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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Entrevista Edição 29 - Claudia Malschitzky (Instituto HSBC)


Claudia Malschitzky, superintendente executiva de Sustentabilidade e diretora executiva do Instituto HSBC Solidariedade, fala dos colaboradores do banco, do apoio da ONU e do Natal no Palácio Avenida, em Curitiba

Há 15 anos no grupo HSBC, Claudia Malschitzky não imaginava que sua carreira seguiria caminhos tão diversos, assim como sua vida: filha de um funcionário da ONU, Organização das Nações Unidas, quando criança, morou em países ricos e pobres, como Itália, Gana e Madagascar, o que lhe deu muita bagagem cultural e a fluência em diversos idiomas.

Essa fluência garantiu à Claudia, graduada em Jornalismo com MBA em Marketing e pós-graduação em Recursos Humanos e Gestão Empresarial, o convite para assessorar o então presidente do grupo que acabava de chegar ao Brasil, Michael Geoghegan, na difícil tarefa de se comunicar com as diversas governanças e áreas da empresa. Graças não somente à facilidade em falar várias línguas, mas em se relacionar com os vários níveis hierárquicos da empresa, Claudia ocupou essa posição durante 5 anos em que Geoghegan comandou as operações do HSBC no Brasil. Depois passou pelas equipes de Marketing e Varejo do banco. Ela lembra que uma das coisas que mais impressionaram o presidente e a esposa assim que chegaram ao Brasil foi o Natal do Palácio Avenida, projeto que o casal logo quis saber do seu caráter social e, solicitaram que fosse desenvolvido, sem modificar o espírito inicial.

Fazendo a interface entre o casal e os responsáveis pelo projeto, Claudia teve contato com o primeiro projeto oficial do HSBC para a comunidade, nascido do Natal do Palácio Avenida, que progride até hoje: o HSBC Educação. Foi o primeiro passo que levou Claudia a ser superintendente executiva de Sustentabilidade e diretora executiva do Instituto HSBC Solidariedade, com sede em Curitiba, no Paraná. Ela afirma que o Instituto pertence aos 23 mil funcionários do grupo HSBC no Brasil, e não somente a sua equipe de especialistas, e ressalta o status associativo do Departamento de Informações Públicas da ONU.


O que significa, para o Instituto HSBC de Solidariedade, o status associativo da ONU?

ONGs filiadas à ONU há milhares. Corporativas, não. O Instituto HSBC Solidariedade foi a primeira a ser credenciada no mundo. A ONU define a agenda mundial e esse reconhecimento nos traz, com a responsabilidade, informações preciosas para focarmos ainda mais nossa atuação.

As Nações Unidas estavam buscando uma aproximação com o segundo setor porque perceberam a importância dele e, quando nos contataram através do Instituto Humanitare (organização que tem como objetivo aproximar a sociedade civil das Nações Unidas), precisavam de uma primeira empresa global para esse início de aproximação. Uma quebra de paradigma.

Depois de seis meses de um processo de credenciamento bastante rigoroso, praticamente uma auditoria, fomos aprovados.

O convite veio em um momento em que estávamos procurando uma forma de trazer para o Instituto HSBC Solidariedade a mesma credibilidade e o mesmo reconhecimento público e internacional, merecidos, de outras instituições semelhantes. O maior ganho desse status associativo, entretanto, foi a reação do nosso colaborador, de orgulho pela conquista. Recebemos dezenas de felicitações parabenizando a equipe do Instituto.


Como é o relacionamento do Instituto com os colaboradores do HSBC?

O engajamento do nosso colaborador é grande parte do sucesso do Instituto. Desenvolvemos estratégias de engajamento, investimos em formação, escolhemos muito bem nossos parceiros e sempre trabalhamos com ONGs muito sérias. O legado que quero deixar é esse e brinco, dizendo que preciso me aposentar, mas só posso fazer isso quando os 23 mil colaboradores, no Brasil, sentirem-se donos do Instituto.

Acredito também que essa integração é facilitada pelas estratégias do próprio HSBC, pelo seu jeito de ser que está nos valores do grupo: sermos confiáveis e fazendo a coisa certa, sermos abertos a diferentes culturas e conectados a clientes, comunidades, órgãos reguladores e uns aos outros. Nosso maior desafio é mostrar para nosso colaborador que, para trabalhar no HSBC, você não tem que ser simplesmente um bom funcionário, você também tem que ser ético e ter princípios de sustentabilidade.

Temos ainda alguns mecanismos práticos para motivar o colaborador. Por exemplo, dentro do BSC (Balance Score Card), uma metodologia de estratégia, estabelecemos um índice mínimo de voluntariado para a organização. Esse desafio foi firmada porque, olhando para ela, os outros colaboradores se sentiriam incentivados e motivados, transformando o voluntariado de algo apenas legal, a algo que precisa ser considerado. Assim, colaboradores de todas as áreas começaram a pensar em como se conectar. Hoje, o Instituto fala alto ao colaborador, que aprecia muito fazer parte dessa instituição que humaniza o banco.


O Instituto consegue traduzir para seus stakeholders como o HSBC une lucro e sustentabilidade sem conflito?

Sim, nossos stakeholders começaram a entender que o trabalho do Instituto não é importante somente porque está beneficiando mais de 190 mil pessoas, mas também porque significa a solidez de todo o grupo, de seus relacionamentos e o comprometimento de estar presente nas comunidades onde o HSBC atua. Uma das principais mensagens que recebemos da nossa matriz, na Inglaterra, é que a meta do HSBC é negócios e relacionamento com o cliente em longo prazo. A empresa que não desenvolve um trabalho que a aproxima das comunidades no país em que está, não mostra que está contribuindo para o desenvolvimento daquele país, não conseguirá desenvolver ali um trabalho em longo prazo. O trabalho do Instituto HSBC Solidariedade realmente vem contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e isso nos aproxima da comunidade, o país quer que fiquemos. E, se o país quer que você fique, você ganha o olhar positivo do cliente.

No Brasil, o cliente não costuma comprar o produto de um banco somente porque é verde ou social, ele não vai pagar mais por isso. Mas vai deixar, sim, de operar com o banco que não tiver um comportamento condizente com as necessidades ambientais e sociais. Todos os bancos desenvolvem produtos chamados sustentáveis, verdes, etc., mas, pela minha experiência, os clientes estão mais interessados em linhas de crédito que sejam competitivas dentro do mercado. Entretanto, junto com esses produtos, querem que o banco tenha um comportamento diferenciado. Nossos clientes são exigentes - e devem ser - e, no final do dia, podem fazer as contas e verificar com quanto contribuíram. Aliás, devemos ter isso sempre em mente até para sabermos que serviços e produtos vamos ofertar, de que maneira e em que momento. No HSBC, não queremos somente produtos verdes, mas que nossos produtos atendam a critérios, que entendemos mínimos, de sustentabilidade. Estamos trabalhando para que a sustentabilidade esteja integrada na essência dos negócios.


Como está atualmente o voluntariado entre os colaboradores do HSBC?

Nosso trabalho de voluntariado funciona muito bem porque nele investimos tempo, equipe e orçamento. Temos 17 comitês de voluntários espalhados pelo país, que se formam de maneira independente e são coordenados por uma pessoa da equipe do Instituto, dentro de um programa em que diversas possibilidades são ofertadas ao voluntário, de acordo com seu perfil e disponibilidade.

Não há nenhum projeto financiado pelo HSBC que não tenha um colaborador responsável, que chamamos de padrinho ou madrinha. Em sua regional, em sua cidade, é ele quem define o relacionamento que o HSBC vai ter com a comunidade. São treinados sobre o que é ser um líder social e um padrinho de projeto do HSBC.

Selecionamos projetos em todas as 46 regionais do HSBC no Brasil porque queremos que o Instituto esteja presente onde o HSBC está. Temos muitos depoimentos de colaboradores que passam pelo treinamento de que isso mudou sua vida, mudou seus princípios, seus valores. Eles percebem que a empresa propicia a eles oportunidades de se desenvolverem não somente como profissionais, mas como pessoas e como agentes de mudança positiva na comunidade.


Que importância você dá ao Natal do Palácio Avenida?

O Natal do Palácio Avenida é muito maior do que o Espetáculo de Natal. Começa no dia 1º de janeiro e vai até 31 de dezembro. Por trás do show está o projeto HSBC Educação com crianças institucionalizadas, que não moram com pai e mãe biológicos por motivos legais e vivem em casas lares e abrigos. Trabalhamos com elas o ano inteiro. O Natal é o momento de celebração.

Esse projeto, consistente e forte, é o único totalmente desenvolvido pelo Instituto. É dividido em faixas etárias e o atendimento, feito no contraturno da escola e dentro do que detectamos serem as necessidades, vai desde estimulação precoce para crianças de colo até preparação para o mercado de trabalho do jovem aprendiz. Por meio de ONGs parceiras, há pessoas e projetos que trabalham o psicoemocional das crianças, reforço escolar, leitura, etc.

Nossos colaboradores se envolvem no projeto quando vão participar conosco nos dias de espetáculo porque, atrás de cada criança, nas janelas, fica um colaborador, que chamamos de anjo, para cuidar dela. Apesar de a criança estar com todo o equipamento de segurança, o anjo fica lá para dar todo o apoio necessário. Já tivemos dois casos de anjos que adotaram a criança.

Jornalista: Letícia Ferreira

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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:

Capa: Instituto HSBC Solidariedade - Sintonia com demandas socioambientais e econômicas do Brasil
Tecnologia e Sustentabilidade: Proteção e segurança para o consumidor
Visão Sustentável:
Responsabilidade Social Corportativa: Lançado programa empresarial em que funcionários podem desabafar e buscar o autodesenvolvimento
Desenvolvimento Local: Conscientização empresarial e compromisso com o futuro do planeta

Artigos:

Gastão Octávio Franco da Luz: Resquícios de sustentabilidade. Um registro de viagem
Giuliano Moretti: Da ego à Ecossustentabilidade: O caminho da percepção
Jeronimo Mendes: Empreendedor ou Empregado: Umdesafio interior

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Entrevista com Elisa Prado da Tetra Pak

Entrevista publicada originalmente na edição 26 da revista Geração Sustentável

Longa vida com sustentabilidade

Elisa Prado é formada em Comunicação Social pela PUC-Campinas e pós-graduada em Marketing pela ESPM de São Paulo. Possui mais de 20 anos de experiência na área de Comunicação Corporativa, adquirida em agências de Relações Públicas e empresas nacionais e multinacionais. Hoje atua como diretora de Comunicação da Tetra Pak, liderando equipes localizadas nos países da América Central e Latina. Anteriormente trabalhou por quatro anos na Vivo, empresa líder em telefonia móvel, na qual comandou o departamento de Comunicação Institucional. Nesta entrevista, com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL, Elisa abordou temas relacionados à gestão corporativa, ao consumo consciente e à reciclagem.


A Tetra Pak atualmente é conhecida como uma organização que desenvolve inúmeros projetos socioambientais, como é feito o processo de comunicação para os públicos interno e externo?

Na Tetra Pak, priorizamos a comunicação com transparência e acreditamos no valor desse trabalho como uma ferramenta estratégica no relacionamento com os nossos públicos. Assim, temos a obrigação de conscientizar os consumidores sobre a importância do equilíbrio entre os três pilares sustentáveis: Econômico, Social e Ambiental. Por isso, investimos intensamente na comunicação das nossas ações, atitudes e postura para todos os stakeholders, respeitando e adaptando os meios e mensagens de cada um deles. Procuramos disponibilizar o maior número possível de informações para os diversos públicos por meio dos diferentes canais como site, revistas, relatório de sustentabilidade, newsletters, além do atendimento direto à demanda dos jornalistas, por meio de nossos porta-vozes.


Quais são os principais projetos desenvolvidos no Estado do Paraná?

Desde 2002, a Tetra Pak, além de ações de apoio a prefeituras e cooperativas, realiza um trabalho de campo para fomentar a cadeia de reciclagem de suas embalagens. Para isso, conta com o apoio de uma equipe de colaboradores externos que atuam em diversas regiões do País. O trabalho desses prestadores de serviço é bastante amplo. Eles realizam a prospecção de iniciativas de coleta seletiva com catadores, cooperativas, comércios, escolas, igrejas e outras instituições, levando informações sobre a importância da coleta e da reciclagem das embalagens longa vida pós-consumo. Quando as iniciativas não estão bem estruturadas, eles oferecem orientação para que se organizem da melhor forma possível. Atuam também junto às prefeituras para conscientizá-las da importância da reciclagem e incentivá-las a implantar a coleta seletiva formal em seus municípios. Para isso, disponibilizam folhetos desenvolvidos e impressos pela Tetra Pak com explicações simples e claras sobre reciclagem, para serem distribuídos à população. Entre 2008 e 2009, foram produzidos 5 milhões de folhetos destinados a essas iniciativas. Para as cidades com população igual ou superior a 100 mil habitantes, foram feitos folhetos específicos, e, para os municípios menores, foi distribuído um folheto com informações gerais sobre coleta seletiva. Além desses materiais, foram criados diversos outros, sobre conscientização ambiental, para abranger todos os públicos.

Além disso, em 2007, a Tetra Pak foi procurada pelo governo do Paraná para discutir soluções para a destinação de suas embalagens pós-consumo no estado. Dessa negociação surgiu o plano Paraná e Tetra Pak em Ação – Longa Vida para o Meio Ambiente, elaborado em conjunto pela Coordenadoria de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e pela equipe da Tetra Pak.

O principal objetivo é garantir o escoamento sustentável e a reciclagem das embalagens pós-consumo da Tetra Pak no estado. O plano foi composto por dez ações ambientais, baseadas em quatro estratégias-chave: incentivo ao trabalho de cooperativas para aumentar a captação das embalagens, iniciativas regionais de comercialização das embalagens pós-consumo, desenvolvimento de empresas recicladoras e educação ambiental. Essas ações foram realizadas durante o biênio 2008/2009, divididas em dois grandes blocos. O primeiro teve como objetivo proporcionar a infraestrutura necessária para as atividades de coleta seletiva e reciclagem. Foi feito um diagnóstico detalhado dos 22 municípios indicados pela secretaria e foram elaborados planos de ação específicos para cada cidade. Com base neles, a empresa efetuou a cessão de prensas, telhas e outros materiais às entidades envolvidas que pudessem contribuir para o programa de coleta seletiva. No total, foram cedidas 20 prensas enfardadeiras, quatro esteiras para triagem de materiais, cerca de 1.200 big bags, 2.120 telhas, 245 placas recicladas e material para 15 pontos de entrega voluntária (PEVs).

O segundo bloco de ações focou na educação ambiental. Envolveu a distribuição de 195 mil folhetos para conscientizar a população e 164 kits de educação ambiental, além da participação em eventos em shopping centers e da realização de outros projetos já consolidados na Tetra Pak, como o (Re)Ciclo de Cinema. Os resultados da parceria superaram as previsões. Apesar dos efeitos negativos da crise econômica de 2008, que afetou todo o setor de reciclagem, o número de iniciativas voltadas à coleta seletiva das embalagens longa vida no Paraná aumentou seis vezes (de 55 para 339). Além disso, o volume de embalagens encaminhadas para a reciclagem cresceu 18%, atingindo 4.099 toneladas em 2009, o que representa aumento de 4% na taxa de reciclagem de embalagens da Tetra Pak no estado em relação ao início do plano, em 2007. Esse índice significa que, em 2009, cerca de 207 milhões de embalagens foram recicladas somente no estado do Paraná.


Um dos maiores problemas socioambientais está relacionado com a geração de resíduos e grande parte destes são embalagens. Como a Tetra Pak vem atuando na orientação do consumidor de seus produtos no processo de reciclagem?

A Tetra Pak busca ser reconhecida pelos consumidores como uma empresa que oferece soluções para manter os alimentos com suas características originais e seguros, com embalagens práticas, ambientalmente corretas e de qualidade. No entanto, mais do que informá-los sobre os atributos de seu produto, a companhia trabalha para mostrar que o consumidor, ao comprar alimentos ou bebidas acondicionados em embalagens da Tetra Pak, está fazendo uma escolha correta e consciente do ponto de vista ambiental e social. Assim, a Tetra Pak busca aproximar-se desse público por meio de ações que promovam a reciclagem e a consciência ambiental e social.


Como está organizado esse processo de reciclagem de embalagens no pós-consumo? Como funciona a logística e qual a capacidade instalada e utilizada?

A embalagem da Tetra Pak é formada por três materiais: papel, alumínio e polietileno. A primeira etapa da reciclagem consiste em separar o papel dos demais elementos. O trabalho é feito em um equipamento denominado Hidrapulper, uma espécie de grande liquidificador que solta as fibras de papel com água. Elas seguem para processamento, onde se transformam em bobinas para a fabricação de caixas, tubetes (utilizados em bobinas de papel nas duas fábricas da Tetra Pak) e papel para impressão (feito a partir da mistura de uma porcentagem das fibras recicladas com papel sulfite). O que sobra é uma massa de plástico e alumínio. O material é enfardado e encaminhado para empresas que irão transformá-lo em produtos como telhas, placas, pellets (grãos) para injeção ou para laminação de peças plásticas e parafina, recuperando o alumínio na forma metálica. No primeiro caso, a mistura é triturada e prensada até a eliminação de toda a água. Em seguida, o material é fundido e depois resfriado para, então, adquirir o formato desejado – telhas ou placas para construção civil. Essas peças vêm conquistando um mercado cada vez maior, graças a sua alta durabilidade e seu valor agregado.

Outra vantagem é que elas são leves, flexíveis e possuem boa absorção acústica. No caso das telhas, elas são mais resistentes à degradação e oferecem melhor conforto térmico em comparação com as telhas comuns (o ambiente fica mais confortável, uma vez que o alumínio reflete os raios infravermelhos do sol, diminuindo a absorção de calor). Já a técnica de peletização foi desenvolvida no Brasil pela Tetra Pak e vem sendo aplicada desde 1998. A transformação da mistura de plástico e alumínio em grãos permitiu ampliar a forma de utilização do material, que hoje é matéria-prima para a fabricação de peças plásticas – vassouras, bolsas, sacolas, embalagens, canetas, capas de cadernos, pastas e objetos de escritório, entre outras. Hoje, mais de dez empresas fabricam peças a partir dos pellets, que, por sua vez, são produzidos por duas recicladoras no estado de São Paulo. Em 2005, a Tetra Pak desenvolveu, em parceria com as empresas Klabin, Alcoa e TSL Ambiental a tecnologia de reciclagem do alumínio na fabricação das embalagens, que consiste na separação total das camadas de alumínio e plástico. O alumínio poder ser comercializado na forma de pó, e o polietileno é transformado em parafina, que é utilizada na produção de impermeabilizantes, lubrificantes ou como matéria-prima para a indústria química. Assim, a reciclagem de embalagens longa vida pós-consumo gera emprego e renda, além de promover a conservação ambiental e a cidadania.


Em sua opinião, o lado cultural dos consumidores, que envolve o hábito da separação do lixo, é a principal barreira para ampliar a reciclagem no Brasil? Que outros fatores dificultam esse processo?

Atualmente, o maior gargalo para aumentar a reciclagem de nosso país é a coleta seletiva. Isso acontece porque as embalagens descartadas pelos consumidores ainda não formam volume suficiente do material para atender a demanda das indústrias recicladoras já existentes. Por isso, temos investido de diversas formas na educação ambiental e na sensibilização da sociedade para incrementar o volume de reciclagem de embalagens cartonadas no país, que hoje chega a mais de 50 mil toneladas por ano.
Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, estamos com expectativas bem positivas, já que cada um dos agentes envolvidos no ciclo de vida dos produtos – fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e poder público – deve assumir sua responsabilidade.


Como a empresa vem atuando para divulgar seus projetos de reciclagem nas redes sociais?

Com este objetivo de disponibilizar conhecimento à população e ajudar na coleta seletiva, a Tetra Pak lançou em 2008 um portal batizado de Rota da Reciclagem (www.rotadareciclagem.com.br). O site aponta a localização e o contato de cooperativas, pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis e comércios ligados à cadeia de reciclagem em todo o território nacional. Outro portal desenvolvido pela empresa é o Cultura Ambiental nas Escolas. Voltado a professores e alunos, a plataforma traz conteúdo didático sobre educação ambiental com destaque para a questão dos resíduos sólidos e reciclagem. Cada uma das ferramentas possui canais no Facebook e no Twitter. Nos últimos 40/50 anos, as tecnologias nas embalagens propiciaram que muitas empresas ampliassem sua publicidade e agregassem mais valor em seus produtos, além de avanços relacionados a quantidades fracionadas e de conservação, por outro lado, passou-se a ter um alto passivo ambiental. Em sua opinião, quais são as perspectivas e tendências para o setor de embalagens nos próximos anos?

Na Tetra Pak, temos a premissa da inovação, o que faz com que a companhia antecipe essas tendências. Como líder global mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, a empresa tem realizado significativos investimentos na área de desenvolvimento mundial, que conta com cerca de 1.200 profissionais que já discutem como será o cenário do mercado em 2020. Toda a estratégia é antecipada já que uma tecnologia leva até cinco anos para ser desenvolvida. Assim, o ciclo de inovação da empresa mantém-se constante e, de três a cinco anos, são lançadas novidades baseadas nas necessidades e desejos latentes dos consumidores. Para isso, investimos globalmente aproximadamente 3,5% a 4% da receita de vendas, que em 2010 foi de €9,98 bilhões. Ou seja, foram cerca de €400 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

Além disso, conhecer o nosso público e saber respeitá-lo é o primeiro passo. Por isso, apostamos nas pesquisas com os nossos clientes e também com os consumidores. Com os resultados, sabemos que uma grande tendência são os produtos ambientalmente corretos. Por isso, como líder, a Tetra Pak investe na utilização de matéria-prima proveniente de fontes renováveis e certificadas. A primeira certificação da cadeia de custódia da Tetra Pak Brasil pelo Forest Stewardship Council (FSC) foi conquistada em 2008. Nosso fornecedor de papel, a Klabin, já possuía a certificação para 100% de suas florestas e, a partir disso, conseguimos obtê-la também para nossas embalagens. A segunda conquista foi em relação ao plástico, com o lançamento das tampas produzidas a partir do “plástico verde”, produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar. Esse projeto deu ao Brasil o pioneirismo mundial no uso do material, que também provém de uma fonte 100% renovável.


Que mensagem final deixaria para os leitores da revista Geração Sustentável?

Costumamos dizer que a Tetra Pak possui o DNA de Sustentabilidade, principalmente por conta de sua origem e da preocupação com o meio ambiente. Assim, mais do que informar os públicos sobre o intenso trabalho desenvolvido em toda a cadeia de reciclagem, temos a missão de agir como agentes transformadores.

Acredito que vivemos em um processo de mudança e de conscientização da sociedade, que não tem volta, felizmente! No entanto, fazer parte desse grupo vanguardista é um desafio já que temos que aprender na prática. Mesmo assim, encaramos esse desafio como uma oportunidade de provocar grande modificação comportamental das pessoas e das corporações.

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Veja os conteúdos dessa edição:

Matérias:
Capa: Campos Gerais: um Paraná a ser conhecido
Visão Sustentável: Produtos concentrados fazem bem ao meio ambiente
Desenvolvimento Local: Setor de sustentabilidade ganha representatividade no Brasil
Responsabilidade Social: Paraná se mobiliza para o desenvolvimento sustentável
Gestão de Resíduos: Crianças aprendem a dar outro destino aos resíduos orgânicos
Energias Renováveis: Cenário para comercialização de carros elétricos no Brasil ainda não é favorável

Artigos:
Fábio André Chedid Silvestre: As leis de incentivo à cultura
Leandro F. Bastos Martins: Promessa é dívida?
Jeronimo Mendes - Inovação e espírito empreendedor
Antenor Demeterco Neto - Logística e desenvolvimento econômico sustentável?
Gastão Octávio da Luz - Desafios Globais ao "desenvolvimento sustentável"

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Edição 25 - Entrevista com Manfred Alfonso Dasenbrock - Sicredi PR

Cooperativismo de crédito: Promovendo o equilíbrio social e econômico

“Para todo problema econômico há uma solução cooperativa”. Não tinha outra forma de destacar a abertura desta entrevista se não utilizando essa celebre frase de um dos maiores pensadores do cooperativismo, o professor francês Charles Gide. Na atual conjuntura do setor financeiro brasileiro, com a concentração do crédito nos grandes bancos privados, esse modelo de organização é muito atual e ganhará novos adeptos nos próximos anos.

O cooperativismo de crédito existe há mais de um século no Brasil, mas nos últimos cinco anos o segmento vem se consolidando e experimentando um crescimento expressivo, praticamente dobrando de tamanho. Segundo dados do Banco Central, no fim do ano passado as cooperativas representaram 2% da participação no mercado financeiro no país. O objetivo das cooperativas de crédito é conquistar uma fatia de 10% do mercado bancário em dez anos, realidade que existe em países como Holanda, Alemanha, Estados Unidos, entre outros. As cooperativas de crédito fazem parte do sistema financeiro nacional, como qualquer banco, e estão submetidas à regulação e supervisão do Banco Central, mas nessas instituições financeiras existem diferenças significativas na atuação, que as tornam um dos melhores modelos para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

Para explicar mais sobre esse modelo de negócio que atua baseado em princípios fundamentados em prol do desenvolvimento e com projetos sociais voltados à educação, consistindo assim, na sua essência, um caráter sustentável, conversamos com o presidente da holding Sicredi Participações S.A., presidente da Central Sicredi PR/SP e o único brasileiro na diretoria do Conselho Mundial do Cooperativismo – Woccu, Manfred Alfonso Dasenbrock


1)Traçando um paralelo entre cooperativas de créditos e bancos, qual seria a maior diferença na atuação e nos objetivos?

A maior diferença é que, quanto mais serviços os associados de uma cooperativa de crédito utilizam mais a cooperativa cresce e mais os próprios associados se beneficiam, pois a regra é que o dinheiro aplicado na cooperativa só pode ser reinvestido na própria região. Além disso, o resultado positivo do ano é distribuído entre os associados, proporcionais às operações realizadas por cada um.
Ao traçarmos um paralelo comparativo entre as cooperativas de crédito e os bancos, é fundamental lembrar que as cooperativas são sociedades de pessoas, elas são a alma do empreendimento. Os associados são donos e usuários ao mesmo tempo, e fazem parte de uma comunidade ou de um segmento específico.


2) Dessa forma, as cooperativas de crédito redirecionam os recursos para o desenvolvimento das comunidades onde atuam. Como são determinadas essas estratégias de investimentos locais?

Cada unidade da cooperativa tem o seu planejamento anual, que é baseado em estratégias e demandas locais e pontuais. A cooperativa existe para satisfazer à necessidade dos sócios. Manejar a distribuição destes cabe à administração da cooperativa, que ainda deve aliar as necessidades de captação e capital necessárias.


3) O compromisso com as dimensões econômica e social faz parte da modelo cooperativista, isso, por si só, é um exemplo de maturidade em relação aos princípios de sustentabilidade?

Sim. A cooperativa, em especial a de crédito, é um movimento de comunidade. E quando eu afirmo que o recurso captado na comunidade fica na comunidade para gerar melhorias financeiras, desenvolvimento e geração de riquezas, estou promovendo esse princípio. A lógica da cooperativa é outra, ela é um empreendimento coletivo que visa ao crescimento econômico de todos os associados.


4) Considerando que o cooperativismo surgiu como uma forma de organização social para a solução de problemas econômicos, como uma cooperativa pode contribuir também para minimizar os impactos ambientais? É necessário repensar o modelo?

Investindo em educação ambiental, na formação dos cidadãos do futuro, nas crianças e nos adolescentes. O Sicredi tem um programa A União Faz a Força, que estimula a elaboração de centenas de projetos de cunho socioambiental, desenvolvidos nas escolas pelas próprias crianças, em prol das comunidades e envolvendo toda a sociedade. O Programa A União Faz a Vida é desenvolvido nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, e engloba 144 municípios, abrangendo 1.221 escolas, 179.175 alunos e 14.579 educadores.


5) Os Programas de educação cooperativa como o “A União faz a Vida” reforçam conceitos de sustentabilidade e comprometimento da cooperativa com a comunidade?

Perfeito. O Programa A União Faz a Vida está embasado no princípio cooperativista de educação, formação e informação, mas atinge sua plenitude quando integrado a outro princípio, o de interesse pela comunidade. Porém, a gestão integrada desse Programa por parte dos agentes é fundamental para a eficiência desse processo nas comunidades, sendo eles a prefeitura por meio da secretaria de educação e coordenação local; as assessorias pedagógicas; os apoiadores e a própria sociedade, tanto nas cidades onde eles estão inseridos e naqueles que estão se preparando para implantar o Programa no futuro.


6) Como desenvolver uma gestão sustentável dentro de uma organização financeira, considerando as dimensões social, econômica e ambiental?

Direcionando as ações e esforços na formação de crianças e adolescentes com espírito de cidadania. Promovendo a cooperação e a ajuda mútua, mas com forte apelo comunitário. As comunidades são o motor de toda a sociedade, e nosso objetivo é deixar um legado para as gerações futuras. A própria atuação das cooperativas baseada nos valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade equidade e solidariedade reforça o objetivo de promover o desenvolvimento da comunidade abrangendo as três dimensões da sustentabilidade.


7) O segmento crédito é o que mais cresce dentro do sistema cooperativista brasileiro. Quais são os índices de crescimento e quais são os fatores que mais contribuem para essa evolução?

Os índices de crescimento são muito positivos e o crescimento é percentualmente acima da média do mercado competidor, exceto o resultado, pois as cooperativas visam agregar renda às pessoas na comunidade. Um dos motivos para esse crescimento é a gestão eficaz com transparência, bem como o atendimento mais humano na prestação de serviços financeiros. Acreditamos fortemente que o relacionamento faz toda a diferença.


8) As cooperativas de crédito estão modernizando seus modelos de gestão dentro dos conceitos de governança corporativa, inclusive o Banco Central já utiliza o conceito de governança cooperativa? Como funciona esse conceito na prática?

A organização do quadro social é que inicia esse processo. No Sicredi, por meio dos Programas Crescer e Pertencer, que visam ampliar a participação dos associados na tomada de decisões dos negócios da sua cooperativa, é que se alcança essa dimensão, pois eles geram sustentação e transparência à gestão.

Além disso, o investimento e capacitação de dirigentes, executivos e colaboradores também reforçam essa sustentação, aliado às boas práticas de governança que, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) divulga.


9) Que mensagem final gostaria de deixar para os leitores da revista Geração Sustentável?

O nome da revista é fantástico e tem tudo a ver com o investimento em educação ambiental, ou seja, na formação de uma consciência, de uma vontade voltada para o presente e o futuro, onde vivemos e onde viveremos.

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Veja os conteúdos dessa edição:

Matérias:
Capa: Saiba como andam as práticas de sustentabilidade dos bancos brasileiros
Visão Sustentável: Novas profissões ajudam a melhorar vidas, carreiras e sociedade
Desenvolvimento Local: Iniciativa sustentável inova modelo de entregas
Educação e Sustentabilidade: Abrindo o silêncio para o mundo
Responsabilidade Social: Sustentabilidade - da teoria à prática
Gestão de Resíduos: Iniciativas privadas buscam educar a sociedade a reduzir, reutilizar e a reciclar lixo

Artigos:
Rosimary Oliveira - Como criar uma geração insustentável
Ivan Dutra - Da Tunísia a Wall Street
Jeronimo Mendes - O encanto permance, mais o gosto muda
Yuri Beltramin - Como estamos construíndo nosso mundo sustentável?

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sábado, 15 de outubro de 2011

ENTREVISTA: Loïc Fauchon – Presidente do CMA – Conselho Mundial da Água

Loïc Fauchon participou da criação e do desenvolvimento do Conselho Mundial da Água. É membro do Conselho Mundial da Água, desde 2000, primeiramente como Conselheiro Especial do Presidente e do Vice-Presidente, e finalmente como presidente desde 2005. Atualmente, ele é o CEO do Groupe des Eaux de Marselha. Ele também passou grande parte da sua carreira profissional no sector público, na Prefeitura e no Conselho Regional, antes de se tornar diretor de Gabinete do Prefeito, e do Secretário Geral da Cidade de Marselha. Loïc Fauchon foi também presidente da Câmara Municipal de Trets durante 8 anos. Em 1977, criou a associação humanitária "Transahara", que organiza missões de ajuda de emergência e a assistência ao desenvolvimento na África Subsaariana e na Europa Oriental. É graduado pelo Instituto de Estudos Políticos e da Faculdade de Economia, Loïc Fauchon também tem um doutorado em Economia e Direito. Ele falou com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL, a entrevista teve a colaboração do Sr. Joseph Galiano Cônsul Honorário da França em Curitiba. (Contato e tradução: Eliane Luzia Kowalski Secretária da Agência Consular da França em Curitiba)

Como gerir melhor a água?
Convém mencionar que os dois primeiros indicadores geralmente citados hoje são: mais de 1,5 bilhões de pessoas não têm acesso a água limpa e praticamente duplica, ou seja, 2,5 bilhões não têm saneamento básico.
Um grande número de pessoas, dentro dessas necessidades, obviamente merece uma política estabelecida com duração e objetivos específicos. A água doce do planeta está presente em quantidades enormes, mas não necessariamente nos lugares onde as pessoas mais necessitam.
Sucessivamente vamos descobrindo os problemas que o homem criou ao longo do século passado: o crescimento demográfico muito rápido uma taxa de urbanização crescente e mudança climática são os fatores para o nosso frágil planeta e para a água, causados pelo homem.
Tudo isso vem criando, com a escassez e a poluição, portanto, tensão para controlar os recursos hídricos e valorizar a sua utilização.

O que é o CMA (Conselho Mundial da Água)?
Conselho Mundial da Água, com sede em Marselha desde 1996, tem aproximadamente 350 organizações e Estados-membros em mais de 60 países. Inclui 70 Estados e municípios, grandes organizações profissionais, bancos de apoio ao desenvolvimento, associações de comunidades locais, agências da ONU e um grande número de ONGs locais e internacionais.
Promover a implantação de uma politica mundial da água: essa é a razão de ser do Conselho mesmo nome criado em 1996. O Conselho: pretende criar a idéia de que não há desenvolvimento humano sem água e todos os gestores de todos devem registrar o seu controle e a sua distribuição como uma das principais prioridades para as próximas décadas. Daí o slogan "torneiras antes de armas" e manifestando essa maneira de forma particularmente forte.

No mês de novembro será realizado o V Fórum “Cultivando Água Boa” na cidade de Foz do Iguaçu no Brasil. Quais são as expectativas para este encontro?

O Fórum "Cultivando Água Boa” será um passo fundamental na preparação do 5º Fórum Mundial da Água. Irá tanto enriquecer a discussão do ponto de vista temático, como também ajudar a fornecer soluções ao nível local. Temos muito a aprender com os gestores da água na América Latina, incluindo o Brasil que é uma nação de água.

Quais são as principais diretrizes para a realização do V Fórum Mundial da Água na Turquia em março de 2009? Como são definidas as sessões temáticas para os debates?
O CMA organiza, de três em três anos, o Fórum Mundial da Água (Marrakech, em 1997, em Haye, em 2000, Kyoto, em 2003, México em 2006). Esses fóruns reúnem, inclusive, toda a “família de água” para se chegar a um consenso político e encontrar soluções concretas para as principais questões que estão sujeitas (finanças, direito à água, a gestão, o conhecimento, etc). Na Cidade do México, 20.000 participantes, cerca de 150 delegações ministeriais e 1.500 jornalistas estavam presentes.

Organizado com o governo turco, o próximo Fórum a ser realizado em Istambul de 16 a 22 de Março de 2009, são esperados 22.000 participantes, será o momento de soluções sobre temas tão essenciais como: a água e a energia, água e os alimentos, água e as alterações climáticas e assim por diante. A crise financeira e a situação econômica serão também centro das nossas reflexões.

Um dos maiores causadores de doenças no mundo é a contaminação da água potável. Como definir estratégias para promover a gestão da água e o acesso ao saneamento básico?
Sim, é verdade. A realidade é muitas vezes esquecida a ausência ou insuficiência de água potável mata dez vezes mais do que todos os conflitos armados. Doenças oriundas de água contaminada causam 25.000 mortes por ano, são, de longe, a principal causa de morte em todo o mundo. É preciso implantar uma política mundial da água e de saneamento. Este ano, 2008, é o Ano Internacional do Saneamento. É necessário aproveitar este período para chamar a atenção para o mundo fato de que um habitante do planeta, em cada dois, ainda não tem acesso a instalações sanitárias assegurando simultaneamente higiene e privacidade. Fazer o saneamento é uma prioridade e tanto um direito como um dever. Também não se deveria limitar um âmbito demasiadamente pequeno para o acesso a instalações sanitárias.

Á água é um bem finito e essencial para o ser humano tanto para as questões de consumo e produtivas, a sua escassez é um fato preocupante e que deve se intensificar cada vez mais. Na opinião do senhor, a água será considerada uma espécie de petróleo nas próximas décadas?
"Água é vida", dito em todas as línguas do mundo. "Tudo era água", dizem os hindus. "A água é "wou-ki"(o grande imponderável) ditado chinês. E no Alcorão, ele diz que "Deus criou todas as coisas a partir da água."
A água precisa de financiamentos ampliados e diversificados, de instituições democráticas e descentralizadas, com conhecimento adequado e barato. As causas são complexas, mas as soluções são simples. Elas solicitam que os homens e as mulheres reunir em volta da água para o diálogo. Existe uma necessidade urgente de uma diplomacia da água e um acordo de equilíbrio de grandes massas de águas continentais, a flexibilização dos conflitos fronteiriços e o reinvestimento preferencial para o domínio da água.
Sob estas condições, a causa da água avança. Esta questão necessita de forma rápida e que permite uma longa aceleração de eficiência e de desenvolvimento de uma estratégia global com uma hidropolítica através da afirmação de uma verdadeira responsabilidade coletiva. A "Água é Paz" e a paz não tem preço, e tem uma valor inestimável. Juntos, podemos construí-la.

Que mensagem final o senhor gostaria de deixar aos leitores da Revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL?
A água é um motivo de utilidade pública mundial e isso inclui a sua reorganização. A causa global pública significa prioridade absoluta para a água, o ar e a energia renovável. É sobre este tripé, e só sobre ele, que pode centrar-se a nossa capacidade futura de desenvolvimento, de alimentação, de saúde, de educação, são os três fatores essenciais para uma convivência pacífica entre os povos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Entrevista edição 24 - Almir de Mirando Perru - Sinduscon/PR

Empreendimentos Verdes: construindo um mundo mais sustentável

A Construção Civil é um dos setores mais promissores para as próximas décadas e também um dos mais preocupados em reduzir seus impactos socioambientais. Encontrar alternativas sistêmicas e que envolve todas as etapas do processo, mantendo a viabilidade dos empreendimentos, é o grande desafio desse segmento. Para abordar esses pontos e outros assuntos relacionados a sustentabilidade, Almir de Miranda Perru, vice-presidente da área técnica de Meio Ambiente do SInduscon/PR falou com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL. Almir é empresário do setor atuando desde 2003 à frente da CTBA Construtora. Em seu currículo, conta com aproximadamente 90 mil metros quadrados de área de construção em obras em andamento e de empreendimentos já concluídos.



Almir de Miranda Perru
Vice-presidente da área de Meio Ambiente do Sinduscon/PR


Construção e Sustentabilidade caminham juntas?
Sim, cada vez mais empresas de construção civil têm se sensibilizado com o tema sustentabilidade, por uma questão de sobrevivência, sob aspecto econômico, social, político e ambiental. A indústria da construção tem participado ativamente de discussões sobre este assunto com agentes de todas as esferas do setor produtivo, institutos de pesquisa e desenvolvimento, universidades, fabricantes de materiais, recicladores, e principalmente com o poder público, a fim de que o tema seja tratado de forma adequada e igualmente ‘sustentável’.
Vale ressaltar aqui a importância de estimular a inovação tecnológica eco-eficiente no País, como uma ferramenta para reformulação de práticas e atitudes, pois toda mudança requer primordialmente políticas de incentivos.

Que etapas do processo de uma construção são mais críticas e que geram os maiores impactos ambientais?
Não existe uma fase mais crítica que outra. Tudo começa com um bom processo de gestão do negócio, desde a fase de desenho do projeto, até a fase de execução. Com planejamento eficiente, os materiais são empregados de forma racional, sem desperdício, o que significa economia de dinheiro e tempo, além de poupar o meio ambiente. As novas tecnologias têm contribuído com a redução do impacto ambiental. Os processos industrializados minimizam a geração de resíduos.
As construtoras têm utilizado tintas sem solvente, materiais menos agressivos, têm adotado medidas que diminuem os desperdícios com água e energia, utilizado sistemas com aproveitamento da energia solar, inibição do uso desnecessário e simultâneo dos elevadores e ares condicionados, dentre outros elementos e atitudes que visam a saúde e qualidade de vida dos usuários e preservação do meio ambiente.
Em termos construtivos, muito se evoluiu também. Hoje em dia muitas empresas não empregam apenas o sistema convencional de construção, de empilhar tijolo sobre tijolo. Existem vários métodos construtivos, tais como, alvenaria estrutural, construções pré- moldadas, pré-fabricadas, dentre outros que permitem um processo mais controlado, visando sempre a diminuição do desperdício, aumento da velocidade de produção e conseqüente diminuição do impacto ambiental nos canteiros de obras.

Certificações verdes para construções são diferenciais para construtoras e investidores?
Sim, com certeza. No Brasil existem duas certificações que indicam os empreendimentos verdes, o selo LEED e o Aqua. Investir em um projeto sustentável é sem dúvidas um excelente negócio, mostra a consciência ambiental da empresa, e o consumidor está cada vez mais atento a estas questões. Vale ressaltar que um prédio construído com foco na certificação beneficia não apenas o meio ambiente, mas as pessoas envolvidas na obras, nos chamados empregos verdes, as pessoas que irão conviver naquele empreendimento, bem como o seu entorno.

Considerando que uma grande obra nunca está sozinha, como promover efetivamente o desenvolvimento do seu entorno?
Alguns empreendimentos são construídos em localizações estratégicas, onde os futuros moradores contam com um leque de serviços muito grande, escolas, mercados, enfim, com estabelecimentos comerciais próximos, possibilitando que o carro fique na garagem, estimulando as pessoas a caminharem. Há empreendimentos que contribuem com o desenvolvimento da região onde são construídos, que acabam atraindo comércio e serviços, beneficiando todos que moram ou circulam no local.

Será possível superar o gargalo de infraestrutura nos próximos anos, diante das exigências dos eventos esportivos (copa e olimpíadas)?
Curitiba é uma cidade modelo, é reconhecida por desenvolver excelentes projetos para o desenvolvimento da cidade e região metropolitana. Temos certeza de que é possível vencer os gargalos existentes e que a capital paranaense fará bonito na copa do mundo de 2014. É lógico que para isso existem alguns desafios, como vencer a burocracia, a morosidade da administração pública, bem como atribuir transparência a este processo de preparação para os eventos esportivos.

O setor da construção civil é um dos mais promissores para as próximas décadas, quais são as principais tendências socioambientais que influenciam o segmento?
Os prédios verdes, que atendem a uma série de critérios e exigências para se tornarem sustentáveis, como valorização da iluminação natural e lâmpadas mais econômicas para poupar energia, captação da água da chuva, emprego de materiais de fácil manutenção, também para economizar água, dentre tantos outros exemplos. Outra tendência são os empreendimentos Home Working, que congregam salas comerciais inteligentes, apartamentos, e espaços comerciais, como shoppings, tudo para dar maior comodidade aos moradores. Num prédio misto como este, o cidadão não precisa pegar o carro e enfrentar o trânsito para trabalhar ou para ir às compras. Poupa tempo, energia e o meio ambiente.
De forma geral, a industrialização dos sistemas construtivos é também um caminho sem volta. Para dar conta da demanda por novas moradias, até mesmo por conta do Programa Minha Casa, Minha Vida 2, o setor terá de modernizar os canteiros de obras, investir em maquinários, novos equipamentos e processos construtivos, bem como em qualificação profissional.

Quais ações o Sinduscon-PR vem desenvolvendo para o fortalecimento e sustentabilidade do setor?
A entidade tem promovido uma série de cursos e eventos para debater com os empresários da construção civil e demais atores da sociedade organizada temas relevantes, como o da sustentabilidade. Para assuntos mais técnicos o Sinduscon-PR disponibiliza também um serviço especializado para os associados, onde engenheiro e arquitetos orientam as empresas quanto a procedimentos adequados, legislação urbana e normas técnicas, por exemplo.
A entidade participa ativamente das discussões que envolvem o setor na FIEP, na esfera pública e em todos os níveis de governo, por que sabemos que a construção civil é a grande parceira do desenvolvimento do País.

Que mensagem final gostaria de deixar para os leitores da Revista Geração Sustentável?
Durante longos anos o País deixou de tratar a habitação de interesse social com a atenção necessária, situação que culminou em um déficit habitacional de aproximadamente sete milhões de unidades.
Este problema transcende a questão física-estrutural. A falta de moradia desagrega a família, dificulta a educação, favorece o acesso à criminalidade, reduz as chances de inserção do indivíduo na sociedade, dentre outras consequências igualmente graves.
E não é possível falar em construção sustentável, isolando-se apenas o empreendimento, desconsiderando o entorno. É fundamental prover à totalidade da população brasileira de serviços adequados de saneamento básico, para evitar que mais de 500 crianças morram, por dia, vítimas de doenças provocadas pela falta ou pela insuficiência deste serviço público tão importante e vital.
Só com moradia digna o trabalhador renderá mais no emprego, a criança estudará melhor e a família passará mais tempo em casa, beneficiando e potencializando, por conseqüência, os investimentos públicos em saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública. Sociedade mais feliz e educada está é a fórmula para um mundo Sustentável.


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Veja outros conteúdos dessa edição!




Matérias:
Editorial (acesse)
Matéria de Capa: Usipar
Responsabilidade Ambiental: Composteiras Industrializadas
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre (Curitiba)
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil


Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ray Anderson: Um legado de sustentabilidade

Morreu no início dessa semana o empresário americano Ray Anderson. Um ícone na gestão sustentabilidade corporativa, tranformou a sua empresa - a Interface Flor - em um modelo a ser seguido no mundo todo. Em 1994 ele iniciou uma grande mudança na forma de produzir seus carpetes. Já em 1995, a empresa foi responsável pela fabricação do primeiro tecido produzido a partir de garrafas PET. Após essa iniciativa, Ray Anderson transformou-se em um dos mais importantes lider em sustentabilidade. Veio ao Brasil em algumas oportunidades para disseminar suas ideias e demonstrar as empresário brasileiro que era possível ser lucrativo e ao mesmo tempo sustentável.

Em 2008 quando participou da Conferência Ethos concedeu uma entrevista exclusiva para Juvenal Correa Filho, articulista da revista Geração Sustentável. De forma direta deixou a seguinte mensagem no final da entrevista: "O poder de cada um é surpreendente! Cada um de nós tem a oportunidade de criar a mudança. O que você fará hoje?", Ray Anderson provoca uma reflexão continua para um processo efetivo de sustentabilidade.


Leia essa entrevista abaixo!

A InterfaceFlor tem a sustentabilidade com orientadora do seu negócio. Como surgiu este posicionamento? Quais foram os resultados já alcançados com esta estratégia?

No meados dos anos 90, os clientes estavam perguntando sobre nossa postura em relação ao meio ambiente. Nossa divisão de pesquisa organizou um grupo de trabalho ambiental e me chamou para uma conversa inicial e para compartilhar de minha visão ambiental para a Interface. Sinceramente, eu não tinha uma visão, somente cumpria, cumpria, cumpria. Por puro acaso, alguém me enviou uma cópia do livro de Paul Hawken “A Ecologia do Comércio”. Mudou minha vida. A premissa de Hawken era que os industrialistas são responsáveis pela destruição da Terra e são os únicos poderosos bastante para conter isso. Era um momento de manifestação divina. Uma definição nova de negócio bem sucedido começou a rastejar em minha consciência. Eu era um saqueador da terra, e este não era um legado que eu quisesse deixar. Eu dei a esse grupo de trabalho uma missão para converter a Interface em uma empresa restaurativa. Eles evoluíram em uma estratégia de sete partes: reduzir; reusar; recuperar; reciclar (mais tarde nós adicionamos o reprojeto); adote as melhores práticas empresariais e então avance e os compartilhe; desenvolva tecnologias sustentáveis e invista nelas quando isso faz o sentido econômico, e desafie os nossos fornecedores a seguir nossa ligação.

Com base na nossa linha de 1996, nós reduzimos o desperdício por aproximadamente 52%. Isso gerou em dólares reais, em $372 milhão de desperdício do custo ou em economias. O uso de água no mundo inteiro em nossa companhia reduziu 75%. Nós fomos capazes de acabar com 47% de nossas chaminés por meio de mudanças no processo e reduzimos 81% de nossos efluentes. Nós recapturamos produtos usados no fim de sua primeira vida até a quantia de 133 milhão libras (60.000 toneladas) de “resíduos” que nós trouxemos de volta as nossas fábricas para fechar o ciclo do material. Nove de nossas 11 fábricas estão funcionando 100% agora com eletricidade renovável.


O que é Missão Zero e porque a missão de Interfaceflor é dividida em sete metas?

A missão Zero é a promessa da Interface de eliminar nossa pegada ambiental negativa em 2020. É a maneira que nós falamos sobre a nossa ascensão na Escalada da Sustentabilidade. As sete regras: desperdício, emissões, energia, fluxos materiais, transporte, cultura, comércio novo.


Sustentabilidade é um termo que está fazendo parte do mundo dos negócios. Em sua opinião, o que é sustentabilidade empresarial? Quais são os aspectos primordiais para um negócio ser sustentável?

Não há uma companhia sustentável hoje no mundo, mas muitos empreenderam sua própria escalada. De fato, nós criamos um negócio de consultoria para ajudar outras companhias a encontrar sua maneira para montar a Escalada da Sustentabilidade. A consultoria é chamada de InterfaceRAISE, e a missão é ajudar outras companhias a compreender que você não pode fazer um produto “verde” em uma companhia “marrom”. Em outras palavras, a sustentabilidade é mais do que um produto ou um programa, é um modelo comercial novo que na maioria dos casos os meios que mudam o jeito que você olha para cada aspecto de sua companhia, que você pesquisa, projeta e fabrica os produtos a como você vai introduzir no mercado, o que acontece o fim da vida útil de seus produtos, ou como você recupera ou recicla estes produtos.


Como funciona o programa “ReEntry 2.0”. Quais são os principais benefícios para o consumidor e para o meio ambiente?

As estimativas da indústria dizem que 2.3 bilhão kilos de carpetes termina nos aterros sanitários todos os anos. Em 2007, a Interface transformou-se no primeiro fabricante do carpete a implementar um processo para reciclar a fibra do nylon 6.6 do pós-consumo, a fibra mais amplamente utilizada na fabricação comercial do carpete. Este novo processo complementa uma parte faltante no processo de reciclagem da indústria de carpetes, criando sistema de reciclagem baseado no ciclo do carpete completamente fechado - fibra na fibra nova do carpete, e no revestimento protetor de carpete novo. O processo da Interface permite “a separação limpa” de fibra do carpete do revestimento protetor, permitindo a contaminação mínima e uma quantidade máxima de material do pós-consumo serem reciclados em produtos novos. A Interface pode retirar qualquer tipo de carpete, de todo o fabricante, para reciclagem. Os plásticos que não podem ser usados para processos ou produtos da relação são distribuídos a outros fornecedores da indústria para reusar em seu processo de produção. O programa de Interface visa uma reciclagem de mais de 30 milhões de metros quadrados de carpetes por ano, podendo alcançar um número ainda maior por meio de máquinas adicionais que aparecem nas posições de lançamento nos Estados Unidos e em todas as potências globais.


Em sua opinião, o consumidor de forma geral já tem valorizado os produtos fabricados de forma sustentável?

Não há nenhuma dúvida que a sustentabilidade, ou o “verde” está muito na moda hoje. O desafio será sustentar isto não como uma tendência, ou como uma moda passageira, mas como uma maneira nova de fazer negócios e, para consumidores, como um novo estilo de vida. Na Interface foram nossos clientes que nos guiaram neste caminho, fazendo a pergunta: “O que vocês fazem pelo o meio ambiente?” Como consumidores, cada um de nós pode fazer a si mesmo esta pergunta.


Que mensagem final o senhor quer deixar para os leitores da Revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL?
O poder de cada um é surpreendente! Cada um de nós tem a oportunidade de criar a mudança. O que você fará hoje ?

domingo, 3 de julho de 2011

Entrevista sobre o tema sustentabilidade com o Consultor Evandro Razzoto



Wilson Soler conversa com o professor e consultor Evandro Razzoto. Eles falam sobre sustentabilidade dentro de empresas e organizações.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sustentabilidade em construção: Entrevista principal da edição 22



Engenheiro civil e empresário Ramon Andres Doria fala sobre o respeito à sociedade e ao meio ambiente na construção civil

Quando os desafios da humanidade são grandes, o negócio é arregaçar as mangas e mãos à obra! É dessa forma simples que o engenheiro civil Ramon Andres Doria, sócio fundador da empresa Doria Construções Civis, encara o trabalho de unir a área da construção civil à sustentabilidade.
Nascido em Ponta Porâ (MS), Doria possui acervo técnico de aproximadamente um milhão de metros quadrados em obras residenciais, comerciais e industriais. Ele também já foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR), participou de diversos conselhos no Serviço Social da Indústria (Sesi) e atualmente é Conselheiro no Conselho Temático Permanente de Responsabilidade Social na Confederação Nacional da Indústria (CNI). É ainda coordenador do Conselho Temático de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e coordenador do Fórum do Desenvolvimento do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial, além de conselheiro da Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre).
Em entrevista à Geração Sustentável ele mostra seu entusiasmo sobre a sustentabilidade e conta de forma prática como é possível dar um lar com conforto ao homem e ao mesmo tempo respeitar o meio ambiente e a sociedade. Tudo é uma questão de processo, planejamento e muito trabalho – assim como qualquer obra, construção ou reforma.

Como os gestores poderão de fato implantar projetos socioambientais em seus negócios?
Os gestores ao implantarem em suas empresas o desenvolvimento social de seus colaboradores devem fazê-lo com ética e com respeito à preservação do meio ambiente onde sua empresa está inserida. Nas implantações dos projetos socioambientais devemos sempre levar em conta a orientação acadêmica, a fim de obter indicadores que observem: estímulo ao voluntariado empresarial, investimento social, ações socioculturais, prevenção e redução de danos ambientais e educação ambiental.

O empresário paranaense está preparado para gerir esses projetos em suas empresas?
Acredito que a maioria dos empresários paranaenses não possui condições de gerir esses projetos, uma vez que se trata, esta porção, de micro e pequenas empresas, as quais têm como foco principal, e muitas vezes único, a sua sobrevivência no mercado. Mas, insisto, existe sempre um espaço em nossas empresas para esses projetos. É uma questão de despertar. Despertar-se para uma gestão moderna, sustentável e rentável, sem desviar o foco principal, apenas colocando, para isto, um novo “ingrediente”.

Como ser sustentável e lucrativo ao mesmo tempo?
A prática nos ensina que quando nos aprofundamos na gestão de nossos negócios, colocando um “ingrediente” sustentável, é possível desenvolvermos soluções interessantes que nos levam a aumentar o desempenho e, consequentemente, a lucratividade.

Em que etapas da atividade da construção civil é possível ser menos impactante no meio ambiente?
Considero duas etapas principais, as quais devem ser repensadas. A primeira é em relação à escavação, uma vez que a legislação atual, aplicável à espécie, acaba por incentivar o assentamento dos veículos junto ao nível abaixo do meio fio, medida que proporciona o aumento da área permissível a ser construído. Se houvesse uma mudança de legislação, neste sentido, seria possível alterar a guardar os veículos acima do nível do meio fio, diminuindo o impacto no meio ambiente. A segunda etapa que deve ser trabalhada é quanto ao processo construtivo e é neste aspecto que está o grande lance de construir, criando indicadores para se aprimorar o desempenho.

Como gerenciar os resíduos da Construção Civil?
O gerenciamento de resíduos da construção civil na Doria ocorre pela caracterização e separação dos resíduos conforme as classes (CONAMA 307/02). No canteiro de obras acondicionamos os resíduos em baias, para melhor preservação e facilidade no recolhimento. O transporte é feito por empresas terceirizadas, que nos fornecem uma via do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), documento comprobatório de que os resíduos foram entregues em locais devidamente licenciados.Quanto à destinação, a construtora Doria prioriza o reuso dos resíduos inertes no próprio canteiro de obra como material de aterro, quando não for possível reutilizá-los desta forma, estes são encaminhados a locais devidamente licenciados. Devido a nossa preocupação com o meio ambiente, nossos princípios são a utilização de materiais sustentáveis e redução quanto à geração dos resíduos. Conscientizamos a todos os nossos profissionais e colaboradores que atuam na empresa quanto à importância de suas participações na gestão dos resíduos para o meio ambiente.

Quais são os projetos socioambientais que a sua empresa desenvolve atualmente?
Em função da grande quantidade de resíduos sólidos gerados pela atividade da construção civil,a Doria Construções Civis identificou uma oportunidade de ação sócio-ambiental através de projetos idealizados por associações.Com a prática de coleta seletiva dos resíduos,separação por classes, a obra representa grande fonte de materiais para esse projeto. Reduzindo a carga de materiais enviados para aterros e destinando de forma ambientalmente inteligente os resíduos para reciclagem. Os Projetos derivam de parcerias que envolvem diversas instituições.As atividades propostas pelos projetos são realizadas há vários anos e objetivam melhorar a qualidade de vida, as condições de trabalho, e a organização da coleta seletiva e da destinação correta dos resíduos, tornando o processo de reciclagem completo. Atualmente, fazem parte da estrutura dos projetos diversos parques de reciclagem que possibilitam a armazenagem e manuseio dos materiais, contando também com vários catadores, os quais são organizados através de associações e cooperativas.

Que mensagem final gostaria de deixar para os leitores da revista Geração Sustentável?
Estamos cientes que muita coisa poderemos fazer para desenvolver as atividades de nossas empresas observando os principais desafios que deveríamos respeitar para que nossas empresas sejam sustentáveis. Entre eles: garantir a disponibilidade de recursos naturais, respeitar os limites da biosfera para absorver resíduos e poluição e solucionar a questão social, visando reduzir a pobreza. Vamos então à luta! Reflitam com prudência os desafios mencionados. A possibilidade de êxito é grande. As empresas do setor industrial dispõem do “modelo SESI de sustentabilidade” que permite avaliar, práticas e performances e comparar o seu nível de competitividade com lideres do setor e com líderes em sustentabilidade.

Acesse aqui o editorial da Edição 22
Veja as outras matérias desta edição:
Visão Sustentável: Ecoverdi – No caminho do bem
Responsabilidade Ambiental – Plantio Direto: Terra mais forte e desenvolvimento do Paraná para os campos do Brasil
Gestão de Resíduos – Simple Clean: Limpeza Sustentável acima de tudo
Energias Renováveis – Ventos e resíduos no futuro da energia brasileira






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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Carlos Abdalla - Bosch

Uma questão de consciência e estratégia

Carlos Abdalla, gerente de Relações Corporativas da Robert Bosch América Latina, fala sobre a importância dos assuntos sustentáveis para a empresa, com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL

Mostrar que uma empresa grandiosa é aquela que reconhece a necessidade de repensar suas ações para manter seu crescimento é a tarefa do gerente Relações Corporativas da Robert Bosch América Latina, Carlos Abdalla. Segundo ele, tudo fica mais fácil quando a empresa já trabalha com conceitos de sustentabilidade muito antes do termo passar a ser conhecido no mundo corporativo. Mais do que marketing, a responsabilidade faz parte da filosofia e da estratégia da corporação e é seguida à risca, principalmente pelo braço da empresa no Brasil. (Foto: divulgação Bosch)

A Bosch vem constantemente divulgando suas ações voltadas à sustentabilidade. Por que é importante ter a imagem da empresa tão ligada às ações sustentáveis?
A orientação para os aspectos da sustentabilidade há muito tempo – mesmo antes de se falar no termo sustentabilidade – faz parte das ações da Bosch. Compromisso, respeito ao meio ambiente e a perenidade da organização, do ponto de vista econômico, sempre foram focos da empresa. Com a evolução tecnológica, a possibilidade de concentrar maior atenção e maiores recursos no desenvolvimento de soluções sustentáveis foi ampliada, tanto no que se refere aos processos quanto aos produtos que a Bosch disponibiliza no mercado.

Como o tema está inserido nas estratégias de gestão da empresa?
A sustentabilidade está inserida dentro da visão da empresa e, portanto, a partir dela, é desdobrada para as estratégias da organização.

A Bosch divulga que tem preocupações com a sociedade e o meio ambiente há mais de quatro décadas. Como esse conceito de responsabilidade foi inicialmente inserido na Bosch Brasil?
O Grupo Bosch, desde sua fundação, na Alemanha, em 1886, adota uma política empresarial de relacionamento com seus colaboradores e demais parceiros baseada nos sólidos valores de seu fundador, Robert Bosch. Por decisão testamentária, 8% do capital da empresa são destinados à família Bosch e os 92% restantes a uma entidade sem fins lucrativos, a Fundação Robert Bosch, criada na Alemanha em 1964, e considerada uma das maiores fundações privadas do mundo. Seus investimentos contemplam as áreas de saúde, pesquisa em medicina, ajuda humanitária, relacionamento internacional, educação de jovens, cultura e pesquisas científicas. Em 1971, foi criada no Brasil a Associação Beneficente Robert Bosch, transformada no Instituto Robert Bosch em 2004. Responsável pela gestão de políticas, diretrizes e recursos dos projetos sociais, ambientais, educativos, de preservação e formação do patrimônio histórico-cultural e médico-hospitalar, o Instituto prioriza os projetos focados na melhoria da qualidade de vida das comunidades.
No que se refere ao meio ambiente, a Bosch possui uma série de programa de preservação de recursos relacionados aos seus processos produtivos, assim como adota essas premissas no desenvolvimento de suas tecnologias.

O que significa inovação para a Bosch? Quais os principais desafios que a empresa enfrenta para inovar e ao mesmo tempo respeitar o meio ambiente e sociedade?
A Bosch considera a inovação como algo mais do que a qualidade excepcional do produto, da funcionalidade e do design. Não somente nossos desenvolvimentos tecnológicos, mas também o nosso comprometimento com a sociedade tem um efeito no mundo de amanhã. Sistemas de gestão, diretrizes e políticas inseridas no dia a dia da empresa garantem a inovação com respeito ao meio ambiente e à sociedade.
Por meio do Sistema de Gestão Ambiental, por exemplo, a Bosch avalia processos produtivos com foco na compatibilidade ambiental e reduz custos com o uso racional de recursos energéticos. Esse sistema também busca a conscientização e sensibilização dos colaboradores, familiares e comunidade sobre a necessidade da preservação do meio ambiente.
A sustentabilidade aplica-se também aos produtos. No Brasil e em todo o mundo os produtos Bosch são fabricados dentro das diretrizes do Programa 3S – em alemão: Sicher/Seguro, Sauber/Limpo – não poluente e Sparsam/Econômico.
Anualmente, a empresa investe no Brasil cerca de 16 milhões de reais em projetos de redução de impactos ambientais com foco em gerenciamento de resíduo, proteção da água do solo, redução de ruídos, purificação do ar e a conservação da natureza.

Como o conceito de sustentabilidade é difundido dentro da empresa entre funcionários e colaboradores?
Essa comunicação é trabalhada de diversas maneiras. Além de estar inserida nos sistemas de gestão, diretrizes e políticas da empresa, os meios de comunicação interna, sejam eles impressos, on line ou face a face, reforçam constantemente os conceitos e aspectos da sustentabilidade.

Como funcionam os investimentos do Instituto Robert Bosch no Brasil?
O Instituto Robert Bosch investe em projetos sociais próprios, desenvolvidos junto com às comunidades de entorno das unidades fabris da empresa no Brasil, com foco principal na educação de crianças e jovens, saúde preventiva, meio ambiente e cultura, como também apoia diversos projetos de outras organizações não-governamentais, principalmente localizadas em cidades onde a empresa está presente com suas unidades fabris. Anualmente, são investidos cerca de R$ 3 milhões em projetos sociais junto às comunidades.
Qual mensagem gostaria de deixar para os leitores da Geração Sustentável?
É extremamente importante que, cada vez mais, as pessoas passem a se preocupar em dar mais atenção aos aspectos relacionados à sustentabilidade e, a partir daí, exerçam seus direitos e deveres como cidadãos junto aos diversos setores da sociedade – poder público, iniciativa privada e entidades não-governamentais.

A próxima revista na integra estará disponível no início de fevereiro!