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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Logística e desenvolvimento econômico sustentável

Antenor Demeterco Neto

O Comunicado de n.º 71 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgado em dezembro de 2010 apresentou algumas informações reveladoras no que se refere à posição ocupada pelo Paraná no cenário econômico nacional. Basicamente, esse estudo demonstrou que, entre os anos de 1995 e 2008, o Paraná participou com apenas 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ocupando com Tocantins uma incômoda 9ª posição, abaixo, por exemplo, de estados como Pará e Goiás.
Esse fraco desempenho mostra que nos últimos anos o Paraná não contou com uma agenda governamental capaz de planejar e implementar ações públicas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável. E as razões disso vão desde o posicionamento ideológico adotado, ou seja, a forma como até então se encarou o papel do Estado na economia, até a simples e recorrente falta de recursos.
Para se reverter um quadro como esse, de quase estagnação, é preciso justamente a formatação de políticas públicas direcionadas a áreas estratégicas ao desenvolvimento econômico sustentável, entre as quais destaca-se, em específico, o aproveitamento da vocação logística do Paraná, com a devida renovação e manutenção da sua infraestrutura.
Pode-se dizer, em termos gerais, que a infraestrutura logística é constituída pelos modais rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo, bem como pelos portos, aeroportos, terminais de embarque e carregamento, conexões intermodais e instalações de armazenagem. É notório que investimentos públicos e/ou privados em infraestrutura logística são estratégicos para um desenvolvimento econômico sustentável, uma vez que propiciam maior regresso dos insumos da iniciativa privada, incentivam o investimento, criam empregos e vitalizam a atividade econômica.
No entanto, após a crise financeira da década de 1980 que abalou as estruturas das administrações públicas dos diversos países que adotaram o modelo de Estado social, inclusive o Brasil, e que, por conseguinte, culminou na escassez dos recursos públicos, iniciou-se o debate sobre de que forma o Estado poderia intervir nos segmentos estratégicos de infraestrutura sem tutelar excessivamente o mercado, mas também garantindo os investimentos necessários e a qualidade dos serviços públicos prestados. Foi então que surgiu no cenário nacional o instituto da regulação, consubstanciado numa modalidade de intervenção estatal indireta no ambiente socioeconômico, caracterizado por utilizar-se da atribuição essencialmente normativa do Estado para disciplinar as atividades socioeconômicas das iniciativas privada e pública, com o objetivo de garantir e realizar interesses públicos fundamentais, entre eles, o do desenvolvimento econômico sustentável.
No caso do Paraná, a regulação criaria um ambiente perfeito para a captação de recursos destinados a revitalizar e incrementar a sua infraestrutura logística, bem como seria um importante instrumento de controle da qualidade dos serviços públicos a serem prestados pela iniciativa privada e também pelo próprio Estado.
Mas, para tanto, é preciso que o Paraná, dentro de suas atribuições constitucionais, estabeleça um renovado e abrangente marco regulatório legal de infraestrutura logística.
Com uma política pública voltada ao segmento de logística, com regras claras e combinada com instrumentos regulatórios, o Paraná poderá se tornar o polo logístico do MERCOSUL, com capacidade para atender, além das suas próprias necessidades, também as de outros estados e países, e, inclusive, as futuras demandas que a exploração do Pré-Sal trará ao Brasil.


Artigo divulgado originalmente na Edição 26 da Revista Geração Sustentável.


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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:
Entrevista: Elisa Prado (Tetra Pak)
Capa: Campos Gerais: um Paraná a ser conhecido
Visão Sustentável: Produtos concentrados fazem bem ao meio ambiente
Desenvolvimento Local: Setor de sustentabilidade ganha representatividade no Brasil
Responsabilidade Social: Paraná se mobiliza para o desenvolvimento sustentável


Artigos:
Leandro F. Bastos Martins: Promessa é dívida?
Gastão Octávio da Luz - Desafios Globais ao "desenvolvimento sustentável"

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

INICIATIVA SUSTENTÁVEL INOVA MODELO DE ENTREGAS

Pedalando, bikeboys proporcionam um serviço de ecodelivery com agilidade e economia

Um novo modelo de entrega vem ganhando visibilidade nas ruas de Curitiba: no lugar de motos, bicicletas... e em vez da figura do motoboy, o bikeboy. Já bastante comum na Europa, a entrega sustentável, ou a chamada ecodelivery, aposta principalmente na agilidade deste meio de transporte que venceu pelo 5ª ano consecutivo o desafio intermodal realizado em Curitiba, sendo considerado o meio mais eficiente para atravessar o centro da cidade em horário de pico; e no caráter sustentável que tem por não poluir o meio ambiente.

Tendo em vista a demanda da capital paranaense, também conhecida como capital ecológica, que como outras cidades brasileiras sofrem cada vez mais com problemas de trânsito, o empresário Cristian Trentin decidiu investir na proposta das ecobikes, oferecendo uma alternativa de entrega que, segundo o empreendedor, além de proporcionar mais agilidade, evita a emissão de cerca de 20 Kg de CO2 por dia - já que cada ciclista percorre em média 70 km por dia, o equivalente a 5 Kg de CO2, e a empresa conta hoje com 5 bikers entregadores ou bikeboys, como são conhecidos.

Apenas há quatro meses e meio na capital paranaense, a mais nova opção para entregas e coletas de até três quilos já atende bancos, cartórios, laboratórios, farmácias, profissionais liberais e empresas, etc.. com cerca de 50 clientes em 46 regiões da cidade, sendo a área de cobertura para corridas esporádicas de 10 a 15 km da sede da empresa no Água Verde. Além dessas entregas, os clientes da EcoBike Courier podem optar por modalidades mais completas de serviço, em que um bikeboy pode ser alocado para atender uma única empresa durante uma parte do dia por exemplo ou em período integral.

Entre os clientes que recebem atendimento fixo mensal, o diretor da empresa DeltaCard, Diego Sampaio, conta que já havia contratado o serviço antes mesmo de ele passar a funcionar. Para Sampaio, as vantagens de contratar esse serviço são principalmente a apresentação e o atendimento do bikeboy, a sustentabilidade da entrega, e o custo atrativo. O diretor da empresa com atuação no segmento de marketing afirma que além dos elogios dos clientes que são atendidos, alguns que passaram a conhecer o modelo de entrega também contrataram o serviço.

Cristian Trentin explica ainda que no quesito financeiro, a bicicleta promete até 30%de redução de custos da entrega. Por exemplo, com um serviço de motoboy para ir até 5 bancos são cobradas 5 corridas, afirma Trentin acrescentando que este novo modelo cobra apenas 1 corrida mais os pontos adicionais, que tem um valor
diferenciado. “Uma empresa que gastava cerca de R$1.500,00 com entrega por motoboy, hoje gasta 700 reais mensais com as ecobikes”, relata o diretor da EcoBike Courier. No site da empresa, também é possível simular o custo do trajeto, acessando o endereço eletrônico www.ecobikecourier.com.br, no qual os clientes têm a opção de acessar o sistema Tarifa de Bike; e também conhecer os bikeboys da empresa.

O bikeboy é justamente outro diferencial desse novo modelo de entrega. Instruído desde o primeiro momento com base em uma cartilha específica com as normas da empresa, o ciclista recebe treinamento para oferecer um atendimento diferenciado aos clientes, trabalhando uniformizados, transportando as encomendas em envelopes lacrados e tendo uma boa comunicação com o público. Além disso, Trentin garante que há uma preocupação com os funcionários, que além de serem registrados, também têm seguro de vida – o que nem sempre acontece com os motoboys que muitas vezes trabalham como freelancer.

Com 4 ciclistas na linha de frente da empresa hoje, o plano de expansão da EcoBike Courier visa contratar mais ciclistas nos próximos meses, completando um quadro de 12 bikeboys em 6 meses de atuação. Kevin Alexando é um deles, o mais recente contratado que antes trabalhava como cabeleireiro autônomo e agora trabalha pedalando e queimando calorias. Para Kevin, que conta pedalar há muito tempo, o trabalho é muito legal: “Além de fazer o que eu gosto, ainda é saudável e acabo fazendo amizades”, afirma o jovem.

Segundo o empresário Cristian Trentin, muitos idosos também procuram o serviço de entrega sustentável devido à qualidade do atendimento, mas eles não são os únicos. Um dos clientes que deixou de utilizar outros serviços de entrega para adotar exclusivamente esse modelo é o Shopping Curitiba. De acordo com a coordenadora de marketing do shopping, Elsie Herbert, a postura dos bikeboys é diferente, menos informal e causa uma boa impressão. Além disso, um levantamento realizado pelo shopping comprovou que o serviço é 100% mais ágil e acima de 30% mais econômico. Outro benefício destacado pela profissional é que a intenção do modelo é nobre e o planeta é que ganha em primeiro lugar.

E assim, em contínuo crescimento, o negócio idealizado por Trentin, além de gerar lucros, alcança um objetivo ainda maior de impactar positivamente na cidade e no mundo.


** Texto divulgado originalmente na edição 25 da Revista Geração Sustentável - jornalista Aline Presa.

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Veja os conteúdos dessa edição:

Matérias:
Capa: Saiba como andam as práticas de sustentabilidade dos bancos brasileiros
Entrevista com Manfred Alfonso Dasenbrock - Sicredi PR
Responsabilidade Social: Sustentabilidade - da teoria à prática
Gestão de Resíduos: Iniciativas privadas buscam educar a sociedade a reduzir, reutilizar e a reciclar lixo

Artigos:
Ivan Dutra - Da Tunísia a Wall Street
Jeronimo Mendes - O encanto permance, mais o gosto muda
Yuri Beltramin - Como estamos construíndo nosso mundo sustentável?

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