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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Artigo - Sustentabilidade como Inovação no modelo de negócios das empresas


Na economia tradicional, clássica, como se sabe, o objetivo fundamental de qualquer organização, das empresas, é obter o maior retorno possível do capital investido. Para tanto, utilizam-se das ferramentas de gestão de que dispõem para superar seus concorrentes, para beneficiarem da melhor maneira possível seus stakeholders.

No entanto devido a diversas mudanças geopolíticas e socioeconômicas, criou-se, além dos fatores econômicos e financeiros, os fenômenos ambientais e sociais no cenário estratégico nos negócios das empresas, não apenas pela decorrência do descaso com que a natureza e as pessoas foram tratadas desde a Revolução Industrial, mas sobretudo pela percepção de que a continuidade do desperdício dos recursos humanos e naturais anunciam, desde então, a falência do modelo  e um impasse para o desenvolvimento das sociedades.

Um dos fundamentos da Nova Economia e da sustentabilidade apoia-se na capacidade de inovação, onde as empresas são responsáveis pelo desenvolvimento de um processo sistêmico de retorno de valor para a sociedade, bem como por soluções sustentáveis para os impactos de suas atividades na utilização e renovação de recursos naturais.

Porém as empresas enfrentam diferentes desafios em cada estágio do seu modelo de negócio e para envolver a sustentabilidade, e devem desenvolver novas competências para enfrentá-los.
O desafio é entender e atender as necessidades das pessoas e do planeta de forma harmoniosa diante das mudanças globais.

O ponto crucial desse posicionamento é inovar com o objetivo de encontrar soluções sustentáveis com base no tripé da sustentabilidade – social, econômico, ambiental e também cultural envolvendo os públicos internos e externos da organização.

Vale lembrar que organizações podem influenciar legisladores, transformando aqueles que são resistentes em se aliar ao desenvolvimento sustentável.

Uma forma é a utilização de protocolos e normas internacionais orientadas para a sustentabilidade, que já é inclusive, uma realidade no Brasil. Por exemplo, se uma empresa pretende entrar para a carteira ISE Bovespa (Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa), esta precisa comprovar que possui ações estruturadas, organizadas e sistematizadas que visem à redução das emissões de gases do efeito estufa nas suas operações e atividades, incluindo  seus parceiros e fornecedores, ou seja, toda cadeia de valor, que devem estar em conformidade com suas ações de sustentabilidade.

Outro ponto seria estabelecer metas para obtenção de eficiência ao utilizar fontes não renováveis (gás, carvão, e petróleo) e renováveis (água e madeira) de recursos naturais, envolvendo toda a sua cadeia de valor, e também trabalhar conjuntamente com seus fornecedores e parceiros para desenvolver produtos e serviços social e ambientalmente amigáveis e reduzir os desperdícios de operação.

*Val Sátiro – Diretora Executiva e Empreendedora do SEU MUNDO SUSTENTÁVEL - www.seumundosustentavel.com.br Educação, Cultura e Soluções na Sustentabilidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

EDUCAÇÃO NA SUSTENTABILIDADE


A junção entre Educação com os objetivos do desenvolvimento sustentável é extremamente fundamental, tanto no que se refere ao desenvolvimento da sociedade e ações menos impactantes ao meio ambiente.

A Educação pode ser vista, como princípio de um processo por onde todos os seres humanos e sociedades podem alcançar seu potencial mais elevado.

Mas será que o modelo de Educação tradicional, atende esta e outras demandas?
Surge assim uma nova forma a Educação Aberta, que é baseada na visãofilosófica do conhecimento como um produto coletivo social, em que o principal foco do conceito é a integração da educação técnica com a educação humanística, possibilitando a reavaliação constante do conjunto de informações acessíveis, e possibilitando a construção de uma nova visão e compreensão do mundo.

Conforme este método criou-se um novo conceito: A EDUCAÇÃO NA SUSTENTABILIDADE, e verificando toda necessidade, resolveu-se integrar processos inovadores delineando uma nova perspectiva educacional, que podemos também chamar de Educação Aberta ou Democrática na Sustentabilidade.

Esta visão sistêmica está relacionada com o entendimento da interconexão entre os envolvidos, ou seja, a visão de que todas as pessoas são parte de um
todo e que cada um, por sua vez é responsável pelo todo, um processo.

A visão sistêmica cria condições para a Educação Aberta na Sustentabilidade crescer, criando-se espaços formais e informais de ensino e aprendizagem, onde a resolução de posturas pessoais conflitantes, por exemplo, sejam substituídas por posturas coletivas inovadoras e orientadas para soluções sustentáveis.

“A Educação na Sustentabilidade parte do pressuposto de que há recursos tecnológicos e financeiros quer podem ser canalizados para o desenvolvimento sustentável, mas sem o apoio dos setores empresariais e governamentais, os avanços são rasos e incipientes.”

(MORIN 2010)
Edgar Morin, nos mostra sabiamente, que a visão sistêmica e integração são uma responsabilidade de criar um futuro sustentável e mais humano, de todos os setores da sociedade e da economia. Porém isto significa mudança de hábitos, reavaliação de métodos de aprendizado e de cultura, e na maneira como as instituições de ensino desenvolvem suas metodologias.

Educação na Sustentabilidade é muito mais que falar de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, ou Responsabilidade Social, é a preparação das crianças, dos jovens e adultos para um novo modelo de cultura / civilização sustentável, envolvendo todas as dimensões da Sustentabilidade.
A formação de um indivíduo hoje deve estar pautada em iniciativas capazes de melhorar ou modificar seu entorno e gerar ações construtivas
E estas ações estão concentradas nos princípios da Inovação e da Educação na Sustentabilidade.
*Val Sátiro
– Diretora Executiva e Empreendedora do Portal para Educação e Soluções na Sustentabilidade SEU MUNDO SUSTENTÁVEL -


Fontes Bibliográficas

Freire, Paulo
– Pedagogia da Tolerância. São Paulo, Unesp, 2004.
Loures, R.C.R
– Educar e inovar na Sustentabilidade, Cultura: Unindus,
2008, p. 110.











terça-feira, 12 de junho de 2012

Entrevista Edição 28 - Humberto Cabral

Humberto de Ramos Cabral é Engenheiro Florestal e Especialista em Gestão Industrial de Tecnologia da Madeira. Em 1988 fundou a Embafort que é uma empresa especializada no desenvolvimento de embalagens industriais de madeira. Cabral atua como conselheiro no IBPQ e na SPVS. Sempre atuando com espírito empreendedor e inovador, Cabral tem se destacado no cenário nacional e internacional por desenvolver produtos que respeitam os fatores socioambientais. Sua empresa já recebeu mais de 30 reconhecimentos por atuar de forma sustentável. Além das embalagens industriais de madeira, Cabral vem desenvolvendo, desde 2008, um novo projeto voltado para a construção de casas ecológicas em Wood Frame e teve este projeto aprovado pelo FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), em 2010. No fechamento dessa entrevista ainda nos comunicou que, em parceria com o TECPAR, terá também a certificação ISO 50.001 – Energia, sendo provavelmente a primeira empresa do setor a receber essa certificação no Brasil. Humberto Cabral falou com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL.
1. O seu projeto de negócio é considerado referência em inovação e sustentabilidade tanto em nível nacional como internacional. Como surgiu a ideia?

Com 23 anos fui estagiar como estudante de Engenharia Florestal no antigo Projeto Jari, em plena Selva Amazônica, entre o Amapá e o Pará. Naquela época, a partir de Belém, levava um dia de barco para chegar até lá. Era o ano de 1979, e a minha função era acompanhar as equipes de inventário Florestal pela selva, com o objetivo de prospectar o potencial de utilização das árvores e dos biomas. Tive a oportunidade de ver muitas maravilhas, como a floresta majestosa, onde provavelmente nenhum ser humano jamais tinha pisado, vi também uma onça preta que me encarou do outro lado de um pequeno córrego. Conheci cachoeiras fantásticas... Ficávamos semanas em plena selva, eu, que já era apaixonado pela natureza, encantei-me ainda mais.

Mas um lugar em especial me encantou, ao qual retornei quatro meses depois, caminhei pelas brumas da manhã no meio da mata e senti um grande mal-estar. Ao caminhar mais alguns metros, saí da mata e vi que tudo aquilo que tanto tinha amado fora derrubado pelos tratores D8. Apenas alguns metros da mata o ar estava seco, sofrido e doentio, uma área de uns cinco km2 estava sendo queimada, as labaredas alcançavam mais de 30 metros de altura, o barulho era ensurdecedor. Naquele momento, jurei que tudo o que fizesse na minha vida seria para proteger a natureza, mesmo sendo uma pessoa sem posse alguma, tinha me apoderado do que NÃO QUERIA. Sofri uma catarse, ou seja, a partir daquele dia sabia o que me dava sentido na vida, agora era saber como fazer isso ser realmente impactante para a natureza.

2. Quais foram os principais desafios enfrentados no início da empresa? Foi necessário criar uma demanda por essas novas embalagens industriais?

Depois do meu juramento, cheguei à conclusão de que faria diferença se fosse dono do meu nariz. Já nasci com essa vontade de ser empreendedor, assim ficava somente dois anos em cada empresa. Morei em vários estados do Brasil e nos Estados Unidos. Um ano após retornar ao Brasil, fui trabalhar em uma grande indústria de compensado e as sobras de produção e o material descartado sempre me encantaram, pois sabia que ali tinha potencial para fazer alguma coisa. Desenvolvi um projeto a fim de produzir embalagens com as sobras e os resíduos, o qual apresentei para o meu antigo patrão que é um “senhor empreendedor”. Na época, porém, o foco dele era outro. Como acreditei no meu projeto, comecei a trabalhar sozinho, com sobras das serrarias de madeira de reflorestamento e as fábricas de compensado... Assim nasceu a Embafort, em 1988.

A Equitel (Siemens), após dois anos de muita insistência, acreditou no meu projeto e começamos a desenvolvê-lo e produzir as embalagens. A inovação foi fundamental, pois alteramos toda a maneira como era feita a embalagem dentro da empresa, o resultado foi tão positivo que os nossos projetos se tornaram padrão no Brasil e no exterior. A maior resistência sempre era sobre o tipo de madeira, pois todos queriam madeiras nobres como Peroba, Cedro, Pinheiro ou, em último caso, Madeira de Lei. Essa sempre foi nossa recusa, pois a visão daquele fogo queima no meu cérebro até hoje.

O interessante foi reeducar as pessoas, explicando que a madeira de reflorestamento como Pinus e Eucalipto, mesmo com suas restrições, são vistos como ativos renováveis e, ao utilizarmos essas espécies, estamos protegendo as nossas florestas nativas.

3. A sua empresa produz embalagens industriais de madeira desenvolvidas com base em outras embalagens. Quais são seus principais clientes (setores) no Brasil e no exterior? Quais são as tendências desse segmento de embalagens?

A Visão da Empresa desde a sua fundação é “Reciclar o Presente e Preservar o Futuro”, não é só reciclar embalagens, mas também conceitos, pessoas, empresas etc.

No ápice da reciclagem, chegávamos a receber quase 30 carretas por dia de material das montadoras e de outros clientes. O que desenvolvemos foi uma integração do nosso Soft de Engenharia e Projetos com nosso Soft de ERP. Ao desmancharmos uma embalagem, alimentávamos com as bitolas disponíveis e o Soft de engenharia adaptava o projeto às bitolas disponíveis. Isso é tão inovador que até hoje somente nós possuímos esse soft de integração e adaptação entre esses dois sistemas, nessas metodologias chegamos a preservar 300 árvores adultas por dia. Esse projeto fez com que a London Business School nos considerasse Benchmarking Mundial na gestão ambiental no nosso setor.

A Indústria Automotiva e de Veículos Pesados e sua rede de fornecedores são o nosso carro chefe. Nossas embalagens, por meio através dos nossos clientes, chegam a mais de 100 países nos cinco continentes.
Vejo o futuro da embalagem como promissor, pois a grande tendência é que as indústrias sejam “Global Players”, como são as montadoras, elas produzem onde é mais viável economicamente e isso tem que ser transportado para todos os outros países. Para se ter ideia, embalamos peças ao equivalente de 50 mil veículos por ano.

4. A sua empresa desenvolve algum processo de monitoramento ou rastreabilidade das embalagens produzidas? É possível controlar quantas vezes uma embalagem foi reutilizada?

A Embafort foi a primeira empresa do seu setor no Brasil a ter ISO 9001, em 1998. Em 2004, fomos, para nossa surpresa, a primeira do setor no mundo a ter ISO 14.001 e, no ano seguinte, certificamos a OHSAS 18.001.

O interessante é que todas essas certificações e esses prêmios (mais de 30) vieram em função do meu juramento, o qual consistia em preservar a natureza. Em seguida, fundei a Embafort, utilizando material reciclado. Aprendi que não conseguiria preservar a natureza se não educasse as pessoas, por isso investimos muito em educação dos funcionários e em projetos sociais. Em 1994, com a mudança da moeda Cruzado para o Real, estávamos à beira de uma falência, assim aprendi que a empresa, para proteger a natureza, teria que ser socialmente justa, mas, em contrapartida gerar lucro, ou seja, até 1994 aprendi, na prática, o que hoje é tão falado “Triple Bottom Line”.

Em função das certificações, desenvolvemos boa rastreabilidade. Um dos projetos que desenvolvemos foi a criação de embalagens One Way, as quais foram utilizadas mais de 58 vezes e retornavam cinco a cada ciclo. A nossa empresa que a reestruturava e reenviava ao cliente.

5. O senhor sempre menciona em seus comentários a relação: passivo ambiental versus ativo econômico. Como funciona essa fórmula de sucesso?

Na realidade, o que comento é que “a maioria dos Passivos Ambientais são Ativos Econômicos”, ou seja, o “Resíduo é matéria-prima no lugar errado”, basta saber utilizá-lo para agregar valor. O que fizemos, e depois fomos copiados pelo mercado, foi transformar um “lixo” de embalagens de madeira em outras embalagens e, com isso, gerar recurso financeiro.

Já trabalhamos com muitos tipos de materiais para reciclagem e o que percebo, no Brasil, é que transformar um resíduo em matéria-prima não gera riqueza. O que gera valor é pegar essa matéria-prima e agregar mais alguns processos e produtos com um bom design, aliás, esse é um dos nossos segredos de sucesso.

6. Além de atuar com embalagens industriais, quais outros produtos e sua empresa vem desenvolvendo? Estrategicamente, quais as novas oportunidades de negócio?

Para poder inovar, precisamos saber quais são nossas expertises e ver o que podemos adicionar a elas. Dominamos os processos e suas interfases de Engenharia, Design, produção em Madeira e de logística, assim vimos que poderíamos desenvolver casas ecológicas também.

Em 2008, apresentamos à FINEP (www.finep.gov.br) um projeto de Casas Ecológicas em Wood Frame, e o nosso projeto de Subvenção (não reembolsável) foi aprovado. Em 2010, aprovamos mais um projeto de Subvenção da Finep das Casas Ecológicas em SIP (Structural Insulated Panel), que é um dos processos mais inovadores em sistema Construtivos no Mundo. Por ser autoportante, esse sistema dispensa vigas, pilares, lages, estrutura de telhado etc., e apesar de seu conforto térmico e acústico serem muito superiores ao sistema tradicional, pode ser utilizado para qualquer tipo de construção.

7. A sua empresa participará da Rio+20, apresentando um projeto voltado para a construção de casas ecológicas com o desenvolvimento de paredes autoestruturantes. Quais são os detalhes desse projeto? Conte-nos mais sobre esse novo desafio...

Somos o único projeto paranaense a ser classificado pela Finep para apresentarmos no Venture Capital da Rio+20. Entre centenas de concorrentes, doze projetos de todo o Brasil foram aprovados. A Rio+20 é, sem dúvida, um dos eventos mais importantes da década em termos ambientais e sociais, apresentaremos nosso projeto para investidores do mundo todo, colocaremos em exposição as nossas Tecnologias Sustentáveis de Construção e de Embalagens.

A nossa meta é ser uma montadora de moradias industrializadas, onde a casa sai pronta da fábrica, nos modelos que existem nos EUA e na Europa. Estamos construindo 15 unidades como projeto piloto, desenvolvidas com estruturas de telhados. Em breve aceleraremos a produção. A nossa meta é produzir 35 casas/dia dentro de três anos.

8. Além de trabalhar com produtos sustentáveis, a cultura da sustentabilidade também deve ser difundida entre os diferentes públicos que a empresa se relaciona, principalmente os colaboradores. Como ocorre esse processo de disseminação internamente?

Ao andar pela Embafort, fica clara a nossa opção pela sustentabilidade, pois o processo não fica restrito à empresa. Trabalhamos para internalizar na vida dos nossos colaboradores que aplicam com seus familiares e nos seus lares os mesmos conceitos, apesar de termos muitos projetos sociais junto à sociedade, a cultura da sustentabilidade é a que tem maior desempenho na avaliação feita na empresa.

9. Que mensagem final gostaria de deixar para os leitores da revista Geração Sustentável?

Em um congresso da AMPEI, escutei de um agente do Banco Mundial duas coisas que acredito muito:
a) primeiro ele falou que os modelos de fazer negócios mudaram radicalmente três vezes na história da humanidade e quem não estava preparado para isso faliu. A primeira mudança foi quando Ford introduziu a produção em série; a segunda foi a Informática. Sem esses dois modelos não seríamos o que somos; e o terceiro que está acontecendo agora é que os negócios precisam ser Ecologicamente Corretos, Socialmente Justos e Economicamente Viáveis, o famoso “Triple Bottom Line”, ou seja, devem gerar resultado ou não passar de uma ideia. Quem estiver fora desses padrões de exigência, logo é estarão fora;

b) a segunda coisa que ele falou e que concordo muito é que nós brasileiros somos muitos criativos, e isso é pura verdade, porém, sempre queremos redescobrir a roda e não desenvolver e inovar algo que está à nossa frente. Na minha concepção, inovar é fazer algo simples, mas significativo e que atenda as novas premissas de fazer negócio.


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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:
Tecnologia e Sustentabilidade: Energia solar: um sonho de consumo
Visão Sustentável: Software de gestão corporativa promove autossustentabilidade para empresas
Responsabilidade Social Corportativa: Responsabilidade empresarial com futuro
Desenvolvimento Local: A sustentabilidade como profissão

Artigos:
Marcio Zarpelon: Sustentabilidade na construção civil
Jeronimo Mendes: Aprendendo com a crise
Ivan de Melo Dutra: Subsídios do governo brasileiro
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Hub Curitiba abre suas portas no dia 14 de dezembro

Espaço internacional de inovação social é inaugurado em Curitiba

O Hub, espaço e rede facilitadora da inovação e empreendedorismo presente em 28 cidades mundiais, ganha um espaço em Curitiba. O evento de inauguração acontecerá no dia 14 deste mês, no próprio local.

O Hub Curitiba já trabalha há 1 ano e meio realizando eventos e intervenções para inspirar o empreendedorismo criativo, inovador e de impacto positivo. Eventos de sucesso como o Start-up Lab, Hub Escola de Inverno e a co-realização do Quinze por Quinze são algumas das realizações que o Hub já trouxe à cidade.

Depois de tanta mobilização, é chegado o momento de inaugurar o espaço que conectará empreendedores e inovadores de Curitiba que trabalham rumo a um mundo radicalmente melhor. Num espaço de 430m² o Hub oferecerá serviços como: espaços inspiradores para reuniões, eventos e para trabalho; um canal virtual de relacionamento com uma comunidade local e global de empreendedores; atividades e oficinas para desenvolvimento pessoal e profissional em rede, além da promoção de eventos voltados à inovação social.

O Hub Curitiba integra uma comunidade de mais de 30 espaços espalhados por todos os continentes e que une mais de 4500 inovadores sociais. Descubra mais sobre o evento de inauguração e sobre como se tornar membro através dos links:
Site Hub Curitiba: www.hub-curitiba.com

Informações Gerais:

O quê? Inauguração do Hub Curitiba
Onde? Hub Curitiba – Rua Comendador Macedo, 233, Centro
Quando? Dia 14 de dezembro

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As 10 ideias sustentáveis mais curiosas

Atualmente, muito se fala a respeito de preservação ao meio ambiente, mas pouco se faz na prática. Confira aqui dez invenções inusitadas que respeitam a Mãe Natureza:


1 – Hotel oferece refeições de graça para quem estiver disposto a gerar eletricidade

O Crown Plaza Hotel, em Copenhague, Dinamarca, oferece uma chance para quem quer fazer uma boa refeição sem deixar de cuidar do planeta. O hotel disponibiliza bicicletas ligadas a um gerador de eletricidade para os hóspedes voluntários. Cada um deles deve produzir pelo menos 10 Watts/hora de eletricidade – aproximadamente 15 minutos de pedalada para um adulto saudável. Após o exercício, o hóspede recebe um generoso vale-refeição: 26 euros, aproximadamente 60 reais.


2 – Bar capta energia produzida pela dança de seus frequentadores

Todas as luzes e os sons de uma “balada” gastam uma quantia considerável de eletricidade. Pensando nisso, o dono do Bar Surya, em Londres, refez o chão da pista de dança de seu estabelecimento e o revestiu com placas que, ao serem pressionadas pelos frequentadores do lugar, produzem corrente elétrica. Essa energia é então usada para ajudar na carga elétrica necessária à casa. Andrew Charalambous, o visionário dono do bar, diz que a eletricidade produzida pela pista modificada representa 60% da necessidade energética do lugar.


3 – Desconto aos clientes que forem de bicicleta

Uma casa de diversão encontrou uma maneira de atrair mais frequentadores, espantando a crise econômica, e ainda ajudar a frear as mudanças climáticas globais. Quem chega de bicicleta, ganha desconto. Segundo Thomas Goetz, dono do local “Maison D’envie”, a recessão atingiu em cheio os negócios. Consumidores que foram pedalando, ou que provarem ter utilizado um meio de transporte público, recebem 5 euros de desconto sobre os tabelados 70 euros (mais de 150 reais) para 45 minutos.


4 – Empresa cria impressora que não usa tinta nem papel

Quem disse que uma impressora precisa de tinta ou papel para existir? Conheça a Impressora PrePean. Diferente das convencionais, ela utiliza uma peça térmica para fazer as impressões em folhas plásticas feitas especialmente para isso. Além de serem à prova d’água, elas podem ser facilmente apagadas. É só colocá-las novamente na impressora que, através de outra temperatura, a próxima impressão ficará no lugar da anterior. A mágica faz com que apenas uma dessas folhas possa ser utilizada mil vezes.


5 – Universidade constroi “telhado verde”

O Design Verde é uma tendência da arquitetura moderna, e não estamos falando apenas da cor, mas sim de locais como o prédio de cinco andares da Escola de Arte, Design e Comunicação da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura. A construção conta com uma cobertura vegetal e sua forma orgânica se mistura com a natureza onde está inserida. Os telhados revestidos de grama servem como ponto de encontro informal, além de ajudar no equilíbrio térmico do edifício e na absorção da água da chuva.


6 – Designer cria pia que utiliza água desperdiçada para regar planta

Feita de concreto polido, a Pia batizada de Jardim Zen possui um canal que aproveita a água utilizada na lavagem das mãos para molhar uma planta. Criado pelo jovem designer Jean-Michel Montreal Gauvreau, a pia vem em bacia dupla ou modelo simples. Se você está preocupado eu ensaboar toda a sua plantinha, relaxe. Uma peça no início do canal drena o liquido e só deixa água sem sabão escorrer até a planta.


7 – Designer cria chuveiro que o obriga a sair quando já desperdiçou muita água

O designer Tommaso Colia criou uma solução para aqueles que adoram passar um tempão tomando uma ducha relaxante (é, você mesmo!). O chuveiro Eco Drop possui círculos concêntricos como tapetes no chão, que vão crescendo enquanto o chuveiro está ligado. Após um tempo, a sensação fica tão incômoda que te força a sair do banho e, consequentemente, economizar água. Cerca de 20% de toda energia gasta no lar vem da água quente utilizada no banho – seis vezes mais do que a iluminação doméstica, por exemplo.




8 – Designer cria interruptor que muda de cor para ensinar crianças a economizar energia


Tio é o nome do interruptor em forma de fantasma que avisa, através de sutis luzes, há quanto tempo a lâmpada está acesa. Até uma hora, a expressão do fantasminha é feliz e a luz do interruptor permanece verde. Se a luz é deixada ligada por mais de quatro horas, ele se assusta e fica amarelo. Já se o morador da casa se atreve a deixar a luz acesa por mais de oito horas, o até então amigável fantasma se zanga e fica vermelho. Com o auxílio visual e tátil, espera-se que as crianças comecem a tomar consciência do desperdício de energia logo cedo, e de uma maneira divertida.



9 – Empresa cria grampeador sem grampos para evitar poluição

Grampos de grampeador são tão poluentes que uma empresa decidiu criar um novo modelo do produto, sem grampos! Em vez dos grampos a que todos estamos acostumados, ele “recorta pequenas tiras de papel e as usa para costurar até cinco folhas de papel juntas”. Se você se empolgou com a ideia, pode encomendar esses grampeadores personalizados para que sua empresa se vanglorie de contribuir para um mundo livre grampeadores com grampos.


10 – Designer cria carregador de iPhone alimentado por aperto de mão

Eis uma invenção que dará uma mão na economia de energia. Carregue seu iPhone com um aperto de mão! O conceito foi chamado de “You can work it out” – uma brincadeira entre encontrar uma solução (work it out) e exercitar-se (to work out) – e foi pensado por Mac Funamizu.




Fonte: http://hypescience.com/as-10-ideias-sustentaveis-mais-curiosas/

terça-feira, 12 de abril de 2011

Silver Spring uma das empresas mais inovadoras

Silver Spring Networks escolhida para a lista das Empresas Mais Inovadoras do Mundo de 2011 (“2011 TR50”) pela Technology Review do MIT

A Silver Spring Networks, uma das principais empresas em plataformas para rede inteligente, foi incluída na lista de 2011 da Technology Review (“2011 TR50”), que anualmente escolhe as empresas de tecnologia mais inovadoras do mundo.

A inclusão da Silver Spring foi baseada em suas soluções inovadoras em rede inteligente, que estão ajudando a criar novos padrões para que as diferentes partes de uma rede se comuniquem. Ao preparar a lista, os editores da Technology Review buscam companhias que estão estabelecendo um novo padrão num segmento cada vez mais importante, seja ampliando as suas fronteiras, ou criando um mercado totalmente novo. Com desenvolvimentos em energia, computação, Web, biomedicina e novos materiais, as empresas que fazem parte da lista usam suas inovações para redesenhar suas indústrias e transformar a forma como vivemos. “Criar uma rede de energia mais inteligente é fundamental para modernizar nossa infraestrutura energética”, afirmou Jason Pontin, Editor-chefe da Technology Review. “A Silver Spring Networks tem se mostrado um líder claro no desenvolvimento de hardware, software e de serviços, trazendo a inteligência computacional para a rede elétrica”.

A lista de 2011 destaca as mudanças significativas em curso em tecnologia, principalmente nos segmentos da computação e de energia. As concessionárias de energia estão usando a tecnologia de rede da Silver Spring para responder à crescente demanda por eletricidade, com melhor aproveitamento das atuais instalações, ao invés de construírem novas instalações. Graças à Plataforma de Energia Inteligente da Silver Spring, a Oklahoma Gas and Eletric, por exemplo, está com melhor gestão da demanda, o que permite que postergue os planos de construção de novas instalações, que custariam mais de US$ 320 milhões para serem erguidas. “Estamos bastante satisfeitos pelo reconhecimento ao nosso trabalho de modernizar a tecnologia de rede inteligente”, disse Scott Lang, presidente e principal executivo da Silver Spring Networks. “Juntos com as concessionárias de energia, estamos abrindo o caminho para a implantação da rede inteligente por todo Estados Unidos e ao redor do mundo. E estamos orgulhosos pelo reconhecimento de nossas soluções inovadoras que estão tornando realidade os enormes benefícios da rede inteligente.” A Slver Spring Networks e as outras empresas incluídas na lista 2011 TR50 serão apresentadas na edição de março/abril da Technology Review; mas a lista já está disponível na versão online, em www.technologyreview.com/companywatch/tr50/.

Sobre a Silver Spring Networks

A Silver Spring Networks é uma das principais fornecedoras de plataforma de rede inteligente, que permite que as concessionárias de energia aumentem suas eficiências operacionais, reduzam as emissões de carbono e capacitem os consumidores a utilizar novas formas de monitorar e controlar seu consumo de energia. A Silver Spring fornece o hardware, o software e os serviços que permitem que as concessionárias implantem e executem múltiplas aplicações avançadas de rede inteligente, incluindo Medição Inteligente, Resposta à Demanda, Automação da Distribuição e Geração Distribuída, numa única rede unificada. A Plataforma de Energia Inteligente da Silver Spring é baseada em padrões abertos de IP (Ipv6), permitindo comunicação contínua de duas vias entre a concessionária e os dispositivos instalados na rede. A Silver Spring tem várias implantações de rede inteligente realizadas em parceria com as principais concessionárias de energia dos Estados Unidos e de outros países, como Baltimore Gas & Electric, CitiPower & Powercor, Florida Power & Light, Jemena Electricity Networks Limited, Pacific Gas & Electric, Pepco Holdings, Inc., e United Energy Distribution, entre outras.

Para mais informações, acesse http://www.silverspringnet.com/

terça-feira, 15 de março de 2011

O evento de Sustentabilidade acontece nos dias 29, 30 e 31 de março em Jaraguá do Sul/SC


O evento acontece nos dias 29, 30 e 31 de março em Jaraguá do Sul/SC

A Conferência de Ação Brasileira para a Alfabetização em Inovação Tecnológica - CABRAL-IT, irá reunir pesquisadores, empresários, professores, acadêmicos, dirigentes políticos, representantes de entidades de classe e de movimentos sociais em um evento de abrangência nacional para a troca de conhecimentos e esclarecimentos dos conceitos fundamentais para o desenvolvimento de produtos, processos e soluções gerenciais inovadoras, sem perder o foco das necessidades sociais e do crescimento

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Matéria de Capa Edição 21: Tempo de rever conceitos e inovar

O relacionamento entre sustentabilidade e inovação mais estreito a cada dia

Todo empresário da atualidade quer carregar consigo as marcas da sustentabilidade e da inovação. A maioria já compreendeu que elas simbolizam mais do que uma boa imagem no mercado, mas também sobrevivência e, principalmente, competitividade. Para isso, muitas empresas passaram a proclamar a importância da responsabilidade socioambiental e da quebra de paradigmas em todos os aspectos da gestão. Todos debatem conceitos sustentáveis, mas a grande maioria ainda agarra-se a métodos e crenças tradicionais, que impedem a transformação do discurso na hora de arregaçar as mangas. No entanto, “inovação não é só ter novas ideias, mas sim converter essas ideias em resultados práticos”, afirma Filipe Cassapo, diretor do Centro Internacional de Inovação (C2i), da Fiep PR, entidade que busca potencializar junto às indústrias o poder de inovação de cada uma.

A grande pedra no sapato do gestor é ter que encarar escolhas que envolvem duas pontas distintas: de um lado a lógica que diz que “em time que ganha não se mexe”; e do outro lado, a criatividade, a busca pelo novo e transformador. O consultor Jair Moggi, sócio-diretor da empresa paulista Adigo Consultores, além de fundador do Instituto Ecosocial, é enfático ao aconselhar os empresários que estão na dúvida na hora de investir em inovação: “Se funciona, já está obsoleto”. Segundo Moggi, ele ouviu essa frase há mais de 30 anos, mas diz que até hoje é perfeita para impulsionar as grandes ações transformadoras corporativas.

“As organizações, em sua maioria, são muito conservadoras, pela sua própria natureza. A tentação de ficar repetindo o que está dando certo é muito grande. É quase natural para muitas lideranças repetir este comportamento e, pior, exigir isso das suas equipes. As empresas ainda preferem ficar na base da melhoria contínua ou da simples inovação. Quando falamos em quebrar paradigmas, falamos em reinventar tudo, e isto assusta muitas lideranças acostumadas com o chinelo velho”, diz.

Para exemplificar o que realmente significa inovar e rever conceitos, Moggi usa sempre um exemplo clássico. “Em 1968, na feira tecnológica de Paris, alguém apresentou um novo relógio. Era o relógio de quartzo, eletrônico, portanto. A invenção não atraiu ninguém porque aquilo não era relógio, pois o paradigma anterior dizia que relógio tem que ter eixo, engrenagens, corda etc. Para encurtar a história, os japoneses compraram a patente e o mundo da relojoaria nunca mais foi o mesmo, tudo teve que ser reinventado neste segmento. O paradoxo é que a empresa que apresentou a proposta era suíça, a pátria dos relógios”, conta.

De acordo com o consultor, a grande lição da reinvenção do relógio é que toda vez que um paradigma é quebrado tudo volta ao começo. Com uma nova situação instalada, é disparada uma sequência de transformações que só são possíveis porque alguém deu início. Mas é claro que um novo cenário dá muito trabalho e assusta qualquer um, principalmente as lideranças. “Essas lideranças ainda estão presas ao paradigma da hierarquia rígida, onde manda quem pode e obedece quem tem juízo, segundo o ditado popular. Essas lideranças criam ou sustentam culturas organizacionais que matam a criatividade individual e coletiva, alimentando o paradigma velho quanto à liderança, à estrutura organizacional e ao paradigma que criatividade para valer só pode vir daqueles que tem o poder de mando. Tenho observado que essa é a tônica nas pequenas e médias empresas brasileiras”, observa Moggi, em entrevista para a revista Vitrine do Varejo.

Inovação, meio ambiente e consumo – Segundo o consultor, esta é a fase em que o empresário precisa aprender a pensar de forma diferenciada, agregando ao tradicional pensamento lógico “um pensar imaginativo, inspirativo e intuitivo”. De acordo com Moggi, aos poucos, os novos conceitos de sustentabilidade levam à mudança naturalmente, afinal há 20 anos não se falava numa visão sistêmica, assim como a natureza não era levada em consideração nas decisões empresariais. “A ecologia nos ensina que qualquer ação, mesmo que tomada de forma racional e lógica, vai ter impactos em outras dimensões que o pensamento racional e lógico ainda não consegue captar, pois vivemos todos num grande sistema interligado por teias sutis. O limite do conhecimento racional e lógico está nos conhecimentos atuais e nos instrumentos atuais. À medida que o conhecimento racional lógico se consolida e o imaginativo, inspirativo e intuitivo avança, novos instrumentos são desenvolvidos e novas realidades começam a se descortinar”, comenta. Pensando dessa forma, é possível entender hoje que cuidar do planeta não é apenas um desejo das comunidades hippies, mas principalmente uma necessidade para os empresários da atualidade. De acordo com Mario Barra, membro da diretoria da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei), “se estagnarmos as inovações e o desenvolvimento da tecnologia, fazendo mais do mesmo, só as emissões de gases efeito estufa tornarão essa possibilidade inviável, isso sem contar com o esgotamento das reservas naturais. Colocado na forma de desafio, é preciso inovar, até pelo contexto socioambiental. Inovar não é só possível, mas necessário para preservar o futuro do planeta e da humanidade”, garante.

Para Beatriz Carneiro, diretora-executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), todas as áreas precisam passar por um processo de inovação. “Precisamos aprender a pensar no longo prazo, sempre partindo da premissa de que nossas ações - sejam na tomada de decisão em uma empresa, na formulação de políticas públicas, no lançamento de um produto no mercado - precisam atender de forma equilibrada as três dimensões da sustentabilidade - a econômica, a social e a ambiental”, explica Beatriz. Além disso, ela lembra que é necessário levar em conta a vontade do consumidor, que exige qualidade de vida. “Vamos precisar aprender a ver a vida de uma maneira diferente. Por isso, enfatizamos muito a questão da inovação cultural. Devemos ter como meta dois preceitos básicos: viver bem - definido como acesso à educação, saúde, mobilidade, alimento, água, energia, habitação e consumo de produtos e serviços; e viver nos limites do planeta - definido como padrão de vida que pode ser mantido com os recursos naturais disponíveis, sem degradar ainda mais a biodiversidade, o clima e os ecossistemas” explica. Na busca pelas soluções, uma questão é certa: a inovação e a sustentabilidade devem estar atreladas. Esse processo, de acordo com Filipe Cassapo, é natural e óbvio. “Na busca pela eficiência de consumo e da transformação dos resíduos gerados, entre outros objetivos, a inovação está atrelada a sustentabilidade, pois uma é o resultado da outra. Nesse processo ocorre a conversão de conhecimento em resultado sustentável”, explica Cassapo.

Beatriz Carneiro também defende que os dois conceitos estão intimamente ligados. “Não haverá futuro se não soubermos lidar com esses dois conceitos. Para atingirmos um grau satisfatório de sustentabilidade vamos precisar de inovação cultural para romper com o paradigma de hoje, no qual o crescimento da população e do consumo está aliado à inércia oriunda de políticas e de modelos de governança inadequados para lidar com tal crescimento. Precisamos igualmente de inovações tecnológicas que nos possibilitem chegar à metade do século com uma produção agrícola 100% maior do que a atual (sem aumentar a extensão de terras agricultáveis e o consumo de água); ou reduzir pela metade as emissões de carbono do planeta, tomando como base o ano de 2005; ou potencializar de quatro a dez vezes a utilização de recursos naturais renováveis”, explica. Cassapo completa ainda que a inovação deve acontecer, em primeiro lugar, no setor produtivo. “É lá que o ciclo começa, e onde há maior consumo de energia e desperdício. Então é nesse setor que deve acontecer a inovação sustentável, pois isso será levado a diante nos estágios seguintes”, comenta Cassapo.

Inovação para reduzir a poluição - Dentro das mudanças necessárias na evolução do processo de produção, relacionado diretamente à sustentabilidade, está a diminuição da poluição. Decorrente da falta de preocupação com os resíduos dos processos industriais, a poluição é hoje um dos principais problemas enfrentados pelas sociedades e que precisa ser resolvido e combatido. “A inovação é a resposta para as questões de combate à poluição. Nela, busca-se então a eficiência de consumo e a transformação dos resíduos gerados. Na inovação dentro das empresas, deve-se buscar converter os passivos ambientais em ativos econômicos”, explica Cassapo. Para Barra, “para atender a demanda em escala planetária é preciso não só usar bem os recursos disponíveis como também reduzir a poluição. Cabe aos gestores da inovação das empresas conceberem produtos e serviços que não sejam poluidores, mas que também revertam o quadro de poluição”, complementa. Para Beatriz, do CEBDS, já estão sendo apresentados vários avanços na área de combate à poluição. “Na área de energia, que é básica para movimentar a máquina da atividade econômica, temos observado o crescimento de fontes limpas e renováveis, como a energia eólica e a energia solar. O problema é que ainda estamos distantes de dar escala a essas fontes de energia. Elas ainda são tratadas como alternativas”, afirma.

Um exemplo claro sobre inovação e revisão de conceitos está acontecendo na indústria automobilística. Em 2010 o mercado deu grande destaque para os vários projetos de carros verdes, evidenciado principalmente os automóveis elétricos. A necessidade de rever o conceito dos carros ficou evidente para o mercado, percebendo que utilizar apenas o biocombustível no lugar da gasolina, por exemplo, seria pouco. Foi necessário rever todo o conceito do automóvel, a forma de fabricação e, em alguns casos, até mesmo sua funcionalidade como meio de transporte ou item de consumo de luxo. A montadora Mercedes-Benz, por exemplo, resolveu investir na venda de um serviço para que as pessoas possam andam de carro, sem precisar comprar um. É o chamado Car Sharing, que funciona como uma espécie de locação de automóvel por hora. A ideia é uma forma de tentar resolver problemas de congestionamento, poluição e de mercado saturado de veículos. As experiências já funcionam na Alemanha e na cidade de Austin, no Estado do Texas, nos Estrados Unidos. O programa Car2Go funciona com um sistema de GPS, no qual é possível localizar um carro pelo telefone celular. Assim, basta verificar a disponibilidade e utilizar o carro pelo tempo que quiser. Depois é só deixar o automóvel à disposição do próximo motorista. O sistema é pré-pago e a operação de tudo fica por conta da própria Mercedes-Benz.

Ecossistemas Industriais - Na busca por alternativas para implantar a inovação sustentável nos processos produtivos, a adoção de ecossistemas industriais vem se mostrando uma das respostas mais adequadas às questões levantadas. Para Beatriz Carneiro, o modelo que precisa ser utilizado é o cenário do chamado modelo fechado. “Esse sistema torna obsoleto o conceito de desperdício. Produtos e materiais podem ser retrabalhados para ter outras funções ou ser usados como matérias-primas para produção de outros bens”, explica Beatriz.

De acordo com Filipe Cassapo, a adoção desse conceito pelo setor produtivo é fundamental para o desenvolvimento sustentável das empresas. “Ao formar ciclos sistêmicos forma-se a inovação em rede, pois as empresas conseguem se relacionar em cadeia, uma complementando a outra. Dessa forma, o resíduo de um torna-se a matéria-prima do outro e as empresas não precisam viver em um mundo de competição sadia. Elas passam a um outro estágio, da convivência simbiótica, o que lhes garante maior tempo de sobrevivência e resultados mais positivos e verdadeiros”, garante Cassapo.

Dentro desse conceito, Mario Barra mostra um exemplo do sucesso dos ecossistemas industriais. “Um exemplo dentro desse contexto é o caso das madeireiras e da indústria de móveis, esquadrias e artefatos de madeira de Rio Branco, no Acre. O processo começa no manejo florestal, uma técnica de seleção e corte de árvores de baixo impacto ambiental, terminando com o aproveitamento integral dos resíduos na produção de pequenos objetos ou na geração de energia. Antes somente 20% da extração da madeirada floresta era aproveitada e agora quase nada é refugado. Até a serragem, que era despejada nos igarapés e poluía as águas, virou fonte de energia para os fornos de padarias e cerâmicas. Exemplo desse sucesso é o consórcio formado por três empresas de pequeno porte: a Libra; a Jarina e a Umalte, empresas que se uniram para produzir um piso a partir da constatação de que cerca de metade das árvores cortadas é descartada dentro da floresta, pois a galhada e os restos de tronco com baixo valor comercial são descartados. O protótipo do piso produzido com a colagem de lâminas de madeira de galhos está sendo testado, o que inclui avaliações de densidade, resistência e outros quesitos indispensáveis de qualidade”, conta Barra.


Caos Organizado
De acordo com o consultor Jair Moggi, uma forma de ajudar as empresas a mudarem a forma de enxergar seu próprio negócio está no que ele chama de caos organizado. É quando as lideranças empresariais conseguem instalar um clima de liberdade para ousar, porém com responsabilidade é pertinente neste momento. Ou seja, uma fase com gestão intuitiva e motivacional e com hierarquia horizontal. “São princípios que servem de balizadores para que os atores organizacionais (lideranças em todos os níveis, do presidente ao pessoal operacional) possam atuar balizados por esses conceitos que são criados coletivamente e, portanto, são seguidos ou respeitados por esses mesmos atores que se sentem donos de todo o processo de gestão. O paradigma a ser quebrado aqui é que eu posso ser o dono do capital, mas não sou o dono do pensar, do sentir e do agir das pessoas.”

“Quando falamos em quebrar paradigmas, falamos em reinventar tudo, e isto assusta muitas lideranças acostumadas com o chinelo velho”, Jair Moggi

“Se estagnarmos as inovações e o desenvolvimento da tecnologia, fazendo mais do mesmo, só as emissões de gases efeito estufa tornarão essa possibilidade inviável, isso sem contar com o esgotamento das reservas naturais”, Mário Barra

“Para atingirmos um grau satisfatório de sustentabilidade vamos precisar de inovação cultural para romper com o paradigma de hoje, no qual o crescimento da população e do consumo está aliado à inércia oriunda de políticas e de modelos de governança inadequados para lidar com tal crescimento”, Beatriz Carneiro


Matéria da Edição 21 - Revista Geração Sustentável (Lyane Martinelli)
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Rindspeed Bamboo: carro elétrico e charmoso

Este é a mais nova aposta ecológica da marca de carros mais conceitual do planeta - a suíça Rinspeed, comandada por Frank M. Rinderknecht -, que será lançado em março de 2011

Todos os anos a marca suíça de carros conceituais Rinspeed* apresenta uma novidade ao mercado automobilístico. O grande lançamento sempre acontece durante o Salão Internacional do Automóvel em Genebra, no qual a Rinspeed já exibiu modelos inesquecíveis como o SQuba, em 2008. O carro, inspirado nos filmes de James Bond, andava embaixo d’água. E com emissão zero de poluentes, ou seja, sem poluir o ar ou a água.

Nos últimos anos, a empresa comandada pelo visionário Frank M. Rinderknecht tem investido em carros ecológicos, desenvolvidos com material reciclável e sustentável e movidos com energia limpa.

Para o Salão de Genebra do ano que vem, que será realizado entre 3 e 13 de março de 2011, a Rinspeed acaba de anunciar o próximo lançamento: o BamBoo. O design do protótipo lembra um carrinho de golfe em proporções um pouco maiores.

Como o próprio nome revela, grande parte dos componentes internos são feitos de fibra de bambu. O carro de quatro lugares e foi inspirado nos verões da década de 70 no sul da França, por isso a parte traseira aberta é perfeita para os dias quentes e ensolarados. O design do BamBoo privilegia a simplicidade. “É a estética na sua mais pura forma”, destaca Rinderknecht.
O Rinspeed BamBoo é um veículo elétrico que utiliza bateria LiFe PO4. Pesa aproximadamente uma tonelada, tem 1.60 metro de altura e atinge uma velocidade máxima de 120 km/h.
Fonte: planetasustentável

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Evento: Inclusão e reabilitação

FORUM DISCUTE MERCADO DE TRABALHO E MOSTRA PRODUTOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Evento promovido pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial, que reuniu especialistas, empresários e representantes do poder público

Apresentar à comunidade industrial um panorama da inclusão das Pessoas com Deficiência reabilitados no mercado de trabalho foi o objetivo do REATIBA – I Fórum de Reabilitação, Inclusão e Tecnologia, realizado nesta quarta-feira (17), no Cietep, em Curitiba. Promovido pelo Conselho Paranaense de Cidadania (CPCE), da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o fórum reuniu especialistas e representantes do poder público para discutir, entre outras questões, a Lei de Cotas e a Lei de Cotas da Aprendizagem.

O evento apresentou também uma mostra de produtos, serviços e tecnologias diferenciadas voltadas a essa parcela da população, além de diálogos sobre questões específicas sobre os diversos tipos de deficiência – visual, física, intelectual e auditiva. As empresas Copel, Novozymes, Sadia, Wall Mart, Volvo do Brasil e HSBC apresentaram os cases de seus programas de inclusão. O desfile de roupas para PcD, desenvolvidas pela professora do Senai Cianorte, Leny Pereira, encerrou o evento.

“É importante perceber que somos um público de 24 milhões de pessoas no Brasil todo que sofre de algum tipo de deficiência, e que essas pessoas estão ávidas por produtos que atendam suas necessidades”, disse a empresária Mirella Prosdóscimo, sócia da Adaptare, consultoria especializada em acessibilidade. “É importante que essa demanda tenha expressão e que sejam feitos investimentos no sentido de desenvolver produtos, principalmente nesse momento, em que a questão está tendo mais enfoque”, afirmou Mirella, que faz parte do CPCE.

“O Fórum pretende envolver discussão, idéias, legislação, além de oportunidades e levar essa questão para uma esfera mais ampla, com autoridades estaduais e federais no assunto”, disse o presidente executivo do CPCE, Victor Barbosa. Participaram do evento o secretário municipal especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba, Irajá de Brito Vaz; o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Paulo Afonso Costa; a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Mariane Josviak; além de Romeu Sassaki, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE) e Carla Mocelin, coordenadora do núcleo executivo do CPCE.

De acordo com o secretário Irajá de Brito Vaz, proposta do fórum é facilitar a comunicação entre o que a indústria produz, em termos de produtos voltados às pessoas com deficiência, e o consumidor. “O REATIBA tem a função de ser concentrador de novas idéias e tecnologias e divulgá-las no mercado. A ideia é tornar o nome REATIBA uma referência no calendário anual de Curitiba. fazendo com que esse fórum se transforme em uma feira, a exemplo do que já acontece em alguns Estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, disse ele.

Para o secretário do Trabalho e Emprego de Curitiba, Paulo Afonso, ainda há muito a avançar nessa questão. “Segundo o senso de 2000, há cerca de 190 mil pessoas com deficiência em Curitiba e, destas, de acordo com dados do CAGED 2009, apenas 6.170 estão empregadas”, disse ele.

Romeu Sassaki, do CONADE, enfatizou a diferença entre uma empresa integrativa e uma empresa inclusiva.. “O primeiro caso é da empresa em que a empregabilidade é responsabilidade exclusiva do candidato, é ele que deve estar pronto para ser empregado. No caso da empresa que pratica a inclusão laboral, a empregabilidade é responsabilidade compartilhada 50% pela empresa e 50% pelo candidato”, explicou ele.

Fonte: Comunicação Social
Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Madeplast apresenta ao mercado a madeira ecológica

A Madeplast, empresa pertencente ao Grupo Radiante, de Curitiba, inaugurou sua primeira loja para apresentar ao mercado a madeira ecológica, feita a partir de compósito de resíduos de plástico e de resíduos de madeira. Os empresários, arquitetos, engenheiros e dirigentes de entidades parceiras da Madeplast puderam conferir as inúmeras aplicação da madeira ecológica. O mobiliário, piso e escadas da loja são feitos com o produto, que pode ser usado também na construção de decks para piscinas, lambris e projetos paisagísticos.

Resultado de três anos de pesquisa, a madeira ecológica possui a aparência e aplicações similares às da madeira, com a resistência e durabilidade do plástico. “A expectativa de mercado é muito positiva”, disse o superintendente da Madeplast, Guilherme Bampi. “A madeira ecológica tem durabilidade de 20 anos, mesmo exposta a intempéries, e dispensa uso de verniz, antifungos e selador. Além das características técnicas, o produto contribui para a sustentabilidade, pois retira resíduos do meio ambiente e evita o abate de árvores”, explica.

A Madeplast foi formada na incubadora da Universidade Positivo, onde deu início ao desenvolvimento da madeira ecológica. O projeto recebeu apoio da FINEP e do CNPq. Em 2009, foi contemplado no Edital Inova, do Senai Nacional, e passou a ser desenvolvido em setembro daquele ano, em parceria com profissionais do Senai Paraná. Todos os testes de aplicabilidade do produto foram feitos no Laboratório Técnico de Ensaios (Labten), do Senai São José dos Pinhais. “O Edital Inova foi muito importante, porque pudemos usar a estrutura e a expertise do Senai para o desenvolvimento do produto”, disse o presidente da Madeplast, Hélio Bampi, que é também vice-presidente da Fiep.

Para o diretor regional do Senai Paraná, João Barreto Lopes, o caso da Madeplast demonstra a importância de iniciativas, como a do Edital Inova, para apoiar e estimular a inovação na indústria. “Quando encontramos empreendedores que entendem o sentido da inovação, surgem bons frutos, como é o caso da madeplast" disse ele. "A madeira ecológica é um produto inovador, que tem ênfase na sustentabilidade. Acredito que projetos como esse ajudam a valorizar todo o setor industrial do Estado", afirmou Barreto.

Segundo a gerente de Inovação do Senai-PR, Sônia Regina Parolin, existem hoje em andamento 18 projetos de indústrias paranaenses apoiados pelo Edital Inova. "Todos são desenvolvidos em parceria com o Senai Paraná. Muitos desses projetos já se transformaram em produtos inovadores e começam a ganhar mercado, como é o caso da madeira ecológica”, disse ela.

Fabricação - A Madeplast já tem em funcionamento uma fábrica em Manaus, que começou a operar há dois meses, com lotes experimentais. A produção em escala desta primeira unidade começa no início de 2011, quando entrará em operação, também, uma segunda unidade, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. “Nossa previsão é de, em três anos, atingirmos capacidade de produção de 1,5 mil toneladas de produto ao mês”, disse Guilherme Bampi. “Até o final deste ano estaremos atentos ao desenvolvimento do mercado”, afirmou.

Segundo Bampi, um dos pontos relevantes a ser destacado é o fato de a madeira ecológica da Madeplast não exigir mão-de-obra diferenciada em relação a utuilizada em produtos semelhantes à madeira, assim como nos equipamentos usados para sua aplicação.
Fonte: Assessoria FIEP

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Nova edição da Geração Sustentável - Matéria de Capa

Visão interior, olhar exterior

É preciso saber dosar, na medida e no momento certo, o uso das ferramentas e indicadores de sustentabilidade corporativa

Quem nunca se imaginou dotado de uma visão de raios-x, assim como o famoso super-herói criado em 1938. Afinal, além de super-homens e super-mulheres, a sociedade atual necessita, com urgência, de super-empresas capazes de lançar um olhar de raios-x para seus núcleos. Empresas que conseguem olhar para dentro de si mesmas têm enxergado, com mais facilidade, pontos que precisam de mudança. Esta visão é composta por indicadores e ferramentas para medir a sustentabilidade corporativa.
O consultor em Responsabilidade Social, Juvenal Correia Filho, que é e psicólogo com MBA em Direção Estratégica, ressalta que ética e transparência são fundamentais, pois conduzem todo o processo de responsabilidade socioambiental. Afinal, com uma visão autocêntrica e egoísta, as empresas passam a desempenhar um papel ruim na sociedade, pois criam expectativas que não são atendidas, mesmo que isso seja a longo prazo. “A nova competitividade das empresas passa pela sustentabilidade”, acredita.

Segundo ele, hoje os processos de gestão precisam dar uma resposta para o mercado e para os investidores, por isso, um olhar “para o umbigo”, neste caso, é indispensável. “O investirdor avalia, por exemplo, se a empresa se encaminha para uma economia verde”, exemplifica.

Neste aspecto é bom lembrar que até pouco tempo atrás, empresa sustentável era aquela que evidenciava sustentabilidade financeira, medida por relatórios e indicadores econômicos. “Atualmente, temos a concepção de uma nova criação de valor, que prioriza as três dimensões (econômica, social e ambiental) de forma equilibrada. Antes só importava o balanço financeiro, e os passivos gerados pelo valor econômico não entravam na questão”, lembra Correia Filho.

Embora ainda integre um processo em desenvolvimento, a gestão por indicadores acompanha a necessidade de se entender, inclusive, o que é o desenvolvimento sustentável. “Pois a empresa não existe só para ter lucro. Ela tem, inclusive em seu alvará, uma razão social. Tem que ter lucro e ser sustentável. É preciso investimento no equilíbrio e mudança de olhar para se chegar à longevidade”, sustenta.

Este processo, de acordo com o consultor, tem estreita relação com o diálogo realizado com os stakeholders, pois a longevidade é uma grande vantagem. “Eles querem saber se a empresa onde se está investindo tem menor possibilidade de gerar passivos, pois vivemos em um planeta com recursos finitos e é preciso administrar de forma sustentável”, comenta. Outra relevância destes indicadores é tirar a percepção errônea que RSE é ação social. “Não se trata de ser bonzinho, mas de se manter no mercado”, salienta.

Correia Filho alerta que para atender a todos estes objetivos de forma completa é fundamental, inicialmente, escolher a ferramenta correta, para não gerar uma “visão míope” sobre as empresas. Dois modelos amplamente utilizados são do Global Reporting Initiative (GRI), da organização com sede na Holanda; e do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, instituição brasileira.



terça-feira, 1 de junho de 2010

FIBoPS – FEIRA E CONGRESSO INTERNACIONAL

Um novo conceito para intercâmbio de inovações e conhecimento

Começa dia 27 de Julho, em São Paulo, a 3ª Fibops, uma feira pró-sustentabilidade diferente do que se tem visto no mercado. De 27 a 29 de Julho no Centro de Convenções Frei Caneca.

Especialistas de vários países estarão reunidos para compartilhar soluções e reflexões que dão forma às inovações sustentáveis do momento.

Organizada pelo Instituto Mais e com o apoio institucional de grandes entidades representativas, a FIBoPS representa uma visão diferenciada de feira temática, que vincula ensino à pratica, de tal forma que envolve em um só ambiente um amplo leque de opções para apreensão e divulgação de conhecimentos. Nos três dias de feira, o visitante terá a oportunidade de escolher a atividade que atenda melhor às suas necessidades.

Ele terá, por exemplo, como opções, Congresso Internacional com a participação de especialistas de vários países, as salas técnicas com palestras, workshops e jogos corporativos desenvolvidos por consultores convidados, e no pátio a mostra das inovações em produtos e práticas pró-sustentabilidade dos expositores.

NOMES CONSAGRADOS

O Congresso Internacional conta com 08 eixos temáticos, além do intercâmbio de cases. São eles: Arquitetura e Construção; Inovações Tecnológicas; Energia, Emissões e Economia; Transporte e Turismo; Agronegócios e Logística; Saneamento e Serviços Ambientais; Moda, Beleza/Saude e Consumo; e TI Verde.

Estarão palestrando importantes nomes nacionais e internacionais, entre eles, Roberto Nicolsky (Protec), Moyses Simantob (FGV), José Domingues Gonzales Miguez (MCT), Fabio Meirelles (SENAR), Benedito Braga (WWC), Jeanine Pires (Embratur), Dominique Bidou (HQE), José Everaldo Vanzo (Sintercon), Raymond Rieck (Illinoius College), Heiko Spitzeck (Cranfield Doughty), etc.

Heiko Spitzeck, Professor na Universidade de Cranfield Doughty do Centro de Responsabilidade Corporativa no Reino Unido, diz a respeito da FIBoPS: "Os desafios ambientais e sociais não conhecem fronteiras e não podem ser solucionados por uma pessoa ou se quer uma organização. Por isso e importante formarmos redes de pessoas e organizações em todo o mundo que se juntam para confrontar os desafios de maneira colaborativa"

UMA EXPOSIÇÃO PARA SER VISTO POR QUEM INTERESSA

A FIBoPS é uma feira moderna, inovadora, que trouxe para o cenário da responsabilidade socioambiental um espaço qualificado para a troca de informação e experiências entre as empresas, governo e terceiro setor.

Sua programação atrairá para o ambiente da exposição um público especializado, formador de opinião e participante da extensa cadeia de valor que já se formou em torno das atividades ligadas à questão da sustentabilidade, nas suas dimensões econômica, social e ambiental.

Este novo conceito, mais agregador e democrático é a marca da 3ª FIBoPS, que espera receber entre 8 e 10 mil visitantes, um público altamente qualificado e formador de opinião. Em 2009, 70% dos visitantes da feira tinham superior completo e especialização.

Mais Informações:

São Paulo, 02 de Junho de 2010.
Kathellym Santos
Fones: (11) 3257-9660/ 3729-9005
kat@maisprojetos.com.br
www.fibops.com.br

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tecnológica, Sustentabilidade e Cooperação

Tecnológica, Sustentabilidade e Cooperação

Por Mario Barra

As imagens do sofrido povo haitiano deixam profundas marcas em nossos corações e mentes. São testemunhos do quanto é difícil a vida dos quatro bilhões de seres humanos deste planeta, população excluída da economia formal, que sobrevive com menos de US$ 3 por dia. Nossa referência é sempre os (apenas) 800 milhões que ganham mais de US$ 15 mil por ano. Completando a população mundial de 6,3 bilhões, existe o segmento dos que vivem na classe emergente, ávidos por ascender a padrões razoáveis de bem-estar.


Se para atender a essa demanda reprimida produzirmos sem sustentabilidade, não sobrará planeta. Precisamos mudar radicalmente o modelo atual, aprendendo a produzir mais com menos, sem agredir o meio ambiente. Para tanto, é preciso inovar, atribuição especifica das empresas, já que é através delas que o conhecimento é concretizado em produtos que atendam necessidades e melhorem a qualidade de vida dos consumidores.


O tamanho do desafio é imenso, pois além da inclusão de 2/3 da população mundial, será preciso atender ao seu aumento projetado para 10 bilhões, em 2050. Para medir o salto tecnológico e as inovações necessárias, devemos considerar o impacto ambiental como diretamente proporcional à população, ao patamar de consumo e à tecnologia usada. Considerando cada variável a menos do surgimento de uma pandemia, a tendência é a população mundial crescer, o consumo é a medida direta da melhoria do padrão de vida, aspiração natural da população que vive na base da pirâmide. Dividindo os US$ 25 trilhões dos sete milhões de milionários, sobrarão US$ 6 mil para cada um dos excluídos, o que é bom, mas não resolve. A única saída é, ao invés de dividir os peixes, aprender a pescar mais e melhor, pela via da inovação tecnológica. Na escala requerida, iniciativas pontuais não darão solução ao problema. Só a mega escala de uma explosão de inovações tecnológicas, partindo da mobilização e engajamento da indústria, dará condições para criação de uma massa crítica necessária para alcançar a dimensão da resposta requerida.

De acordo com Stuart Hart, uma das maiores autoridades mundiais no efeito das estratégias empresariais sobre o meio ambiente e pobreza e professor de administração da Universidade de Cornell (EUA), a atividade econômica precisa ser multiplicada por dez para atender as necessidades da população projetada. Só a energia é responsável por 25% das emissões de gases efeito estufa. Se essa geração for multiplicada por dez, não haverá planeta que sobreviva a tal poluição. Só inovação tecnológica e que de fato agrega valor, fruto do conhecimento muitas vezes já disponível, resolve e precisa ser multiplicada por vinte para amenizar o impacto ambiental, segundo Hart, e será a maior oportunidade de mercado para as empresas inovadoras, conclui o autor, palestrante convidado da X Conferência Anpei – Associação Nacional das Empresas Inovadoras, que será realizada em Curitiba de 26 a 28 de abril.


Para citar só um exemplo: iluminação por LED precisa quase dez vezes menos energia para se obter o mesmo efeito de uma lâmpada incandescente. Porque, então, não é usada? A resposta é: pela forma como a sociedade valoriza os produtos - título do último livro de Hart “Capitalismo na Encruzilhada” - e pela falta de difusão do conhecimento via inovação tecnológica. No entanto, é preciso ressaltar que o Brasil possui empresas que lidam a inovação como prioridade, tendo alcançado uma eficiência em sua gestão e cooperação interna e externa. Essa prática, que também será demonstrada durante a Conferência de Curitiba, deve ser incentivada para que mais companhias comecem a adotar a inovação como questão para a sobrevivência do planeta e não apenas para competitividade mercadológica.

*Mario Barra é membro da diretoria da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e Coordenador da X Conferência Anpei