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segunda-feira, 3 de junho de 2013

ARTIGO - SE NÃO HÁ MEIO AMBIENTE, NÃO HÁ ECONOMIA

Marcus Eduardo de Oliveira

No caminho da prosperidade, as economias modernas devastaram boa parte dos recursos naturais. Em nome do crescimento econômico, a atividade industrial dilapidou os serviços ecossistêmicos (responsáveis pela manutenção da biodiversidade), desfigurando a natureza em várias frentes. Indiscutivelmente, mudanças climáticas foram – e estão sendo – provocadas pelo “homem-econômico”. O objetivo? Fazer a economia crescer exponencialmente produzindo em excesso para atender o consumo exagerado. O resultado? O ambiente ameaçado pelo consumo excessivo. A consequência? Depleção ambiental.

Inequivocamente, produção econômica implica destruição e degradação do meio ambiente. Por si só, isso já é o bastante para orientar à tomada de decisão rumo à elaboração de um novo paradigma econômico voltado às ordens ecológicas; não às mercadológicas.

Se não mudarmos o atual paradigma econômico é a própria economia que cada vez mais se joga no abismo da destruição, tendo em vista que, como bem lembrou Lester Brown, “a economia depende do meio ambiente. Se não há meio ambiente, se tudo está destruído, não há economia”.

Nessa mesma linha de análise, Clóvis Cavalcanti nos diz que “não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)”. “Sem recuperar o meio ambiente, não se salva a economia; sem recuperar a economia, não se salva o meio ambiente”, contextualizou o ecologista norte-americano Berry Commoner (1917-2012).

Embora em seus modelos convencionais a economia tradicional faça questão de não contemplar a moldura ou restrições ambientais, pois a visão predominante do sistema econômico como um todo enaltece loas ao fluxo circular da riqueza, imaginando, com isso, uma economia como sendo um sistema isolado, como se fosse um corpo humano dotado apenas do aparelho circulatório, não há como negar o enorme grau de dependência da economia em relação ao ecossistema natural finito (meio ambiente), uma vez que a natureza fundamental da economia é extrair, produzir e consumir.

É intensa a relação da economia (atividade industrial) com o meio ambiente. Não se pode perder de vista que o sistema econômico é um sistema aberto que troca energia com o ambiente. Nessa troca, recebe energia nobre (limpa) e a devolve de forma degradada (suja).

Portanto, metaforicamente, se a economia é um corpo humano, o aparelho digestivo está aí contemplado, uma vez que recebe da natureza matéria e energia e devolve lixo, dejetos. Reafirmando essa ideia, convém resgatar uma passagem de Nicholas Georgescu-Rogen (1906-94): “o sistema econômico consome natureza – matéria e energia de baixa entropia – e fornece lixo – matéria e energia de alta entropia – de volta a natureza”.

Diante disso, é de fundamental importância subordinar o crescimento aos limites ecossistêmicos, uma vez que crescer além do “normal” é altamente prejudicial ao meio ambiente.

Por isso, o novo paradigma econômico precisa convergir com a ecologia, uma vez que dependemos dessa para nossa própria sobrevivência. O desafio é ímpar: produzir mais (bem-estar) com menos (recursos naturais). Produzir mais qualidade (desenvolvimento), e não quantidade (crescimento).

Decorre daí a máxima de que somos, pois, dependentes do meio ambiente, contrariando assim o discurso de René Descartes (1596-1650) de que “somos senhores e dominadores da natureza”. Por essa ideia do filósofo francês, a economia dilapidadora dos recursos naturais, manejada pelo “homem-econômico”, estaria agindo de forma correta em propagar destruição, poluição e degradação ambiental, uma vez que para gerar riqueza gera-se antes destruição natural.

O futuro da vida – e especialmente, da vida humana – na Terra, dependerá do rumo que se der hoje à economia. Se nosso objetivo maior for pela continuidade da vida de nossa espécie devemos seguir o receituário propugnado por Georgescu-Rogen: “(...) um dia a humanidade terá de compatibilizar desenvolvimento com retração econômica”. Caso contrário, pereceremos.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista, especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP).


segunda-feira, 4 de março de 2013

Artigo Gestão Sustentável - Edição 31

O “PIBÃO” DA PRESIDENTE DILMA

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, Brasília, em dezembro, a Presidente Dilma Rousseff afirmou querer um “pibão grandão” para o Brasil em 2013, depois de o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar uma projeção de crescimento pífio, em torno de 1% em 2012.

A expectativa de um crescimento de 4% para o PIB em 2013 foi manifestada no mesmo dia em que o Banco Central reduziu, pela quarta vez no decorrer do ano, a projeção de crescimento, de 1,6% para 1%, apesar de o Ministro ter anunciado uma projeção otimista de 4,5% no início do ano.

Ao se confirmar o prognóstico do Banco Central, a Presidente Dilma encerra 2012 com um “pibinho” acumulado de 1,8% desde que assumiu a presidência, mesmo tendo alcançado um índice de popularidade de 77%, segundo pesquisa do IBOPE, bem superior aos índices alcançados por seus antecessores, Lula e Fernando Henrique Cardoso, com 58% e 56%, respectivamente.

Na tentativa de garantir os 4% de crescimento para 2013, o Executivo recorre mais uma vez à sua receita preferida, um pacote de incentivos com desonerações na ordem de R$ 6,8 bilhões, o qual, até o momento, tem se mostrado ineficaz, a exemplo do alardeados PAC-1 e PAC-2.

Com as sucessivas prorrogações do IPI para incentivar o consumo de bens duráveis, a extensão da desoneração da folha de pagamento para o governo varejista e a prometida redução na tarifa de energia elétrica, o Governo deixará de arrecadar mais de R$ 40 bilhões em 2013.

Aliado a isso, o Ministro da Fazenda anunciou para breve a simplificação do PIS/Cofins e a reforma do ICMS, a fim de colocar em discussão a guerra fiscal entre unidades da Federação com o nivelamento gradativo das alíquotas interestaduais, até chegar a 4% em 2025.

Em troca, o Governo Federal se propõe a reduzir os juros das dívidas dos Estados e a formar um fundo para compensar os Estados que tiverem perdas, entretanto, a transição de doze anos é longa demais, um indicador da dificuldade política de mudar o status quo entre os governos estaduais.

Há também o plano de investimentos em aeroportos anunciado na ordem de 7,3 bilhões de reais, que inclui investimentos na aviação regional, além da concessão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a qual exigirá investimentos na ordem de 11,4 bilhões de reais. É esperar para ver, e torcer.

Em termos práticos, na falta de uma estratégia mais adequada aos interesses do setor privado, o qual, de fato, movimenta o país, há dúvidas quanto ao fôlego e à eficácia das medidas anunciadas para mudar o padrão de crescimento pretendido em vez de apenas impulsioná-lo, temporariamente.

Ainda que os juros mais baixos, mantidos sob estreita vigilância do Banco Central, auxiliem no incentivo aos investimentos e na redução do risco empresarial, as restrições continuam. Uma delas é o fato de que o Governo depende do setor privado para alcançar a meta de investimentos, embora seja difícil admitir o fato.

A mais preocupante de todas é a inflação, esse fantasma que insiste em se posicionar acima de 5% e pode subir ainda mais, em caso de desaceleração do PIB, em 2013. Então, temos algo do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Não há milagre nisso.

Na prática, queremos crescer mais, o que significa consumir mais e competir por recursos mais escassos sem os investimentos necessários para o crescimento sustentado. A baixa capacidade de investimentos exerce forte impacto no resultado da economia. Consequência: PIB baixo, pressão inflacionária.

A expectativa do Banco Central para o PIB em 2013 gira em torno de 3,3%, ligeiramente inferior à expectativa do Ministro Guido Mantega, o qual vem desgastando a própria imagem em decorrência das sucessivas reduções de expectativa do crescimento anunciadas.

Dia desses, ouvi dizer que o pessimista é um otimista bem informado, portanto, nesse caso, prefiro ser realista. Um “pibão grandão”, como almeja a Presidente Dilma, requer muito mais do que pacotes estimulados temporariamente para provocar a alegria do consumidor desinformado.

“Pibão Grandão” requer medidas consistentes e duradouras que vão além do seu mandato e que demonstrem a seriedade de um país que ainda luta para se livrar da pecha de emergente. Esse é o desejo não somente da classe política, mas da classe econômica e da classe empresarial, além de ser uma necessidade permanente da classe trabalhadora.

Jerônimo Mendes

Administrador, Coach Empreendedor, Escritor e Palestrante
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE








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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:
- Capa: O Desafio da destinação dos resíduos sólidos
- Entrevista: Marina Silva
- Visão Sustentável: Cativa Natureza promote beleza de forma sustentável
- Tecnologia e Sustentabilidade: Parana Metrologia - Da teoria para a prática
- Responsabilidade Social Corporativa: (Cpce Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial) Realização de 2012 e Projetos 2013
- Desenvolvimento Local: A sustentabilidade como inspiração (WTC)
Artigos:
- Artigo: O Marketing e o ciclo de vida sustentável de produto (Hugo Weber Jr)
- Artigo: Turismo Sustentável - Have you heard about it? (Rosimery de Fátima Oliveira)

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

SUBSÍDIOS DO GOVERNO BRASILEIRO: UM LADO BOM


Após a crise de 2008, uma nova onda protecionista das economias de países e blocos, aos poucos, instalou-se em, praticamente, todos os países. Isso é normal, pois a economia de mercado, assim como a vida, segundo Lulu Santos e Nelson Motta, vem em ondas: tem momentos em que é preciso proteger e tem hora em que é necessário atacar. Temos visto governos socorrerem instituições financeiras, empecilhos sendo criados para importações, um crescente aumento da xenofobia, aumentos de IOFs no Brasil e até estatizações de companhias sul-americanas que haviam sido privatizadas em períodos anteriores, quando a onda era de internacionalização da economia.

No Brasil não tem sido diferente. São seguidas as reduções e até mesmo as isenções de impostos, principalmente IPIs e, recentemente, as chamadas desonerações de folhas de pagamento das empresas. Um detalhe: para os mais diversos setores, do automobilístico ao de materiais de construção, passando pelos setores de couro e têxtil, dentre muitos outros.

Pode-se entender como louvável – e talvez as sejam – as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo brasileiro, desde o início dessa recente onda de crescimento do Brasil. Em primeiro lugar porque não deixa de ser um reconhecimento do próprio governo da sua incompetência para promover as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, há anos, mais que necessárias. Depois, porque a produção industrial brasileira ganha migalhas de competitividade, prolongando a atual onda de otimismo e crescimento da economia brasileira.

O LADO PERVERSO DOS SUBSÍDIOS

O que, entretanto, está por trás de tantos “auxílios e incentivos” do governo? Porque foi preciso criar bolsas escola, alimentação, gás, etc.? Detalhe: eram tantas que o governo precisou criar uma nova – bolsa família - para unificá-las, pois já perdia o controle dos benefícios. Porque ainda precisamos criar artifícios imediatistas e paliativos para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento social do nosso país?

Seguramente para essas poucas perguntas teremos uma gama enorme de respostas. Sabe-se, também, que as diferenças socioeconômicas entre as regiões sul e sudeste e as do norte e nordeste são evidentes. Isto fica claro nos estudos de IDH do PNUD. Tais discrepâncias tornam necessária a criação de políticas que visem reduzir essas distâncias. Mas com doação de bolsas e subsídios estamos de fato promovendo o equilíbrio? Com certeza, não. Diz o ditado popular que enquanto houver cavalo São Jorge não anda à pé.

Nossa pouca competitividade é reflexo de nosso alto custo de produção, seja por obsolescência do parque fabril, seja por falta de infra-estrutura, ou ainda pela elevada carga de impostos sem contrapartida que o brasileiro é obrigado a pagar.

Existe, porém, um aspecto perverso que, a um olhar mais próximo, nos distancia muito dos países que já tiveram em situações até piores que o nosso, como Japão ou Coréia: o descaso com a educação, principalmente, a tecnológica. A recente onda de importação de mão-de-obra para ocupações de cargos em áreas de tecnologia avançada em empresas brasileiras é uma prova inconteste da falta de seriedade com a educação. Será que alguém acredita que o programa Bolsa Família contribui dos brasileiros? Particularmente, vejo que mais mascara o problema do que o enfrenta.

Parece que medidas de subsídios governamentais são como aquele desenho animado em que uma formiga briga ferozmente com a outra, enquanto o elefante, ao fundo, passa vagarosamente.

Ivan de Melo Dutra


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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:

Tecnologia e Sustentabilidade: Energia solar: um sonho de consumo

Visão Sustentável: Software de gestão corporativa promove autossustentabilidade para empresas

Responsabilidade Social Corportativa: Responsabilidade empresarial com futuro

Desenvolvimento Local: A Sustentabilidade como profissão


Artigos:

Marcio Zarpelon: Sustentabilidade na Cosntrução Civil

Jeronimo Mendes: Aprendendo com a crise
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