver e crescer. Para atender simultaneamente a estes dois desafios (maior demanda por recursos por parte da população com maior competitividade das empresas), a via tecnológica é o caminho inteligente que o ser humano dispõe para resolver o problema econômico e tornar as empresas mais competitivas.

Pela inovação e uso de novas tecnologias é possível aumentar a produtividade (que é a relação entre o volume produzido e a quantidade utilizada de recursos). A maior produtividade resulta em duas coisas simultaneamente: a) aumenta a produção de bens e serviços, ajudando, assim, a resolver o problema econômico, ou seja, é o caminho para uma sociedade atender melhor suas necessidades; b) possibilita a uma empresa reduzir o custo unitário, isto é, o custo médio de produção, que, na verdade é a única variável nas mãos de uma empresa, porque o preços dos produtos dependem da decisão dos consumidores. Portanto, a inovação é o principal caminho tanto para resolver o problema econômico de uma sociedade como também para tornar suas empresas mais competitivas (com custos menores).


O desafio da inovação no Brasil

O grande problema da utilização de tecnologia no Brasil é que investimos muito pouco, algo como apenas US$ 50 por brasileiro por ano, enquanto na média dos países desenvolvidos de um modo geral ultrapassa US$ 400 por habitante/ano. Como a economia brasileira até poucos anos atrás era muito fechada, não havia muitos estímulos para as empresas serem competitivas, como acontece atualmente por pressão do mercado, que está num ambiente de muita competição.


Um exemplo: agricultura

A agricultura brasileira é um excelente exemplo de adoção de novas tecnologias que permitiram duplicar a produção de grãos nos últimos quinze anos, expandindo apenas 30% a área cultivada, o que significa dizer que a maior produtividade (pela via tecnológica) da terra no Brasil possibilitou o agronegócio o Brasil ser competitivo internacionalmente. Em suma, o desafio humano é do aumentar o bem-estar (isto é, mais produção de tudo), preservando os recursos naturais. A tecnologia é o grande caminho para resolver este desafio. Pense nisso!.

Prof. Judas Tadeu Grassi Mendes é Ph.D. em economia pela Ohio State University (USA) e pós-doutor pela mesma universidade. Foi professor titular da UFPR durante 21 anos e professor visitante nos EUA, no Japão e na Alemanha. Foi pro-reitor da UNIFAE e da Universidade São Francisco no Estado de São Paulo. Autor de seis livros de economia. Fundador e atual diretor presidente da Estação Business School. Recebeu nos EUA o premio Alumni International Award como profissional de sucesso

Artigo publicado originalmente na edição 22
Revista Geração Sustentável

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A “Onda Verde” renova o universo empresarial no Brasil

Nos últimos anos, as discussões em torno do aquecimento global elevaram o tema da sustentabilidade entre as prioridades máximas de empresas em todo o mundo, desde pequenas companhias até gigantes multinacionais. A preocupação ambiental ajudou a despertar o interesse por métodos de construção e manutenção de imóveis adequados às novas necessidades de conservação do planeta, em harmonia com os padrões ecologicamente corretos.

Na esteira dessa nova mentalidade, surgiram os chamados green buildings, ou “prédios verdes”, uma nova geração de edificações marcadas por modelos alternativos de funcionamento, como geração própria de energia e aproveitamento da água da chuva, entre outros.

O universo corporativo vive uma fase histórica única em que aderir ao “movimento verde” traz grandes benefícios (diretos e indiretos), não somente para as empresas, mas também para a sociedade como um todo. Devido à constante evolução das tecnologias, o ambiente empresarial é atualmente capaz de funcionar com maior eficiência e menor burocracia com mínimos recursos físicos.

Estudos indicam que o impacto ambiental de um edifício pode ser espantoso. Nos EUA, os prédios comerciais consomem 65% da energia elétrica distribuída no país e o principal “vilão” é o ar-condicionado, responsável por mais da metade do consumo de toda a energia. No Brasil, esse índice é de cerca de 50%.

Na onda dos prédios verdes, o uso dos escritórios terceirizados é outra opção ecologicamente correta que se torna cada vez mais atraente. Conhecidos como escritórios inteligentes, representam mais um importante passo na transformação do mundo dos negócios, com impacto vantajoso crescente – ambiental, social e econômico.

Há 15 anos no Brasil, a Your Office é pioneira no setor de escritórios inteligentes. Também conhecidos como escritórios virtuais, os estabelecimentos oferecidos pela empresa são salas mobiliadas e amplamente equipadas, com total infra-estrutura de serviços, como telefonia, internet banda larga, secretariado, recepção, copa e cozinha, segurança, etc. As salas podem ser alugadas, sem burocracia, por qualquer período de tempo, por empresas de variados portes e áreas de atuação.

As grandes vantagens da terceirização do espaço corporativo são imediatamente identificáveis: diminuição de custos fixos, além de maior organização racional do tempo e gerenciamento de funcionários. O principal benefício mensurável é, sem dúvida, a expansão dos balanços financeiros.

Prova de que a terceirização não para de conquistar espaço, o grupo Your Office registra índices de crescimento da ordem de 20% ao ano no País. As vantagens da terceirização, no entanto, expandiram-se também graças à recente preocupação em torno da sustentabilidade.

O escritório inteligente ou virtual traz vários ganhos em relação a outros modelos de negócios. Nele, ganha o empresário, ganha o cliente, ganha o funcionário, mas ganha também a sociedade quando o planeta é poupado. Um exemplo prático: a economia de gastos fixos de uma sala comercial com serviços públicos – como taxas pelo fornecimento de água e energia elétrica – também sinaliza que tais recursos, divididos entre os vários usuários de um escritório terceirizado, estão sendo mais bem utilizados.

O uso conjunto da infra-estrutura é outro forte argumento a favor da terceirização em relação ao modelo corporativo tradicional. Ao compartilhar o escritório físico, as empresas se desfazem não só de parte de seus encargos financeiros como também de eventuais malefícios ambientais.

A economia do empreendedor tende a ser maior em vários aspectos, a começar pela redução do aluguel do espaço devido ao rateio do seu valor integral. De ponto de vista sustentável, os escritórios virtuais podem diminuir o ritmo de construção de novos imóveis comerciais, ociosos na maior parte do tempo, e que apenas aumentam o número de edifícios nas grandes cidades - cada vez mais sacrificadas pela falta de planejamento urbano.


A desorganização das cidades leva, por sua vez, ao aumento gradual das temperaturas, das distâncias a serem percorridas pelos trabalhadores, do uso dos meios de transporte (com a expansão dos congestionamentos, gastos de combustível e derivados do petróleo, poluição, desgaste do asfalto de ruas e avenidas, etc.). Isso sem somarmos os efeitos nocivos para a saúde dos cidadãos, que têm de conviver com acidentes, ar poluído, demora no tempo de locomoção, elevação dos níveis de estresse e perda de tempo contínua.

As facilidades oferecidas pela terceirização ajudam o pequeno empresário a diminuir os custos operacionais, contribuem para que ele possa dedicar-se exclusivamente aos clientes, e ainda promove o bem-estar social e a conservação do meio ambiente.

Por Otávio Ventura, diretor-presidente da Your Office

Fonte: Germinare


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Edição 22 já está circulando e traz como tema de capa Relatórios de Sustentabilidade

A nova edição da Geração Sustentável já está circulando e traz como matéria de capa Relatórios de Sustentabilidade.

Abaixo está disponível o editorial e também outros conteúdos que a revista traz nessa edição!

Relatórios de Sustentabilidade: Menos discurso e mais resultado

O famoso ditado de que o papel é escravo do autor já foi uma realidade também para os relatórios de sustentabilidade. Esses materiais (volumosos) nasceram descrevendo projetos socioambientais com exagerados conteúdos jornalísticos, recheados de fotos de crianças sorrindo e de membros de uma comunidade feliz, mas a efetividade desses relatórios sempre foi questionável.

Atualmente as empresas estão elaborando seus relatórios de forma criteriosa e com metodologias mais confiáveis, pois eles passaram a ser uma das principais ferramentas de comunicação entre os stakeholders. Os resultados são apresentados em dimensões que contemplam, conjuntamente, o triplo desempenho (econômico, social e ambiental) dentro de uma formatação sistêmica e estratégica. Abordar as mudanças nos processos produtivos, o engajamento da empresa com a sociedade, a redução e destinação de resíduos são alguns dos exemplos que passam a compor esses relatórios, salientando principalmente a apresentação de indicadores qualitativos que mensuram a afirmação e a evolução dos projetos.

Outro fator relevante, que também está sendo incorporado, é a participação das auditorias externas nos relatórios. Esse procedimento, que já é adotado há muitos anos nos balanços contábeis, passam a dar maior credibilidade às ações socioambientais dos negócios, visto que a empresa passa a agir com mais transparência também perante a sociedade. Dessa forma, não é mais suficiente afirmar que a empresa é uma organização responsável, agora é necessário também comprovar.

Esses relatórios, além de auditados, precisam comunicar muito bem a empresa para os investidores, governo e toda a sociedade, por meio de uma linguagem simples e abrangente. Atuar em projetos relacionados ao negócio é fundamental para sustentar a posição da empresa, em relação ao mercado e também para valorização da sua marca. Não adianta a empresa apenas participar de um programa de plantio de árvores, afinal, se a empresa causa impacto, por exemplo, nos recursos hídricos, cedo ou tarde a sociedade irá cobrar essa dívida, pois a conta não está fechando.

Essa edição tem como objetivo orientar você leitor e gestor de negócios para que possa conhecer e utilizar as metodologias/critérios de elaboração de relatórios de sustentabilidade. Ganha destaque aquilo que é relevante na elaboração desses materiais para que a sua empresa seja de fato sustentável na gestão e na comunicação.

Veja as outras matérias desta edição:
Entrevista: Ramon Andres Doria - Sustentabilidade em Construção
Visão Sustentável: Ecoverdi - No caminho do bem
Responsabilidade Ambiental - Plantio Direto: Terra mais forte e desenvolvimento do Paraná para os campos do Brasil
Gestão de Resíduos - Simple Clean: Limpeza Sustentável acima de tudo
Energias Renováveis - Ventos e resíduos no futuro da energia brasileira


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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

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Sobre o livro:
A publicação apresenta estratégias voltadas ao setor empresarial, sobre como aliar o desenvolvimento econômico, a preservação ambiental e a responsabilidade social. “O marketing verde é uma ferramenta estratégica para crescimento e visibilidade do setor empresarial. Investir em meio ambiente é investir no futuro e na qualidade de vida da população, o que comprovadamente agrega valor à marca”, explica o escritor e consultor em gestão empresarial e ambiental, Evandro Razzoto. No livro, ainda podem ser encontradas dicas como a definição do grau de sustentabilidade da empresa, a divulgação dos resultados do marketing verde e como a empresa pode se tornar autossustentável. Saiba mais pelo site http://www.razzoto.com/

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