----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Mostrando postagens com marcador artigo dos leitores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigo dos leitores. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Artigo - Ah, se os empresários soubessem disso...


No mundo atual, as coisas mudam rapidamente. A tecnologia avança e o que era comum, passa em pouco tempo a ser coisa do passado. Resultado: quem não se atualiza perde mercado e dinheiro, muito dinheiro.
A construção civil também está mudando. Considerada a atividade econômica que mais causa impactos ambientais no planeta, o setor de construção começa a se redimir à medida que inúmeras tarefas realizadas no passado e tidas como normais, hoje já não são mais admitidas por serem poluidoras.
Um exemplo é a destinação dos entulhos de obra. Na maioria das vezes, os responsáveis pela obra nem sabiam onde iam parar. A terra na frente das obras sujava as ruas, a compra de materiais de empresas sem licença ambiental nem preocupava a ninguém, sem falar das madeiras ilegais utilizadas nas obras agravando o desmatamento da Amazônia.
Porém, poucos, muito poucos, estão conectados com essas mudanças. Quem participa de congressos, como o último promovido pelo GBC Brasil sobre Construções Sustentáveis e Prédios Verdes, realizado em São Paulo, no mês de setembro, consegue ficar por dentro das novidades do setor.
Dentre essas novidades, destaca-se justamente o conceito de Prédio Verde, que além dos benefícios do marketing ambiental – responsável por atrair cada vez mais consumidores - promovem uma enorme economia de energia elétrica e de água potável.
Para obter a certificação de Prédio Verde, a obra tem que economizar pelo menos 30% de energia elétrica e de água em comparação com uma obra similar. Mas que afirmação ‘“maluca”, podem pensar os empresários, será que os instaladores de elétrica e hidráulica não sabem projetar de forma econômica?
Por incrível que pareça, a maioria não sabe e continua a projetar como no século XX, adotando parâmetros ultrapassados. Nunca foi exigido deles que adotassem novos parâmetros de desempenho, conforme normas americanas e europeias.
Essas normas, obrigatórias para Prédios Verdes que pleiteiam a certificação, determinam a elaboração de projetos supereficientes, significando também um ganho financeiro para empresários.
Então, por que não passam a construir um monte de prédios verdes? Não fazem porque não acreditam que poderão obter retorno financeiro com uma grande economia de energia elétrica e também de água. 
Por incrível que pareça, preferem fazer como sempre fizeram e, sem saber, continuam a perder dinheiro. Tomara que quem ler este artigo passe a buscar informações sobre os prédios verdes, já que empresário não é de perder dinheiro e sim de ganhar.

Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental e responsável técnico da Master Ambiental.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

EMPREENDEDOR OU EMPREGADO? UM DESAFIO INTERIOR

Uma das características marcantes nos empreendedores bem-sucedidos é a sua capacidade de reagir às dificuldades de qualquer natureza e sua extrema facilidade em conviver com a ambiguidade. Isso lhes permite participar de muitas atividades ao mesmo tempo, ainda que não tenham ideia formada a respeito de como as coisas se comportarão no futuro. Para quem empreende, a criação da empresa é a coisa mais importante.

Diferente dos empreendedores, os empregados oscilam constantemente entre a pseudossegurança proporcionada pelo emprego formal e o eterno desejo de ser o “dono do seu próprio nariz”. Eles seguem basicamente algumas regras bem estabelecidas com o advento da Revolução Industrial e consolidadas no início do século passado com a Escola da Administração Científica do Trabalho, liderada por Frederick Taylor, nos Estados Unidos, e Henry Fayol, na França.

Em geral, os filhos da Revolução Industrial tornaram-se adeptos da cultura da “devoção” a uma única organização ou instituição, a exemplo do que ocorreu no Brasil a partir da década de 1970, com os investimentos do governo direcionados para o crescimento econômico e com o surgimento de grandes obras que amealharam milhares de profissionais dispostos a investir na carreira pública.

Isso fazia sentido até a metade da década de 1990, quando as empresas passaram a enfrentar o fenômeno da globalização e os mercados sofreram uma completa reviravolta. As oportunidades surgiram na mesma proporção das dificuldades, a concorrência tornou-se mais acirrada, as margem de lucro foram reduzidas drasticamente e o número de vagas proporcionadas pelos empregos formais continuou minguando.

Apesar das inúmeras possibilidades que se abriram por conta da evolução tecnológica dos últimos cinquenta anos, ainda vivemos numa sociedade que busca freneticamente a opção da suposta segurança proporcionada pelo mercado formal de trabalho.

Decorridos mais de duzentos e cinquenta anos do início da Revolução Industrial, a maioria das pessoas ainda prefere “a escravidão na segurança ao risco na independência”, de acordo com o filósofo francês Emmanuel Mounier, o Pai do Personalismo. Significa dizer que, embora a opção empreendedora seja vista como um grande ideal de vida e realização, o trabalho formal continua sendo a opção da maioria das pessoas nos quatro cantos do mundo.

Em meio ao progresso, surgiram as demissões em massa, as doenças decorrentes do elevado esforço requerido pelas indústrias, das condições precárias do ambiente de trabalho, da ausência de férias, da necessidade recorrente de multiplicação do capital, dos interesses econômicos visivelmente acima dos interesses sociais, da concentração da riqueza e ampliação da pobreza.

Diante de tudo isso, algumas questões continuam intrigando milhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente jovens que buscam um lugar ao sol no concorrido mercado de trabalho: ser empreender ou ser empregado? É possível substituir a escravidão na segurança pelo risco na independência? Vale a pena o esforço para criar o futuro desejado?

Não alimente a menor dúvida sobre isso. Os holofotes estão por toda parte, prontos para iluminar o caminho de quem se arrisca a dar a cara para bater em troca de uma vida mais desafiadora e mais próspera, em que o sentido de contribuição e o sentido de realização são importantes, desde que sejam conquistados com um mínimo de planejamento.

Por fim, se a pessoa confia em si mesma, consegue fazer sacrifícios, sabe lidar com imprevistos, sabe tomar decisões com facilidade e rapidez, sabe farejar oportunidades, tem energia de sobra e está disposto a liderar pelo exemplo, um futuro promissor a aguarda pacientemente.

Quanto mais cedo definir essa questão, melhor: ser empreendedor ou ser empregado? Qualquer um pode ser bem-sucedido em ambos os lados, entretanto, o sucesso dependerá basicamente do seu posicionamento e da concentração de esforços, seja qual for o lado escolhido. Pense nisso e seja feliz!
 
 
Jerônimo Mendes

Administrador, Coach Empreendedor, Escritor e Palestrante

Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE
 

===================================================
 
Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:


Capa: Instituto HSBC Solidariedade - Sintonia com demandas socioambientais e econômicas do Brasil

Tecnologia e Sustentabilidade: Proteção e segurança para o consumidor

Responsabilidade Social Corportativa: Lançado programa empresarial em que funcionários podem desabafar e buscar o autodesenvolvimento

Responsabilidade Ambiental:Compromisso efetivo com o ambiente
Desenvolvimento Local: Conscientização empresarial e compromisso com o futuro do planeta

Artigos:

Gastão Octávio Franco da Luz: Resquícios de sustentabilidade. Um registro de viagem
Giuliano Moretti: Da ego à Ecossustentabilidade: O caminho da percepção

=====================================================
Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade
A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.
Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.
Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado
 
 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A “Onda Verde” renova o universo empresarial no Brasil

Nos últimos anos, as discussões em torno do aquecimento global elevaram o tema da sustentabilidade entre as prioridades máximas de empresas em todo o mundo, desde pequenas companhias até gigantes multinacionais. A preocupação ambiental ajudou a despertar o interesse por métodos de construção e manutenção de imóveis adequados às novas necessidades de conservação do planeta, em harmonia com os padrões ecologicamente corretos.

Na esteira dessa nova mentalidade, surgiram os chamados green buildings, ou “prédios verdes”, uma nova geração de edificações marcadas por modelos alternativos de funcionamento, como geração própria de energia e aproveitamento da água da chuva, entre outros.

O universo corporativo vive uma fase histórica única em que aderir ao “movimento verde” traz grandes benefícios (diretos e indiretos), não somente para as empresas, mas também para a sociedade como um todo. Devido à constante evolução das tecnologias, o ambiente empresarial é atualmente capaz de funcionar com maior eficiência e menor burocracia com mínimos recursos físicos.

Estudos indicam que o impacto ambiental de um edifício pode ser espantoso. Nos EUA, os prédios comerciais consomem 65% da energia elétrica distribuída no país e o principal “vilão” é o ar-condicionado, responsável por mais da metade do consumo de toda a energia. No Brasil, esse índice é de cerca de 50%.

Na onda dos prédios verdes, o uso dos escritórios terceirizados é outra opção ecologicamente correta que se torna cada vez mais atraente. Conhecidos como escritórios inteligentes, representam mais um importante passo na transformação do mundo dos negócios, com impacto vantajoso crescente – ambiental, social e econômico.

Há 15 anos no Brasil, a Your Office é pioneira no setor de escritórios inteligentes. Também conhecidos como escritórios virtuais, os estabelecimentos oferecidos pela empresa são salas mobiliadas e amplamente equipadas, com total infra-estrutura de serviços, como telefonia, internet banda larga, secretariado, recepção, copa e cozinha, segurança, etc. As salas podem ser alugadas, sem burocracia, por qualquer período de tempo, por empresas de variados portes e áreas de atuação.

As grandes vantagens da terceirização do espaço corporativo são imediatamente identificáveis: diminuição de custos fixos, além de maior organização racional do tempo e gerenciamento de funcionários. O principal benefício mensurável é, sem dúvida, a expansão dos balanços financeiros.

Prova de que a terceirização não para de conquistar espaço, o grupo Your Office registra índices de crescimento da ordem de 20% ao ano no País. As vantagens da terceirização, no entanto, expandiram-se também graças à recente preocupação em torno da sustentabilidade.

O escritório inteligente ou virtual traz vários ganhos em relação a outros modelos de negócios. Nele, ganha o empresário, ganha o cliente, ganha o funcionário, mas ganha também a sociedade quando o planeta é poupado. Um exemplo prático: a economia de gastos fixos de uma sala comercial com serviços públicos – como taxas pelo fornecimento de água e energia elétrica – também sinaliza que tais recursos, divididos entre os vários usuários de um escritório terceirizado, estão sendo mais bem utilizados.

O uso conjunto da infra-estrutura é outro forte argumento a favor da terceirização em relação ao modelo corporativo tradicional. Ao compartilhar o escritório físico, as empresas se desfazem não só de parte de seus encargos financeiros como também de eventuais malefícios ambientais.

A economia do empreendedor tende a ser maior em vários aspectos, a começar pela redução do aluguel do espaço devido ao rateio do seu valor integral. De ponto de vista sustentável, os escritórios virtuais podem diminuir o ritmo de construção de novos imóveis comerciais, ociosos na maior parte do tempo, e que apenas aumentam o número de edifícios nas grandes cidades - cada vez mais sacrificadas pela falta de planejamento urbano.


A desorganização das cidades leva, por sua vez, ao aumento gradual das temperaturas, das distâncias a serem percorridas pelos trabalhadores, do uso dos meios de transporte (com a expansão dos congestionamentos, gastos de combustível e derivados do petróleo, poluição, desgaste do asfalto de ruas e avenidas, etc.). Isso sem somarmos os efeitos nocivos para a saúde dos cidadãos, que têm de conviver com acidentes, ar poluído, demora no tempo de locomoção, elevação dos níveis de estresse e perda de tempo contínua.

As facilidades oferecidas pela terceirização ajudam o pequeno empresário a diminuir os custos operacionais, contribuem para que ele possa dedicar-se exclusivamente aos clientes, e ainda promove o bem-estar social e a conservação do meio ambiente.

Por Otávio Ventura, diretor-presidente da Your Office

Fonte: Germinare


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Artigo: Gestão do Lixo

LIXO QUE NÃO É LIXO, É DINHEIRO

*João Paulo Maranhão

Nas últimas semanas, batalhas acirradas vêm sendo travadas na cidade de Curitiba e Região Metropolitana, em virtude da necessidade de se conseguir uma nova área para a destinação do lixo produzido pela nossa população. É evidente que o aterro do Caximba já está, há muito tempo, com sua capacidade de estocagem e armazenamento esgotada, sendo que a manutenção desse local como aterro sanitário pode causar e causará até o mês de novembro de 2010 – data limite para fechamento do mesmo – diversos danos ao meio ambiente e à saúde da população que reside na região.

Mas porque tanta discussão sobre esse assunto? Por que tantas medidas judiciais se não existem dúvidas de que outro local tem que ser escolhido? Por que tantos interesses particulares tentam se sobrepor aos interesses da coletividade, que tem como direitos fundamentais a saúde e o bem estar? A resposta para estas indagações é simples: atualmente o lixo é dinheiro. Não pensem que só porque o lixo é tido como algo que não presta, que é descartado, que ele não tem seu valor.

O que para a maioria da população é um mal, para alguns é um bem, ou melhor, uma mina de dinheiro inesgotável, na medida em que a tendência é a de que a cada dia que passa, mais lixo venha a ser produzido por nossa população que não pára de crescer, muito menos de consumir. Certo é também que dar a correta destinação ao lixo é medida necessária, sendo que não se tem mais dúvidas de que o Poder Público “prefere” delegar tal atribuição do que arcar com essa responsabilidade. Fala-se isso pois efetivamente são poucas as Prefeituras de nosso país que adotam políticas públicas específicas para o lixo, não sendo Curitiba uma delas.

A perpetuação da manutenção de aterros sanitários como o do Caximba, constitui-se em um sério problema sanitário, pois tal tipo de armazenamento de lixo expõe as pessoas a várias doenças, tais como parasitoses, além de contaminar o solo, as águas e os lençóis freáticos. Tanto isso é verdade que por diversas vezes já se teve notícias dessa condição em relação ao aterro do Caximba, em especial no que se refere a destinação do chorume em águas fluviais de rios da nossa Região Metropolitana.

Novas tecnologias devem ser implementadas, adotando-se sistemas de reciclagem e queima de resíduos, tais como os utilizados em outras capitais de nosso país, abdicando-se a prática hoje utilizada em nossa Capital. O tempo urge, sendo que Prefeitura não pode continuar perpetuando brigas judiciais visando corrigir um procedimento licitatório que ao que tudo indica já nasceu fadado ao insucesso, pois como dito anteriormente, interesses econômico-financeiros de particulares querem ser tidos como mais importantes dos que os interesses da coletividade.

Soluções para a destinação do lixo, que não aquela pleiteada na licitação que agora se encontra suspensa, existem, sendo medida salutar que a Prefeitura adote outra visão em relação a este tema, pois se isso não ocorrer, é provável que o caos se instale quando da chegada do esgotamento do aterro do Caximba.

*João Paulo Maranhão é sócio-advogado do Escritório Katzwinkel & Advogados Associados

Artigo: Direito Ambiental

PRINÍCIOS DO DIREITO AMBIENTAL

*Sabrina Maria Fadel Becue

A evolução do direito ambiental acompanha a crescente preocupação humana com o ambiente à sua volta. Mas somente na década de 1920, com a massificação das relações sociais, foi reconhecida a existência de direitos metaindividuais, entre eles, o direito à vida saudável. A tutela ambiental está assentada nesta premissa: necessidade de criar e preservar um ambiente adequado para desenvolvimento pleno do homem e das gerações futuras.

Pautado pelo objetivo exposto, as legislações e as declarações internacionais trazem uma série de princípios definidores da tutela ambiental, entre eles os princípios da precaução; do desenvolvimento sustentável; do poluidor-pagador; e da participação e responsabilidade comum, mas diferenciada. O princípio da precaução impõe que, na presença de dúvida quanto à segurança de um produto e no emprego de uma técnica ou incertezas em relação à ocorrência de dano ambiental, o ato deve ser evitado. Esse princípio sofre ferrenhas críticas em razão da sua abstração conceitual e aplicação casuística, já que os parâmetros de cientificidade variam de acordo com as normas de cada país. Contudo, elas não devem ser levadas a sério, visto que as políticas ambientais trabalham sempre com a potencialidade de dano e conseguem, mesmo assim, transformar a incerteza em dados e ações concretas através, por exemplo, do Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

“Caminhando” lado a lado com o princípio da precaução, o princípio do desenvolvimento sustentável transmite a idéia de ação em longo prazo. A necessidade de tutelar a qualidade de vida das gerações futuras, manejando corretamente a escassez dos recursos naturais, veda práticas predatórias. Se por um lado a livre iniciativa e atividade de empresa são garantias constitucionais, por outro, o desenvolvimento tecnológico permite que as empresas subsistam e lucrem com a implementação de práticas limpas e com melhor aproveitamento dos recursos naturais. O princípio não pressupõe a ingenuidade do intérprete quanto aos danos gerados por toda atividade industrial. O risco é ínsito à sociedade contemporânea, mas é preciso achar um ponto de equilíbrio implantando técnicas alternativas e com a utilização racional dos meios naturais.

Já o princípio do poluidor-pagador imputa a todos que desenvolvem atividades impactantes ao meio ambiente uma responsabilização própria desse novo ramo do direito. O ordenamento transfere os custos com políticas de prevenção de danos, exige medidas de monitoramento da atividade e, configurada a lesão, impõe também a reparação. Atuando nessas três frentes ele consegue desmistificar a idéia de que a poluidor não será apenado se houver garantias quanto à capacidade de indenizar as vítimas: degradar o meio ambiente não é uma opção. O Estado visa a internalização dos custos causados pelas atividades poluidoras na estrutura de produção e consumo, em outras palavras, encarece as atividades danosas ao meio ambiente, primeiro porque o causador deve ser o maior responsabilizado pelos danos e, segundo, porque esse é um meio eficaz de prevenção e incentivo ao emprego de ‘técnicas limpas’.

Por fim, resta analisar o princípio da responsabilidade comum, mas diferida. Este princípio reconhece que, em primeiro lugar, os países desenvolvidos, além de possuírem mais recursos para investir na proteção ao ambiente, normalmente são os maiores responsáveis pelos danos gerados. Considera também as diferenças entre os ecossistemas do planeta. Todos devemos zelar pela preservação do meio ambiente, contudo, as frentes de atuações e os montantes de investimentos realizados se diversificam. O Fundo Multilateral, criado pelo Protocolo de Montreal, é a expressão mais saliente do princípio, pois concede ajuda financeira aos países em desenvolvimento, para que aperfeiçoem os produtos, de modo a não mais prejudicar a camada de ozônio. No âmbito interno, temos o Fundo Nacional de Meio Ambiente, instituído pela Lei 7.797/89, que prevê recursos públicos a serem manejados pela própria administração ou por entidades privadas sem fins lucrativos, sob supervisão da SEMA, para realização de projetos voltados às unidades de conservação, ao desenvolvimento tecnológico, ao controle ambiental, entre outros (art. 5º).

Todos esses princípios são extraídos da sistemática adotada pelas legislações voltadas à proteção ambiental e tentam compatibilizar a ação humana com a necessidade de se proteger a natureza que nos circunda. Justamente por guardarem uma visão holística do processo de desenvolvimento social e dos danos que eventualmente este venha a causar ao ambiente, trazem em seu bojo medidas eficazes, quando aplicadas, para racionalização dos recursos naturais em prol da qualidade de vida.


*Sabrina Maria Fadel Becue é membro do escritório Katzwinkel e Advogados Associados.