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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Na medida da sustentabilidade - Tecnologia e Sustentabilidade Edição 32

Avaliações realizadas por laboratórios competentes garantem processos produtivos eficazes e demonstram qualidade ao consumidor

Harmonia entre fatores econômicos, sociais e ambientais resume o objetivo das empresas que buscam a sustentabilidade corporativa, uma vez que as estratégias e os procedimentos necessários para que esse cenário se torne realidade devem ser definidos de acordo com o perfil de cada organização. O investimento em ensaios laboratoriais é uma dessas ferramentas capazes de garantir processos produtivos eficazes e de demonstrar qualidade ao consumidor, resultados que contribuem para o equilíbrio corporativo.

Segundo explica Celso Romero Kloss, Diretor Superintendente da Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios (Paraná Metrologia), os ensaios laboratoriais têm como objetivo quantificar ou qualificar determinada quantidade ou característica de um material ou produto final. “Com isso, é possível obter dados e informações para melhor trabalhar por meio de critérios objetivos em relação às questões relevantes e à manutenção das boas práticas da sustentabilidade, no âmbito econômico proporcionando melhorias nos processos, inovação dos produtos, desenvolvimento de novos processos, redução do uso de matéria-prima, ou seja, se a empresa busca qualidade e competitividade com sustentabilidade, é necessário medir para evoluir”, analisa.

Já em relação à interação homem e meio ambiente, a ótica central da realização dos exames laboratoriais em determinados setores ou empresas é a saúde da sociedade com foco no ser humano e a preservação do hábitat, com a correspondente proteção da fauna e da flora, conforme explica Kloss. “Nos dias atuais, os ensaios possibilitam quantificar a quantidade de determinada substância e a interação dos materiais em determinado meio ambiente. Com isso, é possível reduzir os possíveis impactos para a saúde humana e animal e os possíveis agentes prejudiciais ao solo, à água dos rios, aos mares e às lagoas e à vegetação terrestre e aquática e, principalmente, à qualidade do ar proporcionado meios para reduzir a emissão de gases de efeito estufa”, relata.

A Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios possui parcerias com várias instituições que realizam esse tipo de serviço, entre elas o Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Paraná (Senai-PR) entre outros laboratórios do estado. “Além de parcerias com instituições de grande relevância, a Rede busca trabalhar em conjunto com profissionais de diferentes áreas que procuram no tema sustentabilidade um meio para garantir o futuro das próximas gerações.

Rosangela Mitiyo Handa, Engenheira Química, Interlocutora para Serviços Metrológicos da Gerência de Serviços Tecnológicos e Inovação do SENAI PR conta que, consciente da importância da metrologia para o desenvolvimento e a competitividade da indústria, a entidade coloca à disposição das empresas industriais a Rede SENAI de Laboratórios de Metrologia, “a maior rede privada de laboratórios do país, com 208 laboratórios lotados nos 25 estados e no Distrito Federal e que oferecem serviços de calibração e ensaio em mais de 16 áreas tecnológicas”.

“Grande parte desses laboratórios é acreditada pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do INMETRO, organismo de avaliação da conformidade reconhecido pelo Governo Brasileiro, contando também com laboratórios credenciados pelo MAPA, assim como laboratórios habilitados pela ANVISA”, relata. No Paraná, o SENAI disponibiliza laboratórios de calibração de equipamentos e laboratórios de ensaios nas áreas de meio ambiente, construção civil, cerâmica vermelha, minerais não metálicos, celulose e papel, madeira e mobiliário, alimentos, tecnologia de informação e prototipagem, com futura ampliação para atender também as áreas de metal, mecânica e eletroquímica.

Para Celso Kloss, o atendimento às questões regulamentares e de qualidade inerente aos organismos acreditadores é o que comprova que um laboratório é confiável e eficaz. No Brasil, o organismo de acreditação de laboratórios é a CGCRE por meio da sua divisão denominada como Dicla. Ele explica que a acreditação de laboratórios é realizada segundo os requisitos de duas normas, sendo a norma ABNT NBR NM ISO 15189 aplicada para laboratórios de ensaios clínicos e a ABNT ISO/IEC 17025 para laboratórios de calibração e de ensaios de materiais e produtos. “A acreditação de acordo com essas normas não descaracteriza a necessidade de atendimentos a requisitos específicos de agências e outras instituições regulamentares, a exemplo da Anvisa e da Anatel que possuem requisitos específicos”, detalha o diretor.

Motivos

Maior confiabilidade nos seus produtos por meio de informações fidedignas advindas dos ensaios laboratoriais, atendimento das exigências regulamentares, necessidade de buscar novos mercados e demonstração do desempenho dos seus produtos para a sociedade são alguns dos principais motivos que costumam levar uma empresa a buscar serviços laboratoriais. “Já para os mercados que exigem a certificação compulsória dos produtos ou materiais, o trabalho com laboratórios acreditados é um requisito para certificação do produto e para manutenção dessa certificação”, destaca o diretor da Paraná Metrologia.

Obrigatoriedade e resultados

Para determinados mercados, há exigências particulares no âmbito regulamentar e de normatização com base na avaliação da conformidade e da legalidade. Fabricantes de equipamentos relacionados à metrologia legal têm por obrigação encaminhar os seus equipamentos para o Inmetro ou instituições designadas, cujo propósito é avaliar se atende aos regulamentos técnicos metrológicos para aprovação técnica de modelo.

Os fabricantes ou importadores de produtos passíveis de certificação compulsória devem passar obrigatoriamente por análise de um organismo de certificação de produto, que entre outras atividades está a prática da realização de ensaios. “Para o consumidor final, há uma percepção clara e objetiva (por meio de uma etiqueta visual) que o produto apresenta uma qualidade assegurada por uma instituição idônea e imparcial. E para as indústrias há maior confiabilidade no uso de materiais e produtos que apresentam históricos e documentos que informam dados que podem ser utilizados no processo fabril”, expõe Kloss.

Confiabilidade

Para demonstrar a confiabilidade metrológica dos serviços oferecidos, os laboratórios ambientais e de madeira e mobiliário do SENAI já são acreditados pela CGCRE, e contam com a consultoria da Rede Paranaense de Metrologia para uma implantação conjunta para os demais laboratórios de suas diversas áreas de atuação, da norma ISO ABNT 17.025:2005. “Salientamos, ainda, o papel importante da Rede Paranaense de Metrologia na qualificação do corpo técnico dos laboratórios do SENAI - PR no que se refere a temas relacionados à confiabilidade metrológica”, relata Rosangela.

Ainda com relação à confiabilidade da medição, Rosangela destaca a importância da participação dos laboratórios de ensaios e calibração em programas de ensaios de proficiência, “que se constitui em uma ferramenta reconhecida internacionalmente para demonstrar o desempenho técnico do laboratório e evidenciar a confiabilidade dos resultados obtidos”.

Tecnologias empregadas

O efeito estufa e a contaminação da água estão entre as principais preocupações por parte da sociedade em relação ao meio ambiente. Conforme explica Celso Kloss, as tecnologias utilizadas por laboratórios para realizar a medição de gases de efeito estufa são essencialmente realizadas no meio rodoviário em veículos e nas fábricas de transformação especificamente nas chaminés das indústrias.

Para o controle da qualidade da água várias técnicas e princípios de medição são utilizados, entre eles a cromatografia gasosa e líquida, espectrometria de massa, espectrofotometria de absorção e de emissão atômica, espectroscopia ultravioleta-visivel (UV-Vis), fluorimetria, entre outras, com as quais são quantificadas a contaminação com compostos orgânicos, metais e outras substâncias. Importante mencionar, ainda, as metodologias para avaliar a contaminação com micro-organismos patogênicos, em decorrência da grande importância da água como veículo transmissor de doenças.

SENAI PR

Segundo conta Rosangela Handa, a primeira iniciativa em serviços de ensaios da Rede SENAI -PR de laboratórios foi na área ambiental, ainda na década de 80, visando apoiar as indústrias que já tinham como objetivo o desenvolvimento sustentável, em função de ação voluntária ou por pressão legal ou comercial. “A cada dia que passa, o monitoramento e controle dos impactos ambientais causados pelos processos industriais torna-se cada vez mais importante, seja pelos prejuízos causados à imagem da empresa quando geram problemas socioambientais, seja pelo aumento da produtividade por meio do melhor aproveitamento dos recursos, redução do desperdício ou pela minimização dos custos com disposição e tratamento de resíduos”, analisa ela.

A engenheira conta que, no início das atividades dos laboratórios ambientais do SENAI -PR, os ensaios mais requeridos eram os de efluente, principalmente ensaios físico-químicos, alguns metais e alguns compostos orgânicos. Atualmente, a demanda ocorre tanto para efluentes quanto para resíduos sólidos, solos contaminados, águas subterrâneas, água potável e, notadamente, para emissões atmosféricas.

“Ao longo dos mais de 15 anos que estive à frente dos laboratórios ambientais do SENAI - PR, é inegável a percepção do aumento da consciência ambiental das indústrias e de suas procura por serviços metrológicos confiáveis, principalmente as empresas de médio e grande portes. Para as micro e pequenas empresas, considero fundamental o papel da Rede Paranaense de Metrologia na conscientização da importância do uso de adequadas ferramentas metrológicas, inclusive no que se refere a serviços de ensaios e calibração visando a sobrevivência nesse mercado cada vez mais competitivo”, avalia.

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Veja outros conteúdos dessa edição:


Matérias:

- Capa: Veículos elétricos: locomoção do futuro?
- Entrevista: Osório Trentini
- Visão Sustentável: Cativa Natureza – Expansão Orgânica
- Responsabilidade Social Corporativa: Lideranças Sustentáveis (Cpce Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial
- Desenvolvimento Local: Rede de crescimento (WTC)


Artigos:

- Artigo: Escassez ou abundânica? Eis a questão! (Jerônimo Mendes)
- Artigo: Voluntáriado: Desenvolvimento sustentável de pessoas e organizações (Rafael Giuliano)
- Artigo: Ultrapassando todos os limites (Clóvis Borges)
- Artigo: Reciclagem de vidro – Um mercado a descoberto (Hugo Weber Jr)

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Tecnologia e Sustentabilidade - Edição 31

Da técnica para a prática


Seminário da Rede Paraná Metrologia expõe metodologias e exemplos do cenário atual da sustentabilidade

Jornalista Bruna Robassa

Disseminar a temática sustentabilidade para seus associados e a comunidade em geral rotineiramente faz parte de trabalhos da Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios - Paraná Metrologia. Um seminário com a participação da ambientalista Marina Silva, promovido em dezembro de 2012, marcou essa nova proposta que faz parte da rede há pouco mais de um ano. O evento também contou com a participação de especialistas em metodologias para a aplicação e avaliação da sustentabilidade corporativa, assim como com a exposição de empresas que já adotam práticas e vendem produtos sustentáveis.

“Essa iniciativa da Rede Paraná Metrologia visa trazer para a comunidade paranaense a possibilidade de contatar lideranças e experts do tema sustentabilidade, possibilitando o acesso às boas práticas, cases de sucesso e conceitos atuais que, na continuidade, podem ser inseridos no dia a dia das empresas paranaenses, uma vez que esse tipo de evento normalmente ocorre no eixo Rio – São Paulo”, relata Celso Romero Kloss, diretor superintendente da Rede. Ele também destaca que o evento teve como principais parceiros o Instituto de Tecnologia do Paraná – Tecpar, da FESP e da Revista Geração Sustentável, “sem os quais o evento não seria viabilizado”, lembra.

Um dos organizadores do seminário e principal responsável pela vinda de Marina Silva a Curitiba para participar do evento, o professor, diretor e consultor da empresa de consultoria Civitas Responsabilidade Social e Sustentabilidade, Juvenal Correia Filho, alerta que o momento atual da sustentabilidade nos negócios pode ser distinguido em dois tipos de empresa. “Aquelas que seguem processos arcaicos e fadados ao insucesso e aquelas empresas atualizadas que investem numa gestão participativa e sustentável”, avalia.

Essas, segundo o consultor, e muitos dos seus stakeholders já estão entendendo que a única forma de progredir e garantir a longevidade nos negócios é fomentando a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva. “Temos clientes para os quais desenvolvemos as chamadas “’Rede de Valor”, que envolvem seu grupo de fornecedores, objetivando transferir e fomentar a importância de implantar a responsabilidade social empresarial para iniciarem sua caminhada pela sustentabilidade”, conta.

Impacto

Um dado que chama atenção do consultor quanto à medição de impacto que a sustentabilidade tem gerado nas empresas e no mundo é o número de signatários do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). “Finalizamos 2012 com mais de 5.200 organizações signatárias articuladas por 150 redes ao redor do mundo que aderiram voluntariamente ao Pacto Global pela Organização das Nações Unidas (ONU). Só por esse dado é possível perceber o impacto que a sustentabilidade está causando nos negócios”, avalia.

O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção refletida em dez princípios. Essa iniciativa conta com a participação de agências das Nações Unidas, empresas, sindicatos, organizações não governamentais e demais parceiros necessários para a construção de um mercado global mais inclusivo, igualitário e sustentável.

Insustentabilidades

O professor nomeia como insustentabilidades os desafios para a sustentabilidade corporativa e que formam uma equação complexa de se resolver. Essa equação, de acordo com ele, no entanto, só será resolvida quando todas as lideranças e organizações entenderem e sentirem como “um problema de todos”. “Destaco, assim, a insustentabilidade da atual distribuição de riqueza no mundo. O consumo afluente de pessoas usando mais do que realmente precisam. Os norte-americanos, por exemplo, preocupados com a obesidade gastam 30 vezes mais tentando emagrecer do que todo o orçamento das Nações Unidas para mitigar a inanição”, analisa. A insustentabilidade das estruturas sociais estabelecidas, que já estão chegando ao colapso devido ao crescimento populacional, a insustentabilidade da carga humana sobre a natureza que já apresenta como resultado a curva ascendente da demanda cruzando a curva descendente dos suprimentos, também são apontadas pelo consultor como desafios para que se avance nessa área.

Protagonismo

Para derrubar esses tipos de barreiras e até mesmo incentivar cada vez mais a sustentabilidade por meio da articulação de eventos e atividades voltadas ao tema, o protagonismo de instituições, como a Paraná Metrologia, é essencial. “Ser protagonista de uma nova economia é atitude reconhecidamente louvável. Esse é o papel que a Paraná Metrologia desempenha neste momento ao trazer o debate da sustentabilidade e registrá-lo com as palavras de Marina Silva e os outros palestrantes”, ressalta o consultor.

Além da palestra de Marina Silva, o seminário contou com a exposição de casos técnicos e práticos. Uma das apresentações foi feita pelo engenheiro Paulo Vodianitskaia, que falou sobre sucesso e sustentabilidade. Ele, que também é diretor de Estratégias Sustentáveis do Instituto Antakarana, entidade que representa a organização internacional de pesquisa e consultoria The Natural Step (TNS) no Brasil, proporcionou uma reflexão aos participantes com base em sua atuação na entidade. “Quais as condições para o sucesso? São as trazidas pelos cientistas que criaram a referência The Natural Step: cuidar de como tocamos, do quanto e do que retiramos da Terra, e do que emitimos; e cuidar das necessidades fundamentais dos seres vivos. Sucesso, que é a melhor tradução de ‘Sustentabilidade’”, relata.

Outra participação importante no seminário foi a do professor Cleuton Rodrigues Carrijo, com a palestra denominada Indicadores de Sustentabilidade: Matriz “Kaiños”. “Esta palavra no grego significa novo, no sentido de melhorado, elevado, de maior excelência a respeito do tema”, explica. Ainda segundo relata o professor, além das dimensões econômica, social e ambiental da sustentabilidade, a Matriz Kaiños incorpora também a dimensão cultural – “no sentido de que qualquer iniciativa empresarial dever ser ao mesmo tempo comportamentalmente transformadora, não basta tirar a pessoa da favela, é preciso tirar a favela, da pessoa – favorecendo escolhas de consumo mais conscientes, além da dimensão espacial – no sentido de que ela deve ser também ao mesmo tempo equilibradamente integradora, dentro de uma nova percepção de mundo, pois vivemos um momento de ruptura sem precedentes em toda a história da humanidade”, explica.

O palestrante ainda explica que o principal objetivo desta matriz, demonstrado na palestra, é resignificar o valor empresarial, ou seja, criar valor futuro sustentável a partir de uma tomada de conscientização mais profunda, “a partir do momento em que a empresa decide galgar degraus mais elevados de maturidade organizacional começando pela excelência operacional, passando pela gestão de clientes, pela inovação em produtos e serviços até chegar num grau de maturidade em que ela incorpora a sustentabilidade em seu DNA – nas pessoas, nos sistemas e nos processos...”, conta. Entre as reflexões proporcionadas pela apresentação, Carrijo lembra: “Pare e pense: qual o prazo de validade da sua empresa? E se ela deixasse de existir hoje, o que o mundo perderia, hein? Lembre-se: devemos SER a mudança que queremos VER. Para TER”, propõe.

Cobertura sustentável

A Solbravo S/A também foi uma das participantes do evento. Além de fabricar um produto que promove a sustentabilidade – telhas que captam a luz solar para produção de energia – faz parte da estratégia da empresa a promoção e difusão de conhecimento sobre a energia solar no Brasil. A apresentação da Solbravo teve como foco principal a grande oportunidade que é a implantação da indústria de energia solar no Brasil. “Primeiro pela grande abundância dessa fonte de energia em todo o território nacional. Por exemplo, o pior lugar no Brasil é melhor que o melhor lugar na Alemanha. Entretanto, a Alemanha já está próxima de atingir 3% de sua energia consumida vindo de fonte solar, enquanto, no Brasil, o valor é 0,006%”, relata Rodrigo Silvestre, diretor da empresa.

Alguns dos principais pontos de defesa da Solbravo quanto ao fortalecimento desse tipo de energia no Brasil estão relacionados com a oportunidade de criação de novos negócios e postos de trabalho em uma nova economia, além de, principalmente, promover uma mudança na visão de mundo dos consumidores. “É na atitude e nos hábitos de consumo das pessoas que reside o sucesso ou o fracasso da indústria de energia solar no Brasil. Isso é válido também para as outras tecnologias de baixo carbono, pois se os consumidores não estiverem dispostos a pagar mais dinheiro pelas soluções de maior valor agregado, então não haverá futuro para essas tecnologias”, analisa Silvestre.

Na prática

Atualmente, a Solbravo produz diversos modelos de telhas fotovoltaicas. Para o diretor da empresa, ao manufaturar esse tipo de produto, a Solbravo permite que as pessoas possam ir um passo além do discurso e começar a atuar sobre o problema. “Por exemplo, se quisermos sair dos atuais 0,006% da energia consumida no Brasil e chegarmos a 2% da energia, teremos que instalar 2.346.807.776 telhas (com base no consumo de energia em 2009). É pouco provável que isso possa ser feito por um único cliente ou mesmo pelo governo, mas poderia ser atingido facilmente se cada habitante instalasse apenas 12 telhas. É tudo uma questão de escolha e oportunidade. Nosso papel é construir as oportunidades e depois cabe ao consumidor essa escolha”, sugere o empresário.

Outro exemplo prático apresentado no seminário foi sobre a Embafort, empresa de embalagens industriais e sistemas construtivos em madeira. “Apresentamos aspectos relacionados à inovação e sustentabilidade na área de construção civil a seco, utilizando materiais fabricados à base de madeira de reflorestamento certificada”, conta Carla Rabelo Monich, coordenadora de Qualidade e Gestão Integrada. A Embafort desenvolve produtos, como embalagens automotivas, embalagens para exportação, engradados e peças especiais, destinados ao transporte seguro de produtos. Além de fornecer o produto, a empresa também oferece soluções sobre qual a melhor maneira de transportar cada mercadoria. Ainda segundo Carla, a empresa está buscando cada vez mais alinhamento com os quesitos de sustentabilidade. “Temos utilizado uma abordagem por ciclo de vida de produto, indo ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos e da ISO 14025 – rotulagem ambiental”, relata.



















O seminário

Formadores de opinião das mais variadas organizações participaram do seminário promovido pela Paraná Metrologia, em dezembro de 2012. “Contamos com um público bastante eclético, não só na faixa etária como na formação acadêmica. O feedback dos participantes ao final do evento foi muito positivo”, relata o consultor Juvenal Correia Filho.

Na ocasião, Marina Silva avaliou que a crise civilizatória que estamos vivendo é diferente de todas as outras ocorridas na história da humanidade, já que engloba todo o planeta. “Creio que a principal mensagem deixada pela ambientalista é que o desafio é muito maior e que a solução está na busca de um novo modelo, acabando com o modelo atual que é predatório e insustentável”, lembra. Esse novo modelo deverá buscar a sustentabilidade nas dimensões econômica, social, ambiental, cultural, estética, política e ética.

De acordo com Celso Romero Kloss, da Paraná Metrologia, a Rede compromete-se em repetir este ano uma nova edição do evento. “Ocasião em que novos líderes e especialistas terão participação ativa dentro do mesmo conceito de disponibilizar boas práticas, tecnologias e casos de sucesso da implementação da prática da sustentabilidade no ambiente empresarial”, destaca.

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Veja outros conteúdos dessa edição:



Matérias:

- Capa: O Desafio da destinação dos resíduos sólidos
- Entrevista: Marina Silva
- Visão Sustentável: Cativa Natureza promete beleza de forma sustentável
- Responsabilidade Social Corporativa: (Cpce Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial) Realização de 2012 e Projetos 2013
- Desenvolvimento Local: A sustentabilidade como inspiração (WTC)



Artigos:

- Artigo: O "Pibão" da Presidenta Dilma (Jerônimo Mendes)
- Artigo: O Marketing e o ciclo de vida sustentável de produto (Hugo Weber Jr)
- Artigo: Turismo Sustentável - Have you heard about it? (Rosimery de Fátima Oliveira)
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tecnologia e Sustentabilidade - Edição 30


Sustentabilidade Corporativa Estratégica

Metodologia de gestão de sustentabilidade desenvolvida pela organização internacional The Natural Step orienta empresas e comunidades no Brasil e no mundo

Jornalista Bruna Robassa

Empresas e entidades que pretendem alinhar seus objetivos com princípios de responsabilidade social e sustentabilidade algumas vezes não possuem a orientação correta para a execução das ações voltadas a esses propósitos. Compreender objetivamente o que é sustentabilidade para a empresa, onde a organização se encontra de acordo com essa definição e o que é preciso fazer para atingir seus objetivos são etapas que devem ser bem planejadas.

Primeira Organização Não Governamental (ONG) dedicada à sustentabilidade no mundo, à organização internacional de pesquisa e consultoria The Natural Step (TNS) trabalha com entidades públicas e privadas para gerar soluções, modelos e ferramentas desenhadas especialmente para assegurar o sucesso dos negócios e ao mesmo tempo acelerar a sustentabilidade global.

TNS no Brasil
Fundada em 1989, na Suécia, pelo oncologista Karl-Henrik Robèrt, a TNS conta com escritórios em 11 países, atuando em rede com diversos cientistas e consultores credenciados. A ONG obtém recursos de programas e projetos educacionais, de consultoria para organizações públicas e privadas, bem como por meio de doações. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Instituto Antakarana é a representante da TNS no Brasil desde 2003.  O instituto tem como missão prover educação para a sustentabilidade e oferecer serviços de assessoria, pesquisa e networking. Além de representar a TNS, o instituto é credenciado a representar mais três organizações internacionais, todas com foco na educação, meio ambiente, sustentabilidade e liderança. No Brasil, empresas como Promon Engenharia e Whirlpool já aplicaram a metodologia.

Diretor de Estratégias Sustentáveis do Instituto Antakarana, o engenheiro Paulo Vodianitskaia teve seu primeiro contato com a TNS em 2004, quando implantou o programa na multinacional onde trabalhava.  Hoje ele é responsável por programas educacionais e de assessoria para a implantação de estratégias, iniciativas e produtos relacionados à sustentabilidade e também por promover a geração de conhecimento sobre o assunto no Brasil.

Quatro princípios

Evitar o aumento sistemático da retirada de materiais da crosta terrestre, das emissões de substâncias produzidas pelo homem e da destruição física da superfície do planeta, além de não minar a capacidade de as pessoas satisfazerem as suas necessidades fundamentais (tais como descritas pelo economista e ecologista chileno, Manfred Max-Neef), são os quatro princípios de uma sociedade sustentável estabelecidos pelo fundador da TNS em conjunto com um grupo de cientistas.

De acordo com Vodianitskaia, a missão da TNS Brasil é promover a efetiva aplicação da sustentabilidade para o sucesso dos negócios e a prosperidade do país. “A metodologia é universal, sendo aplicada internacionalmente por empresas como Philips, Nike e Interface”, conta o diretor. Ainda segundo ele, a ONG defende que, antes de implantar indicadores de sustentabilidade em uma organização, “é necessário desenvolver um entendimento compartilhado sobre o que é sustentabilidade, mensurar onde a empresa se encontra em relação a essa definição e, em seguida, criar uma visão direcionadora de sucesso futuro sustentável. Ao definir essa direção estratégica, pode-se, então, escolher ações e indicadores adequados”, explica.

Para o diretor, as organizações que não têm a base metodológica The Natural Step buscam definir indicadores sem ter desenvolvido a base estratégica para que eles efetivamente façam sentido para o negócio. Ao adotarem o modelo TNS de sustentabilidade, as empresas passam por avaliação e treinamento baseados em uma metodologia que consiste em avaliação de sustentabilidade no ciclo de vida de produtos, avaliação da sustentabilidade do negócio e programa integrado de educação e planejamento para a sustentabilidade.

Avaliação de sustentabilidade no ciclo de vida de produtos

Para o TNS, avaliar a sustentabilidade de um produto ou serviço ao longo do seu ciclo de vida significa capacitar a equipe de projeto de produtos de uma empresa para que entenda os conceitos fundamentais de sustentabilidade. “Nessa avaliação, a equipe também é orientada a medir de forma abrangente e objetiva os impactos positivos e negativos dos seus produtos para a sustentabilidade, comparar esses impactos considerando produtos do seu portfólio e da concorrência, tornar visíveis oportunidades de inovação para credenciar seus produtos como mais sustentáveis e avaliar periodicamente a evolução dos produtos avaliados em relação à sustentabilidade, o que inclui a declaração de uma criteriosa verificação de relatórios, com a chancela internacionalmente reconhecida do TNS”, explica o diretor do Instituto Antakarana.

Avaliação da sustentabilidade do negócio

Tanto uma pequena quanto uma grande empresa, assim como a administração de um município ou outra organização pública podem se tornar habilitadas para avaliar a sustentabilidade atual de um negócio de acordo com a metodologia TNS. Essa avaliação consiste em capacitar funcionários da organização para que compreendam os conceitos fundamentais de sustentabilidade aplicados ao negócio. A equipe que passa por esse treinamento também fica habilitada a medir de forma abrangente e objetiva o grau de preparação do seu negócio para a sustentabilidade. 

Programa integrado de educação e planejamento para a sustentabilidade

A metodologia TNS engloba também o desenvolvimento de uma série de cursos de capacitação que visam ajudar as pessoas em empresas e comunidades a entenderem a sustentabilidade em seus três aspectos: econômico, social e ambiental. “Nossos cursos são projetados usando uma abordagem que facilita a aprendizagem baseada no diálogo. A parte expositiva é tão curta quanto possível, além de eficaz. O método TNS oferece às pessoas muitas oportunidades de aplicar imediatamente o que aprenderam”, conclui.

Investimento

O investimento para que empresas e organizações tenham acesso aos produtos e serviços oferecidos pela entidade são proporcionais ao tempo necessário para implementar a estratégia que melhor se adapte às necessidades de cada instituição ou empresa. “Após uma reunião inicial, na qual buscamos entender as necessidades e as práticas sustentáveis já adotadas, o TNS oferece uma proposta criteriosa e detalhada”, explica Vodianitskaia.

Outras entidades ligadas ao Instituto Antanakara

Além de representar a TNS, o instituto Antakarana representa também o Institute of Noetic Sciences (IONS), a World Business Academy (WBA) e The Club of Budapest International. Fundada em 1973, a IONS tem o propósito de expandir conhecimentos adjacentes à natureza e ao potencial da mente humana, contribuindo para expansão de consciência e mudanças de valores e visões do mundo, tornando-o mais justo, compassivo e sustentável.

Fundada em 1987, a WBA envolve a comunidade empresarial numa melhor compreensão e prática do novo papel dos negócios, como agente de transformação social. A entidade defende que, à medida que as empresas se tornaram a instituição dominante do planeta, devem assumir a responsabilidade pelo todo, resgatando o espírito humano nos negócios e construindo uma sociedade sustentável.

The Club of Budapest International, fundada em 1993, é uma organização de líderes internacionais, educadores, artistas e humanistas, globalmente influentes e localmente ativos, cujas atividades norteiam os ajustes necessários aos desafios ecológicos, educacionais e ambientais do  século XXI.

Apoio do Rei

Os princípios de uma sociedade sustentável, propostos por Karl-Henrik Robèrt, fundador da TNS, em conjunto com um grupo de cientistas, foram compilados em um kit de informações. O Rei da Suécia, por sua vez, patrocinou a conscientização em larga escala com o envio dos kits para todas as residências do país. Até hoje o Rei participa pessoalmente das reuniões da entidade, além de liderar um movimento acadêmico para a sustentabilidade estratégica.

Seminário de Sustentabilidade Paraná Metrologia

Além de acessar o site http://www.thenaturalstep.org/pt-br/brazil, quem desejar conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido pela TNS-Brasil Instituto Antakarana pode se programar para participar do Seminário de Sustentabilidade que será promovido pela Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios — Paraná Metrologia - no dia 6 de dezembro. Paulo Vodianitskaia será um dos palestrantes do evento. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (41) 3271-7567.

Sobre a Paraná Metrologia

A Paraná Metrologia criou em abril de 2011 um comitê de sustentabilidade que tem o objetivo de difundir ideias sustentáveis no estado. De acordo com Rômulo Viel, coordenador do comitê, a promoção desse seminário faz parte das atividades da nova comissão. Apesar da atuação recente na área de sustentabilidade, a Paraná Metrologia possui vasta e consolidada experiência na difusão da cultura metrológica no Paraná. Trata-se de uma rede que congrega diversas entidades de ensino, pesquisa, tecnologia e laboratórios de maneira associativa, visando promover a infraestrutura tecnológica e de apoio às empresas instaladas no Paraná. Mais informações: http://www.paranametrologia.org.br/site/home/