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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Energias Renováveis: Ventos e resíduos no futuro da energia brasileira

Energia eólica cresce no Brasil e CDR já tem tecnologia nacional

Uma tragédia como a do Japão, onde os perigos da energia nuclear preocupam o mundo, pode causar comoção, mas também um certo alívio para os brasileiros. Afinal vivemos em um país com diversidade geográfica e ambiental que possibilita o uso de energias limpas.

Segundo dados da ONG Greenpeace, que estão na segunda edição do relatório Revolução Energética, verifica-se que até 2050, cerca de 93% da eletricidade produzida no Brasil pode ter origem em fontes renováveis como solar, eólica ou biomassa. Isso poderá gerar três milhões de empregos com desenvolvimento e produção de equipamentos de ponta. E os investimentos em energias limpas podem significar economia entre R$ 100 bilhões e R$ 1 trilhão no período entre 2010 e 2050.

O uso de tecnologias limpas como a eólica vem crescendo a cada ano. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) liberou somente em março R$ 790,3 milhões de financiamentos para nove parques eólicos no Brasil. (ver quadro demonstrativo dos outros valores).

Para Clécio Eloy, diretor superintendente da empresa Casa dos Ventos, se os investimentos do Brasil forem comparados aos da Europa, Estados Unidos e Ásia estamos muito atrasados, porque demoramos a despertar para a importância da energia eólica na formação de uma matriz energética limpa, renovável e de baixo impacto ambiental.“Entendo, que esse fenômeno que é o crescimento da produção de energia eólica chegou para ficar e teremos cada vez mais a presença de aerogeradores fazendo parte da paisagem brasileira”, ressalta.

Opinião semelhante tem o empresário João Marcos Prosdócimo Moro, presidente da empresa paranaense JMalucelli Energia, que está investindo no Rio Grande do Norte cerca de R$ 710 milhões no setor. “Os benefícios ambientais são grandes e os custos baixaram muito, porque as empresas que constroem os aerogeradores estão agora no Brasil e ficaram competitivos”,fala o presidente. O empresário João Marcos acrescenta que a empresa pretende investir no Paraná neste setor nos próximos anos também.

O Paraná apesar de ter sido pioneiro em 1990, com instalação da primeira Usina Eólica do país na cidade de Palmas, não teve investimentos significativos nesta área na última década. Segundo o consultor da Companhia Paranaense de Energia (Copel) para o assunto, Dario Jacks Scholtz, a empresa pretende investir mais, participar de alguns leilões nacionais. Ele explica que quando foi construída a usina de Palmas, foi realizado um estudo científico que detectou além daquela região, somente na Serra do Mar poderiam ser instalados os aerogeradores. Mas com o aprimoramento da tecnologia, com torres mais altas, há a possibilidade de novos projetos no estado. A usina de Palmas tem cinco geradores e gera 2.500 kW, que abastece um terço da cidade.

Em 2010, a Copel fez uma chamada pública para fazer parceria com empresas que já tinham projetos e deve continuar a estudar sua participação no setor nos próximos anos. “O preço da energia eólica já consegue competir com a gerada em pequenas usinas hidráulicas o que possibilita que a Copel invista mais neste tipo de energia limpa”, explica o consultor.

Para que o setor cresça mais, há a necessidade de uma definição clara do que as autoridades esperam e pretendem para a energia eólica no Brasil, reclama o superintendente. Ele relata que nos locais onde a energia eólica mais se desenvolveu aconteceu uma participação forte dos governos.

A Casa dos Ventos tem hoje 1.200 mW em desenvolvimento para entrarem em operação entre 2012 e 2013, sendo que desses 85% na região de João Câmara, no Rio Grande do Norte, e 15% em Tiangua, no Ceará. A empresa e seus parceiros pretendem desenvolver e implantar cerca de 10.000 mW nos próximos dez anos, em um total de R$ 40 bilhões em investimentos, gerando energia necessária para abastecer mais de dois milhões de domicílios.

“Entre os benefícios que os investimentos trouxeram, temos o exemplo do potencial eólico da região de Sobradinho, na Bahia, onde se pode produzir a mesma energia gerada a partir da usina de Paulo Afonso - obra que fez desaparecer quatro municípios. Com a energia eólica não é preciso alagar um palmo de terra “, fala Eloy.


Restos que viram energia

Menos conhecida e ainda pouco usada no Brasil, a energia limpa gerada com combustível derivado de resíduos (CDR), já conta com tecnologia nacional. Um exemplo disso está na Usina Verde no Rio de Janeiro. Pioneira na geração de energia elétrica através da queima do lixo no Brasil, a Usina Verde foi construída pela iniciativa privada em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e usa tecnologia 100% brasileira. Processa na Ilha do Fundão no Rio 30 toneladas dia de resíduos sólidos que, depois de separados os materiais recicláveis, são queimados e geram energia elétrica para 50 mil pessoas.

Segundo Luis Carlos Malta, diretor da Usina Verde, a tecnologia é considerada limpa e os gases produzidos pela queima do lixo são destruídos termicamente, restando no processo somente água e CO2. Os gases ácidos resultantes da incineração do lixo são lavados com água alcalinizada. Ocorre então uma reação química que transforma essas substâncias em sais minerais e água.

A Usina Verde produz o chamado CDR a partir do tratamento mecânico do lixo, onde há a separação das partes (orgânica, úmida, verde, vidros, metais ferrosos e não ferrosos e pedras) e outros materiais que não queimam. O que sobra é um material que contém plásticos flexíveis e sujos, papel e papelão molhados e sujos, tecidos e outros materiais "bons para queimar", porém que não são recicláveis devido ao alto custo de tratamento, explica Lúcia Coraça, diretora de Químicos e Energia da Pöyry, empresa finlandesa de consultoria na geração de energia.

O potencial de crescimento do CDR no Brasil é muito grande, uma vez que se trata de um projeto de reciclagem de materiais e energia, em última instância. Contudo, há que se verificar sempre a viabilidade econômica dos projetos, já que não existe no Brasil um mercado estabelecido para comercialização de CDR, nem subsídios para produção de energia a partir de lixo, enfatiza a diretora.

Para implantar a tecnologia usada na Usina Verde e processar 150 toneladas por dia, segundo Luis Carlos, o custo gira em torno de 40 milhões de reais. “Estamos desde 2004, quando foi implantada a usina, aprimorando a tecnologia que se compara com as melhores do mundo e tem custos inferiores por ser nacional e já estamos comercializando para outros locais”, comenta o diretor. Além de produzir energia limpa, projetos como a Usina Verde podem ter o recebimento de crédito de carbono, pois usa resíduos sólidos em substituição ao combustível fóssil, como o petróleo, para produzir energia, conclui o diretor.




De vento em popa

- Foram aprovados financiamento de R$ 790,3 milhões para nove parques eólicos. Oito deles serão construídos no Ceará, com capacidade instalada total de 211,5 MW. O nono parque eólico, em Tramandaí, no Rio Grande do Sul, terá 70 mW de potência instalada.

- Hoje são 51 parques eólicos em operação no Brasil possuem capacidade instalada de 937 MW. Além destes, outros 18 projetos estão em construção, com mais 500,8 mW para entrar em operação ao longo de 2011.

- As autorizações para investimentos em energia eólica cuja construção ainda não foi iniciada já atingem 3.600 MW, distribuídos por 134 projetos.

- No BNDES, já foram assinados ou estão em processo de assinatura, incluindo as duas operações recém-aprovadas, 51 contratos de financiamento diretos e indiretos, no valor total de R$ 4,1 bilhões, para a implantação de 1.369 MW. Além desses, outras 44 operações estão em análise, demandando financiamentos da ordem de R$ 3,3 bilhões.

Fonte: BNDES

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Matéria publicada originalmente na edição 22 da Revista Geração Sustentável
Tania Kamienski

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