----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Mostrando postagens com marcador consumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consumo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Energia solar: um sonho de consumo



Interesse de investidores para baratear custo aumenta chances de popularização desta fonte energética

Informações recentes divulgadas pela Secretaria Nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) apontam que em quatro ou cinco anos, a energia solar deverá ter um custo competitivo e passará a integrar a matriz energética brasileira. O uso de energia solar é uma tendência mundial e o Brasil já é considerado referência no fornecimento das telhas fotovoltaicas que fazem a captação da luz do sol transformando-a em energia.

De acordo com Rômulo Viel, coordenador do Comitê de Sustentabilidade da Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios — Paraná Metrologia, a energia solar apresenta vantagens quando comparada a energias elétrica ou a gás devido ao seu menor impacto ambiental, graças à ausência de emissões de gases de efeito estufa na geração de energia. “A sustentabilidade da energia solar se deve à sua forma de obtenção, que consiste em uma matriz de baixíssimo impacto ambiental quando comparada às demais. A energia solar permite ainda que pequenos módulos abasteçam localidades antes inacessíveis pelos métodos convencionais”, declara Viel.

O coordenador concorda que o mercado para utilização de energia solar está em expansão, porém, afirma que ainda ocupa parcela bastante pequena na composição total da matriz energética. “Os recentes avanços tecnológicos, que barateiam o acesso a essa fonte de energia, permitem assumir que a energia solar alcançará participação cada vez maior, em detrimento da energia com base em fontes fósseis”, analisa. Ainda segundo Viel, pode-se esperar um aumento significativo do uso desse tipo de energia devido, principalmente, ao avanço tecnológico ascendente, que permite baratear o acesso à energia solar.

Os diretores da Solbravo S/A, indústria de pesquisa, desenvolvimento e inovação em energia solar, Paulo Bastos e Rodrigo Silvestre, têm conhecimento teórico e prático para falar sobre esse crescente mercado. Desde 2010 eles estão à frente do empreendimento que tem chamado atenção de diversos públicos: alunos, professores, pesquisadores, consumidores, investidores, empreendedores e até mesmo inventores e artistas.

Segundo Bastos e Silvestre, as demandas dos públicos são diversas. “Temos recebido convite para participar de pesquisas, estudos de caso e palestras relacionados com temas de energia solar, energia renovável, inovação e empreendedorismo. Essa demanda sinaliza para a atualidade do tema e para a importância do mesmo no meio acadêmico”, conta o diretor administrativo Paulo Bastos.

O número de pessoas e entidades dispostas a investir em inovações na área de energias inteligentes, renováveis e sustentáveis é muito grande, conforme afirma o diretor de operações da Solbravo Rodrigo Silvestre. “Como a empresa foi planejada como sociedade anônima, tem sido possível atender a diversas oportunidades de investimento. Recebemos demandas desde pessoas físicas investindo pequenos montantes até negociações com multinacionais”, comemora.

O uso de energia solar já está sendo popularizado também entre empreendedores individuais, inventores e artistas. Esse público procura a Solbravo com o objetivo de desenvolver parte de seus projetos que envolvem energia solar em alguma dimensão. A empresa também teve grande manifestação de demanda por parte dos consumidores. De acordo com Bastos, o que chama a atenção é que a procura tem vindo inclusive de fora do país, como Uruguai e Haiti, mostrando que o Brasil está se tornando referência no uso dessa tecnologia.

Demanda de consumo

A demanda de consumo de energia solar atualmente é de 30% para obras residenciais, 30% em obras públicas, 30% obras industriais ou comerciais e 10% para outros tipos. “Os sócios e colaboradores da Solbravo compartilham uma visão sobre o futuro e para atingi-la acreditamos que é preciso tornar a tecnologia acessível a todos. É nosso papel pensar e materializar meios para que a energia solar seja a solução para os problemas cotidianos de nossa sociedade”, explica Bastos.

Ainda de acordo com os diretores da Solbravo, a grande maioria dos clientes tem procurado a empresa para tornar suas habitações sustentáveis. “Essas pessoas e empresas relatam que a possibilidade de integrar a energia solar na forma de telhas semelhantes às convencionais simplifica a decisão. A atual disponibilidade de inversores do tipo ‘grid-tie’, que tornam os sistemas livres do uso de baterias e reduzem significativamente o custo do sistema, também impulsiona a procura”, conta Silvestre.

Bastos e Silvestre defendem especialmente a popularização da tecnologia para programas governamentais como Minha Casa Minha Vida. “As habitações construídas dentro de programas públicos poderiam incluir também tecnologias sustentáveis. É importante destacar que já existem iniciativas belíssimas nessa direção feitas pelo Brasil, mas que ainda é preciso que isso se torne um dos pilares fundamentais do programa de acesso a habitações dignas a todos os brasileiros”, relata Bastos. Segundo ele, se forem incluídas soluções como energia solar para gerar eletricidade, seria possível ter os mesmos resultados com um custo inicial semelhante ao dos atuais programas, mas com custos de operação muito menores.

Custos como barreira

A utilização das telhas fotovoltaicas para produção de energia através da luz solar ainda é considerada uma opção cara. Isso ocorre porque, segundo Silvestre, a comparação é feita erroneamente. O diretor utiliza como exemplo uma casa de alto padrão, que consome cerca de 300 kWh por mês e que teria que desembolsar algo em torno de R$ 50 mil para ter sua casa 100% abastecida com energia solar pelos próximos 20 a 25 anos.

Para comparar, Silvestre supõe que essa mesma família tem geralmente um ou dois carros com motor 1.6 ou 2.0, tendo cada um o custo de R$50 mil e duração de no máximo 10 anos. Segundo ele, a principal diferença é que, nesse período, o carro irá consumir mensalmente combustível, manutenção, seguro, irá poluir o ambiente e irá gerar trânsito nas grandes cidades. O sistema solar, por sua vez, irá gerar uma economia mensal de cerca de R$ 150, irá reduzir a pegada de carbono daquela família e irá retornar 100% do dinheiro investido em sua aquisição. “É tudo uma questão de hábito de consumo. A Solbravo acredita que cada vez mais os consumidores preferirão a energia solar ao carro a gasolina nos próximos anos como seu sonho de consumo”, prevê.

Rômulo Viel, da Paraná Metrologia, concorda que é o custo inicial ainda é caro, o que constitui a grande barreira para a popularização do seu uso. “Hoje, ainda é alto, sobretudo em pequena escala a tendência é a de reversão desse cenário”, prevê o coordenador. Segundo ele o retorno do investimento depende de vários fatores, mas, sobretudo, depende da quantidade de módulos alocados para a captação da luz solar incidente”, pontua.

Simplicidade e sustentabilidade

A luz do sol é uma excelente opção para ser utilizada pelos seres humanos porque está disponível em praticamente todos os locais habitáveis do planeta. Ela é uma fonte abundante e o impacto sobre seu uso é mínimo. “Comparada com a principal fonte atual de energia, que é basicamente a queima de material para gerar energia, a energia solar é mais limpa, pois não emite carbono durante sua produção”, compara Silvestre.

Para os clientes, o uso da energia solar integrado às suas habitações gera benefícios como a redução do valor monetário das contas de luz, reduz a pressão sobre as companhias de geração e distribuição de energia elétrica (que se tornam parceiras do consumidor-gerador), além de valorizar o imóvel por sua dimensão sustentável.

Segundo Silvestre uma das grandes belezas da energia solar é sua simplicidade. “Não vejo uma família com quatro pessoas tendo uma pequena usina hidrelétrica ou uma termelétrica a carvão em suas casas na cidade. Ou ainda que tenham condições para tal, não é provável que possam elas mesmas instalar e operar tais soluções. Entretanto, a energia solar, especialmente a solução de telhas proposta pela Solbravo, permite que qualquer pessoa possa instalar e operar o sistema”, expõe o diretor. Os profissionais destacam, no entanto, que por se tratar de um sistema elétrico, é fortemente recomendada a supervisão de um profissional para a instalação.

Conforme explicam Silvestre e Bastos, o uso de inversores também tornou muito mais simples e barata a instalação dos sistemas para captação de energia solar. “Eles basicamente conectam as telhas ou painéis diretamente na rede elétrica, assim geram economia sem desligar a casa da rede elétrica convencional. A regulamentação deste tipo de ligação, que está tramitando atualmente no Brasil, é fundamental para que essa relação entre os consumidores-produtores e as companhias elétricas seja harmoniosa e benéfica para todos”, concluem.

Idealizadores do projeto de energia solar - Solbravo
Sobre a Solbravo SA

A Solbravo S/A é uma indústria de pesquisa, desenvolvimento e inovação em energia solar. Seu objetivo é fornecer a seus clientes conhecimento atualizado e de alto nível em engenharia simultânea e gestão da inovação. As soluções da empresa podem variar desde a instalação residencial de painéis fotovoltaicos até a criação de um modelo totalmente novo de negócio para o cliente.

O tripé da sustentabilidade é a base para os valores que norteiam a ação na da empresa. Cada ação, cada solução, só pode ser levada adiante se todos os aspectos estiverem sendo considerados. “A produção de energia solar de maneira eficiente ainda requer inúmeras inovações. A produção das células fotovoltaicas ainda não atingiu sua máxima eficácia, e seu custo de produção pode ser reduzido”, explica Silvestre. Outras formas de aproveitamento da energia solar, como para aquecimento, iluminação, catalização de biodigestores, entre outros, também estão sendo desenvolvidas pela empresa.

Sobre a Paraná Metrologia

A Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios é uma Organização Não Governamental (ONG) que tem como principal objetivo a difusão da cultura metrológica no Estado do Paraná. A instituição atua como articuladora entre as empresas e seus associados, aproximando os ofertantes e demandantes de serviços tecnológicos nas áreas de metrologia e calibração.

A instituição contribui de maneira definitiva para a qualificação e agregação de valor ao autêntico produto paranaense a fim de permitir seu enquadramento nos padrões nacionais e internacionais, capacitando-o a enfrentar a competitividade nos mercados globais. A atuação da rede ainda é recente na área de sustentabilidade, característica que tem se tornado um diferencial na comprovação da qualidade de um produto. Um comitê foi criado em novembro de 2011 visando difundir ideias sustentáveis no Paraná.

Como gerar energia a partir do sol?

Não existe apenas uma forma de capturar a luz do sol e transformá-la em energia. Os métodos de captura da energia solar podem ser diretos (quando há apenas uma transformação para fazer da energia solar um tipo de energia utilizável pelo homem) ou indiretos (deve haver mais de uma transformação para que surja energia utilizável)

Captação direta

- Telhas fotovoltaicas (tecnologia utilizada pela Solbravo) - A energia solar atinge uma célula fotovoltaica criando eletricidade. (A conversão a partir de células fotovoltaicas é classificada como direta, apesar de que a energia elétrica gerada precisará de nova conversão - em energia luminosa ou mecânica, por exemplo - para se fazer útil.)

Captação indireta

- São sistemas que utilizam a energia solar para, por exemplo, transformar sal em estado sólido para o estado líquido. O Sal aquecido é utilizado para aquecer água e então mover uma turbina que gera eletricidade.

Jornalista Bruna Robassa

=====================================================


Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:

Visão Sustentável: Software de gestão corporativa promove autossustentabilidade para empresas

Responsabilidade Social Corportativa: Responsabilidade empresarial com futuro

Desenvolvimento Local: A sustentabilidade como profissão


Artigos:

Marcio Zarpelon: Sustentabilidade na construção civil

Jeronimo Mendes: Aprendendo com a crise

Ivan de Melo Dutra: Subsídios do governo brasileiro

=====================================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade

A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

quinta-feira, 21 de julho de 2011

SOBRE BEM-ESTAR DE ANIMAIS/BEA MANTIDOS EM CONFINAMENTO.




(Entrevista concedida pelo Biólogo Gastão Octávio Franco da Luz, sobre bem-estar animal para a edição 23 da Revista Geração Sustentável para a jornalista Criselli Montipó)

1. Os setores de produção agropecuária alegam que BEA é um tema controverso, dada a dificuldade de medir cientificamente. Como vê este posicionamento?
R- As dificuldades são inversamente proporcionais à existência de equipes pluridisciplinares, quando das tomadas de decisão, ou seja: projetos de bem-estar animal. Se apenas empresários e a visão econômica atuarem, a questão torna-se de fato impossível. Por outro lado, se profissionais das áreas de Medicina Veterinária, Ciências Biológicas, Engenharia Agronômica, por exemplo, forem chamados às formulações, prescrições científicas serão elaboradas, pois o saber acumulado responde às necessidades de atuação correta sobre o tema.

2.Entretanto, as entidades ligadas aos setores produtivos admitem que o bem-estar animal é componente importante da qualidade. O único entrave, segundo eles, é o custo de produção. Poderia comentar sobre isso?
R- O custo do setor produtivo atuar apenas com o viés econômico, invariavelmente é muito maior. Quando os princípios (científicos) deixam de ser implementados, as conseqüências vão desde comprometimentos em termos de Saúdes Pública e Animal, até o próprio desastre econômico. Improcedências corporativas levaram a eventos como a BSE (Bovine Spongiform Encephalopathy), ou Encefalopatia Bovina Espongiforme, vulgarmente conhecida como Doença da Vaca Louca, tornou-se um clássico. O Prion, (também responsável pela DCJ/Doença de Creutzfeld-Jakob), resulta de uma contradição frente ao conhecimento biológico: não se produz alimento saudável a partir de partes de uma espécie, para nutrir indivíduos da mesma espécie. A literatura corrente (da Filosofia à Biologia) está aí para fazer lembrar que, o canibalismo, não está previsto na ordem da Natureza. E este é um marco referencial de que, a “esperteza” economicista, tem um preço elevado. Valendo-me da máxima popular, este é um caso em que “o barato (para os produtores), saiu caro (para toda a rede produtiva)!

3.Na maioria, tais entidades reforçam que o consumidor é quem vai pagar a conta, ou seja, o encarecimento do produto para a manutenção do bem-estar animal. Como analisa esta questão?
R- A primeira questão, é: e quando foi que o consumidor não pagou a conta? Segunda: o produtor paga a conta, quando suas incorreções comprometem a vida do consumidor? Terceira: será que a resistência, em relação às exigências lógicas da BEA, não decorrem da hegemonia do pensamento econômico de produção em escala? Eu também poderia ponderar com a conhecida fome de lucros ...

4.O Brasil é o maior exportador de carne, entretanto, está atrasado com relação à legislação sobre BEA. A que está relacionado este atraso?
R- Alguns slogans, ajudam a entender: “Desenvolvimento a qualquer custo!”. “Alavancar a Economia!”. “Celeiro do um mundo!”. “Commodity”. Sob estas regras e prerrogativas, de fato, não há espaço para conhecimento científico, prevenção, responsabilidade sócio-ambiental e quetais.

5.O fato de o Brasil exportar para a Europa, por exemplo, que tem legislação específica sobre BEA, pode influenciar a produção brasileira? De que maneira?
R- Sim, pode. Porém, há um condicionante: que os europeus desfavoreçam, combatam e boicotem os slogans que eu cito, na questão anterior. Mas, para quem tem sérios problemas de abastecimento interno, recursos exauridos (água, solo, ...) e habituou-se a importar dos “celeiros”, como fica?

6.As instruções normativas vigentes no Brasil sobre BEA, têm colaborado de alguma maneira?
R- Penso que: (a) no Brasil, haver lei, não significa haver legitimidade e/ou cumprimento de normas; (b) onde tudo pode ser negociado de última hora (acompanhe-se o anátema sobre o Código Florestal), nada implica em “certeza”; (c) enquanto a Economia de Escala for a meta, não há saber que resista ao querer e ao poder.

7.Quais os principais problemas observados no Brasil quando o assunto é bem-estar animal (no setor produtivo)?
R- (a) Fome de lucros. (b) No momento da praxe, a desqualificação (ou, o ignorar) do Conhecimento Científico (incluídos os saberes das Ciências Econômicas).

8.Há pontos fortes? Quais?
R- Até aqui, a provocação ao debate, por esta Revista.

Acesse a matéria completa sobre animais confinados e bem-estar animal. Como são tratados os animais criados para abastecer o seu consumo? As discussões sobre bem-estar de animais vêm ganhando novos adeptos, como os consumidores. Legislação da UE tem influenciado a produção brasileira. Você já parou para pensar sobre as formas de produção da carne, do leite e dos ovos que consome? Sabe como são tratados os animais criados para abastecer o seu consumo? A maioria das pessoas vai às compras sem atentar para este importante detalhe. Entretanto, aprende-se desde cedo que a pirâmide alimentar convencional exige uma dieta que contemple a proteína animal encontrada nestes produtos.





A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Você já viu o vídeo: A História das Coisas?

Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.

História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.

História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.

Veja aqui pelo youtube!!!
Faça aqui o download!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Akatu divulga pesquisa que mostra relação entre consumidor e sustentabilidade

A pesquisa “O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepção e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial”, lançada na última terça-feira (14) pelos institutos Akatu e Ethos, mostra hábitos dos consumidores e como eles encaram as ações empresariais relacionadas à sustentabilidade.

Entre os diversos pontos analisados pela pesquisa, dez conclusões merecem destaque. O primeiro ponto é a pequena quantidade de consumidores considerados conscientes. O percentual de pessoas que se enquadram dentro deste perfil ficou em somente 5%, número equivalente a 500 mil consumidores. Outro fator negativo dentro dessa mesma análise é a quantidade de pessoas indiferentes a esse assunto, que chega a 37%.

A segunda conclusão de destaque é um pouco mais positiva e está diretamente relacionada aos consumidores mais conscientes. O resultado da pesquisa mostra que eles são um em cada três consumidores. O dado mais relevante das pessoas que têm esse perfil é o fato de serem ativos e dispostos a influenciar outras pessoas e empresas.

A sustentabilidade ainda é um tema distante da maior parte dos brasileiros. A comprovação disso está no fato de que, mesmo entre a população com altos graus de escolaridade, o percentual de pessoas informadas sobre sustentabilidade não chega nem a 50%. O número aumenta ainda mais quando considera como parte desse grupo as pessoas com baixo envolvimento, chegando a um somatório de 60%.

Mais da metade dos consumidores, de todas as classes, faixas etárias e escolaridade, nunca ouviram falar do termo sustentabilidade. Isso mostra que por ser algo abstrato, o termo ainda é de difícil compreensão e prática.

Uma das áreas relacionadas à sustentabilidade, a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), desperta mais preocupação entre os universitários e consumidores das classes A e B. Mesmo assim, ainda tem um percentual pequeno, apenas 16% dos entrevistados afirmaram buscar informações sobre a RSE.

No entanto, mesmo sem uma busca contínua em relação às ações empresariais, os consumidores assumiram que as empresas mais responsáveis têm mais prestígio que as outras. O ponto apontado como uma das ações empresariais mais importantes é em relação aos direitos e ações trabalhistas.

Uma das maneiras apontadas para que essas exigências dos consumidores sejam colocadas em prática é a criação de políticas públicas que direcionem a sociedade para um perfil mais sustentável.

Os locais mais usados para buscar informações sobre sustentabilidade são internet e televisão. No entanto, o primeiro fica para trás quando o quesito é credibilidade, em que se destacam a televisão e os jornais impressos.

Existe um imenso desafio a ser vencido, a dissociação entre consumo e felicidade. A ideia que elevou o crescimento da sociedade de consumo não condiz com os objetivos de “inclusão social e sustentabilidade”. A proposta para chegar a um “final feliz” é transformar esse conceito em práticas concretas, que atinjam diretamente a vida das pessoas.

Para baixar a pesquisa completa acesse o site da Akatu.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sustentabilidade: O triunfo do verde

A sustentabilidade deixou de ser uma moda passageira para fazer parte do ADN das marcas e produtos, em todas as etapas do seu ciclo de vida

Primeiro, descobrimos que o verde era bom. Depois, ficamos a saber que também podia ser bonito. A trendsetter Li Edelkoort antecipou há pelo menos uma década aquilo que hoje é uma realidade: a imagem estereotipada que associava a "onda" ecológica a produtos pouco atraentes, rudimentares e de segunda escolha deixou de fazer sentido. O que faz sentido, e muito, é que os produtos sejam desenhados para serem 'verdes', sim, mas também belos, apetecíveis e sedutores. E não é por acaso que o seminário de tendências de Edelkoort para o verão de 2012, aplicado a indústrias tão diferentes como a moda e a alimentação se intitula, precisamente, "Earth Matters" (a terra importa).

Hoje, os produtos sustentáveis que inundam os mercados estão seguramente na primeira linha. São bio, eco, e tudo o que quisermos, mas são sobretudo cool, não apenas porque dizem muito sobre a consciência ambiental de quem os compra mas também porque se tornaram visual e emocionalmente atraentes.

Esta mudança deve-se, em grande parte, ao trabalho dos designers, que respondem às novas exigências dos consumidores com produtos inovadores, eficientes e de baixo impacto ecológico, sem sacrificar - antes pelo contrário - o seu apelo estético.Para se diferenciar e atrair a atenção do consumidor num mercado, que, apesar de 'verde', não deixa de ser feroz, não basta que um produto seja biodegradável. É preciso que seja bioagradável, isto é, que seja visual, sensorial e emocionalmente apelativo e atraente.

A emergência de um novo tipo de consumidor, informado e exigente, que para além da performance, das funcionalidades e da estética de um determinado produto, se interessa pela sua pegada ambiental (que materiais são usados, quais os métodos de produção, que energia consome, que desperdícios gera, qual o seu tempo de vida) empurra a questão da sustentabilidade para o núcleo de cada vez mais empresas. E os designers respondem com produtos à altura do novo contexto.

Acompanhando este movimento, a Taschen acaba de editar o livro "O Design de Produto na Era da Sustentabilidade", que recolhe mais de 100 projetos inovadores - muitos deles premiados - oriundos de mais de 20 países. A sustentabilidade está inscrita no ADN destes produtos desenvolvidos por alguns dos mais destacados ateliês de design do mundo, como a IDEO, a FuseProject, a Frog Design e a NewDealDesign. O livro, que contém fichas explicativas para cada produto, está organizado por áreas (eletrónica, energia, mobiliário, alimentação, vestuário, etc.) que dão conta da transversalidade da "onda verde". Assim, descobrimos chocolates com um impacto ambiental reduzido, computadores energeticamente eficientes, ténis com uma pegada ambiental quase invisível e até caixões de cartão, totalmente biodegradáveis, a metáfora perfeita para a ecologia no fim de vida de um produto.


Sustentável ou não, eis a questão


A definição de "design sustentável" não é consensual, até porque a própria sustentabilidade assume várias formas e não é facilmente mensurável. Em princípio, para ser verdadeiramente sustentável, um produto deve ser amigo do ambiente em todas as etapas do seu ciclo de vida: na conceção, no fabrico, na distribuição, na utilização (estima-se que 80% da pegada ambiental de um produto é gerada durante o uso) e na eliminação. Mas a realidade é que isso raramente acontece. Assim, a célebre máxima "Reduce, Reuse, Recycle" é muitas vezes posta em prática colocando a ênfase em apenas um dos três erres. Alguns optam por reduzir (produzindo menos ou consumindo menos), outros encontram novos usos para produtos antigos (mas até aqui parece haver um paradoxo, pois às vezes reutilizar é mais prejudicial do que fazer de novo) e outros ainda escolhem reciclar.

A verdade é que a questão da sustentabilidade passa de tendência - colada, muitas vezes a posteriori, ao produto - à própria essência do objeto.

No planeta design, assistimos a uma transferência das preocupações de sustentabilidade das margens para o núcleo do projeto. A revolução tecnológica acompanha o movimento, com a descoberta de novos materiais e soluções energéticas mais eficientes. Também no plano estético existem mudanças, e a neossustentabilidade surge como um encontro entre a nostalgia e o futuro, um diálogo entre mundos aparentemente distantes (o rural e o urbano, o artesanal e o industrial, o local e o global), consumado, muitas vezes, em linhas suaves e intuitivas, equilibradas e não contrastadas.

Todos querem subir ao barco. Das grandes empresas, como a norte-americana Emeco, que este ano lançou a 111 Navy Chair, uma cadeira feita a partir da reciclagem de 111 garrafas PET de Coca-Cola, atualizando um clássico dos anos 1940, aos designers independentes, como o Studio FormaFantasma, criador de uma coleção de objetos feita a partir da terra, com materiais orgânicos e improváveis, como farinha, ovo e canela. A onda verde cobre o planeta azul, mostrando como, nos dias que correm, o "estilo de vida" é também, e muito, uma questão de "ciclo de vida".


FONTE: Madalena Galamba (http://www.expresso.pt/)