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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Artigo: Do limão à limonada

No princípio - por volta de 1980, temas como ecologia, necessidade de ser politicamente correto, e similares, incomodava muita gente. Parece até que atrapalhava o “crescimento” das empresas, do país e assim por diante.

As instituições financeiras, por exemplo, se limitavam a exigir a licença ambiental do empreendedor, apenas para cumprir determinação de lei da co-responsabilidade. O empreendedor apresentava a licença e estava tudo resolvido; ainda que ficasse apenas no papel. Os tempos mudaram. Mudou também o clima, e suas consequências se mostraram preocupantes também para as instituições financeiras. Como a administração de riscos é a essência do negócio financeiro, a incorporação da análise socioambiental como ferramenta de redução de incertezas começou a tomar contornos de um segmento dentro das instituições financeiras. A razão é simples: os desafios representados pelo aumento da incidência de desastres naturais, em sua maioria devido às mudanças climáticas globais, têm impacto financeiro direto para elas.

No restante do setor financeiro, sobretudo nos bancos comerciais, o processo de incorporação da sustentabilidade é em grande parte estimulado por pressões da sociedade civil ou por perdas associadas a questões socioambientais. Em paralelo, os bancos gradativamente começaram a acreditar que o que é bom para o meio ambiente também é bom para os negócios. Nesse sentido, finanças sustentáveis é um movimento que busca promover uma atuação do sistema financeiro de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta.

O apelo sustentável ou uma empresa que atue com responsabilidade socioambiental, já não são mais termos a serem explorados como posicionamento de comunicação e marketing. Mesmo quem inicialmente pensava em apenas “parecer” responsável, está concluindo que vale a pena ser e ter responsabilidade socioambiental nos seus empreendimentos. Faz bem pra saúde. Aliás, os projetos socioambientais elevam em até 4% o valor de mercado das empresas, segundo levantamento da consultoria espanhola Management & Excellence.

Há, hoje, um interesse muito maior do que simplesmente parecer bonzinho, ou como se dizia, ecologicamente correto. Por quê? Business! Exemplificando: há tempos a base da pirâmide social vem mostrando um enorme universo de oportunidades empreendedoras, despertando o interesse notadamente das grandes corporações. A cada dia temos notícias de novos produtos lançados para esse segmento. Nas instituições financeiras, a bancarização é o tema que instiga o lançamento de produtos e serviços com atributos socioambientais. Na outra ponta, onde a renda está mais concentrada, as oportunidades de acesso aos recursos internacionais passam necessariamente pela condicionante gestão de riscos socioambientais. Traduzindo: os investidores estão privilegiando empresas com práticas avançadas de governança corporativa e de responsabilidade socioambiental. As pessoas e o meio ambiente estão no foco. O desenvolvimento versus crescimento a qualquer preço.

A população mundial hoje é de 6,9 bilhões de habitantes. A previsão é de que no ano de 2.020, nosso planeta azul terá que acomodar (e deveria suprir as necessidades) de 7,7 bilhões de pessoas (fonte Instituto Akatu). Em 2.040, 8,8 bilhões. Dá pra imaginar? A grande parcela desse número estará na base da pirâmide.

No Brasil de hoje, 49 milhões recebem até meio salário mínimo. Outros 54 milhões de brasileiros não possuem rendimento; são pobres. Com renda per capta de US$8.020, o brasileiro pena para alcançar nossos hermanos argentinos com seus 12.460 dólares de renda por habitante, segundo dados do FMI e Banco Mundial. Pode ser cruel, mas não dá pra negar que existe um mar de oportunidades em negócios, diante desses números. Escala existe.

Para reflexão: empreender para atender as necessidades e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, além de nobre pode ser um grande negócio.


** Ney Augusto Resmer Vieira: Gerente DRS da Superintendência de Negócios Varejo e Governo do Paraná do Banco do Brasil

Artigo sobre Gestão Estratégica publicado originalmente na edição 21 da revista Geração Sustentável

Acesse aqui as edições da revista!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Edição 21: Matéria Visão Sustentável

Dinâmica do tabuleiro

Alternativa para o treinamento e ensino da sustentabilidade, jogo de tabuleiro é ferramenta para o meio empresarial

Divida o mundo em 12 grupos formados por países e continentes. Deste total, deixe seis territórios nas mãos de pessoas conhecidas, ou escolha uma das regiões para você e partilhe as demais com outras cinco pessoas. Jogue os dados na mesa e deixe os participantes escolherem as cartas que indicarão as metas e objetivos de cada um. Mas tenha claras duas regras: nesse jogo não há só um ganhador e todos têm participação nas decisões que forem tomadas. Essa pode até parecer uma daquelas metáforas sobre as novas configurações da ordem política mundial, que ouvíamos nas aulas de Geopolítica, ou mesmo a descrição de um jogo de estratégia como o War, mas se trata de um método de treinamento empresarial, que usa o tabuleiro como campo de atividades e visa o incentivo da prática da sustentabilidade.

O Jogo se chama Negócio Sustentável (JNS) e a brincadeira é de gente grande. Assim como outras formas lúdicas de treinamento e avaliação corporativa, o JNS projeta o ambiente empresarial e busca incentivar outras formas de se compreender e lidar com a sustentabilidade. A premissa é a de que no século 21 não faz mais sentido jogar o “ganha-perde”, em que para um lucrar, outro tem que sair no prejuízo. Além disso, o recurso busca despertar uma visão mais ampla dos elementos que compõem os negócios sustentáveis por meio de cinco moedas: Tecnologia, Conhecimento, Pessoas, Recursos Naturais e Talentos – o dinheiro.

De acordo com a criadora do Jogo, a consultora em Educação Financeira da Sinergia Consultores, Glória Pereira, a ideia é apresentar aos participantes todas as variáveis que envolvem os negócios sustentáveis. “A sustentabilidade só acontece de fato se estiverem conectadas as cinco moedas do jogo: as pessoas, os recursos naturais e financeiros, movidos à tecnologia, e o conhecimento. Saber o conceito é importante, mas a sustentabilidade não funciona se não estiver em rede”.

As bases do JNS foram lançadas em 2005, quando Glória foi procurada para desenvolver um jogo de tabuleiro para Educação Financeira, que seria apresentado no Congresso Internacional de Desenvolvedores de Jogos de Tabuleiro de 2006. Com o tempo, porém, o objetivo do JNS foi ampliado para a sustentabilidade. A criadora conta que a inspiração veio da sua experiência com a andragogia – educação para adultos –, adquirida como consultora em Educação Financeira. “O jogo está associado à andragogia e à anatomia emocional, porque atua no cérebro e nas emoções dos jogadores, estimulando os hormônios do prazer através de negócios em que são empreendedores, investidores, vendedores e compradores. Eles tomam decisões, avaliam os resultados para si, para todos da mesa e para o Planeta – o tabuleiro –, podendo mudar suas jogadas para obter melhores resultados”.

Desde a sua criação, o JNS certificou 96 consultores em todo o Brasil, que o utilizam das mais diferentes formas. “No setor de planejamento estratégico o Jogo mostra aos colaboradores que a empresa tem um objetivo único. Além disso, ele pode avaliar o trabalho em equipe e ser usado na área de vendas, para a geração de mais negócios, ou ser aplicado em processos de seleção”, enumera o consultor credenciado Yuri Beltramin, que afirmou existirem ao todo mais de 20 aplicações diferentes para o JNS.

Glória acrescenta: “O Jogo é apenas um instrumento na mão do Consultor. Por exemplo, na área comercial, trabalhamos os padrões que não são lucrativos. Já na área de sustentabilidade, ampliamos o uso para o comportamento dos envolvidos”. Essa maleabilidade do jogo conforme as necessidades do cliente é uma das características ressaltadas por Beltramin, assim como a capacidade de indicar perfis profissionais. “Ao final de cada rodada é feito um gráfico com os resultados dos jogadores, que mostra o conhecimento que eles possuem em sustentabilidade e em alguns casos a existência de uma maior preocupação com o dinheiro do que com as outras moedas”.



Valores e resultados

O uso de jogos de tabuleiro em treinamentos empresariais ainda é recente no Brasil, principalmente quando o assunto é a sustentabilidade. Com a mesma lógica das dinâmicas de grupo – em que os participantes desempenham tarefas coletivas – e a dos treinamentos ao ar livre – com desafios a serem transpostos, como escalar morros e cachoeiras –, a atividade exige a cooperação dos envolvidos e serve para avaliar as atitudes deles diante de diferentes situações, por meio da representação do dia a dia corporativo. Segundo o sócio da empresa de jogos de tabuleiro SB Jogos, André Zatz, esse recurso possui ainda outras vantagens, como o envolvimento dos participantes e a aceleração do aprendizado. “O envolvimento é fora do comum, e a quebra de resistências começa quando eles reconhecem que a atividade será um jogo. Além disso, o jogo de tabuleiro permite um trabalho sério voltado para o aprendizado de conceitos abstratos, passagem de mensagens-chave e retenção de informação”, salienta Zatz, cuja empresa possui mais de 10 anos de atuação no segmento e cerca de 100 produtos editados para treinamento corporativo.

Mas e como jogos como o JNS incentivam mudanças de atitudes e valores, desenvolvidos ao longo de toda uma vida? Para a consultora do Jogo e diretora da empresa de seleção RH Nossa, Marilda Morschel, a resposta está na simulação da realidade e nos exemplos de atitude que são gerados. “Como o jogo faz com que haja uma interação entre os participantes, ele pode incentivá-los a mudar. Ver os outros agirem de uma determinada forma causa desconforto em quem não adota práticas sustentáveis. Mas o que traz a mudança é o uso prático do que é passado”. Zatz tem opinião semelhante. “Alguns jogos são pensados para contribuir com essa mudança. São simulações com o objetivo de sensibilizar o participante para um comportamento inadequado. Mas essa intervenção deve estar contextualizada com outras ações para o mesmo objetivo”.

Desde a sua criação, o Jogo Negócio Sustentável foi utilizado pelos Correios, Petrobras e Sebrae, além de institutos e universidades. Segundo Glória, o retorno dos clientes é positivo, mas para fazer a venda das caixas deslanchar é preciso ter uma rede de distribuição de pelo menos mil lojas de brinquedos em todo o país. Um longo caminho a ser percorrido, mas sem medo de brincar em serviço.


SERVIÇO:

Jogo Negócio Sustentável
Onde comprar: No site http://www.negociosustentavel.com/
Loja Commit – Rua Oscar Freire, 1351, Jardim Paulista, São Paulo
Valor: R$ 350
Telefone: (11) 3285-1995

Matéria da Edição 21 - Revista Geração Sustentável (Fabio Cherubini)
** Clique na imagem ao lado e tenha acesso ao editorial dessa edição.










A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Inscrições para Prêmio Ozires Silva


Empresas de todo o Brasil podem concorrer com projetos inovadores e sustentáveis

Dia 23 de janeiro é data final para as inscrições do 4º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável, promovido pelo Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas - ISAE/FGV, Grupo Paranaense de Comunicação - GRPCOM, com corealização do Sebrae/PR. A premiação visa reconhecer iniciativas que se preocupam com o meio ambiente e questões sociais, além de destacar lideranças responsáveis nos setores chave da economia nacional.

Todas as empresas que atuam no Brasil, tanto na esfera pública quanto privada, ou de economia mista, podem participar. Neste ano, serão seis categorias: Empreendedorismo no Setor do Agronegócio; Empreendedorismo no Setor Industrial; Empreendedorismo no Setor de Comércio e Turismo; Empreendedorismo no Setor de Transporte e Logística; Empreendedorismo Cívico e Público e Empreendedorismo Cultural.

Entre os ganhadores da última edição, estão empresas como Petrobrás, Instituto HSBC de Solidariedade, Parque Tecnológico Itaipu – PTI e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT. As inscrições são gratuitas e irão até o dia 23 de janeiro. A cerimônia de premiação ocorre em 8 de fevereiro de 2011, no Memorial de Curitiba.


Ozires Silva

É oficial da Aeronáutica e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Destaca-se por sua contribuição no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. Capitaneou a equipe que projetou e construiu o avião Bandeirante. Liderou em 1970 o grupo que promoveu a criação da Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Deu início à produção industrial de aviões no Brasil. Presidiu a empresa até 1986, quando aceitou o desafio de ser presidente da Petrobras, onde atuou até 1989. Em 1990, assumiu o Ministério da Infraestrutura e, em 1991, retornou à Embraer, desempenhando um papel importante na condução do processo de privatização da empresa, concluído em 1994.

Também atuou como presidente da Varig por três anos (2000-2003) e criou em 2003 a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual. Ozires Silva também faz parte de uma série de Conselhos e de Associações de Classe.


Serviço:

Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável

Data: 08/02/2011
Local: Memorial de Curitiba - Claudino dos Santos, s/ n°, Centro Histórico de Curitiba.
Informações: www.isaebrasil.com.br/premio
Inscrições: premio@isaebrasil.com.br
Informações e convites para a imprensa:

Assessoria de imprensa ISAE/FGV:

Barbara Dunin, (41) 3388 7860, barbara.dunin@isaebrasil.com.br

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Brasil pode crescer sem agredir o ambiente?

Tudo indica que o país crescerá em ritmo chinês nos próximos anos. O desafio é fazer isso sem degradar o meio ambiente, como aconteceu na China!

O Brasil vive um de seus melhores momentos na economia. Este ano que se encerra é o décimo sexto de estabilidade monetária. Desde o milagre econômico, nos anos 70, o país não usufrui de tantos anos de crescimento continuado. Com exceção de 2009, marcado pela retração global, o ritmo de expansão da economia nos últimos três anos
foi superior a 5%. A previsão de crescimento em 2010 é de 7,5% — uma aceleração ao estilo chinês.

Dentro desse contexto animador, emerge uma preocupação. É possível manter esse desempenho vigoroso de forma sustentável? Em outras palavras, sem agredir a natureza nem arruinar os recursos naturais do país. O crescimento econômico só tem vantagens. Promove o aumento do emprego, da renda e dá dignidade à vida de um povo. Se o preço a pagar por isso, contudo, for a degradação do ambiente em que vivemos, o prejuízo será duplo: a perda de nossa qualidade de vida e um futuro incerto para as próximas gerações.

A história é pouco animadora no que diz respeito a crescer sem degradar. Desde que o Homohabilis construiu as primeiras ferramentas de pedra, há 2 milhões de anos, a ordem natural foi submetida à vontade humana. A rigor, não há produção sem destruição. Nos ultimo’s 8 000 anos, com a invenção da agricultura e das cidades, o impacto do homem na natureza tornou-se significativo. Com o início da revolução Industrial, há dois séculos, nossa capacidade de extrair recursos naturais aumentou a ponto de desfigurar a face do planeta. os países desenvolvidos são exemplos recentes dessa logística. A Europa detinha 7% das florestas do planeta e hoje conta com mísero 0,1%. Nos Estados Unidos, quase não há mais terras disponíveis para produzir alimentos.

A China amarga as consequências do crescimento a qualquer custo das últimas décadas. Um terço dos rios e 75% dos lagos do país estão contaminados. Das vinte cidades mais poluídas do mundo, dezesseis são chinesas. mais de 750 000 pessoas morrem por ano em decorrência da água e do ar pútridos no país. As fábricas movidas a carvão criaram vilarejos doentes, nos quais a taxa de tumores malignos é altíssima. A história a ser contada daqui a vinte, trinta anos, que incluirá a experiência brasileira e seu processo de desenvolvimento, pode ser bem diferente. o Brasil entra na sua fase de maior crescimento econômico prolongado em um período sem precedentes de conscientização sobre a necessidade de preservação ambiental. “Hoje o modelo é outro. Parece paradoxal, mas não há mais como crescer sem preservar o meio ambiente ou, pelo menos, sem diminuir o impacto causado pela produção”, diz o economista Americano Jeffrey Sachs. “Ou fazemos essa transição para a sustentabilidade, imposta pela crise global de 2008, que se resume na desaceleração do impacto ambiental, ou estaremos fadados a desaparecer”, conclui.

Os desafios brasileiros para crescer e, ao mesmo tempo, se adequar a esse novo modelo sustentável de mundo são enormes. Será preciso expandir a agropecuária sem desmatar a Amazônia, suplementar a geração de energia, investir bilhões em infraestrutura — desde a básica, como saneamento, até a modernização de portos e aeroportos. Uma das chaves para que tudo isso ocorra de forma sustentável é a inovação tecnológica. “Inovação tecnológica só existe se há aumento do consumo, aumento da produção e da riqueza de um país. Nenhuma nação em frangalhos tem condições de promover a inovação, muito menos sustentabilidade”, diz Maílson da Nóbrega, consultor e ex-ministro da Fazenda. Esse pensamento combina com a teoria da “curva ambiental de Kuznets”, uma adaptação do trabalho do economista Simon Kuznets, ganhador do Nobel de 1971. Proposta pelos economistas da Universidade Princeton Gene Grossman e Alan Krueger, a teoria sustenta que a poluição e os impactos ambientais evoluem nas sociedades industriais seguindo uma curva em forma de “U” invertido, ou seja, a degradação da natureza aumenta durante os estágios iniciais do desenvolvimento de uma nação, mas se estabiliza e começa a decrescer quando o nível de renda e de educação da população aumenta.

No Brasil, poucos setores representam tão bem o poder da inovação quanto o agropecuário. Hoje, é possível dobrar a produção agropecuária sem derrubar uma árvore da Amazônia. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre 1996 e 2006 houve uma redução de 10,7% nas áreas de pastagem. No mesmo período, o rebanho bovino cresceu 12% e a produção de carne, 70%. Em dez anos, a produtividade por hectare da cana-de-açúcar saltou de 49 para 80 toneladas. Com tecnologia adequada, é possível produzir muito mais. Técnicos estimam que a produtividade da soja poderia aumentar 50% só com o uso correto da irrigação. Também graças à inovação, a cana-de-açúcar é o produto agrícola que mais cresce no país. Hoje, os canaviais ocupam 8 milhões de hectares. Para a cana ganhar o Mercado internacional de etanol e se tornar uma alternativa ao petróleo, será necessário aumentar sua produção.

“Isso só pode acontecer sem desmatamento se houver aumento na produtividade e melhoramento genético da cana”, diz o biólogo Fernando Reinach, um dos mais conceituados especialistas brasileiros em tecnologia para o agronegócio. “O problema é que, no Brasil, sai mais barato desmatar do que investir em tecnologia. Isso sem falar na falta de incentivos e nas falhas de nossa legislação”, diz a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA. A fronteira agrícola nacional avança a passos largos sobre a Floresta Amazônica. De acordo com a FAO, o país é o que mais desmata no mundo. Entre 2000 e 2009, a participação brasileira no desmatamento mundial au mentou de 18% para 20%. Mais de 2,6 milhões de hectares de floresta foram destruídos no período.

Preservar a Amazônia não é balela de ambientalista. É uma questão de sobrevivência. A Amazônia detém a maior biodiversidade do planeta e o maior e mais diverso estuário do mundo. A rede hidrográfica da região tem um potencial energético de 70 gigawatts, metade do potencial nacional. O fim da floresta mudaria o regime de chuvas em toda a América do Sul, com prejuízos para a agricultura e para a geração de energia — duas coisas de que o Brasil vai precisar muito se quiser crescer. Se os desafios são grandes, as oportunidades também o são. Um estudo do Banco Mundial aponta o Brasil como o provável líder de uma nova economia verde, capaz de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 37% (o equivalente a tirar da rua todos os carros do mundo por um período de três anos) sem comprometer o crescimento, a criação de empregos e o desenvolvimento nas próximas duas décadas. No exterior, a expectativa é que o Brasil contribua de forma contundente para suprir a crescente demanda mundial de alimentos e também para uma solução energética, por meio do etanol. “Só será possível assumir esse papel e competir com outras economias emergentes se houver o dobro de investimentos em infraestrutura”, diz Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Para um crescimento anual de 5% na próxima década, os valores destinados ao segmento deverão girar em torno de 4% do PIB ao ano, ante os 2% destinados atualmente. A China investe 7,3% do PIB e a Tailândia, 15,2%. “De todas as obras, nenhuma é tão importante quanto as de saneamento básico”, diz o economista José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. “É inadmissível que a oitava economia do mundo mantenha metade da população sem direito a rede de esgoto. Investir em saneamento é optar por um crescimento de qualidade, pois isso tem um efeito multi- plicador”, avalia.

Fazer tudo de forma correta e sustentável é possível? Os economistas e especialistas em sustentabilidade ouvidos por VEJA para esta reportagem são unânimes em dizer que sim. Há tecnologias de primeira linha para expandir o agronegócio e o setor energético. Ao contrário de outros países, temos a felicidade de dispor de reservas ambientais. Todos eles concordam com a seguinte ponderação: para chegar lá, é preciso mudar de atitude quanto antes. Devido às facilidades que a natureza oferece ao país, governantes, empresários e até mesmo a população tendem a agir de forma inconsequente em relação ao futuro e a adiar a adoção de práticas para preservar o que ainda temos. Para o Brasil crescer com qualidade, é preciso cuidar do que a natureza nos deu de graça.


Fonte: http://www.planetasustentavel.com.br/

RECICLAÇÃO 2011: Confira a programação


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

HUB Curitiba entrevista diretor da revista

Nome: Pedro Salanek Filho

Ideia/Projeto/Empreendimento:
Revista Geração Sustentável (www.geracaosustentavel.com.br)
Ramo/atividade: Publicitário

O que você /seu projeto / empreendimento buscam?
Disseminar a sustentabilidade corporativa. Atuamos como um veículo de comunicação que enaltece as boas práticas socioambientais incorporada nos negócios. Queremos ser uma revista de fofoca em sustentabilidade (rssss).
O que oferecem? Espaço para as empresas apresentarem seus projetos e suas estratégias sustentáveis para seus stakeholders e para toda a comunidade de leitores!
Inovar é… Criar algo inédito que possa surpreender positivamente as pessoas e que contemple mudanças sistêmicas profundas… “o resto é apenas renovação”.

Uma referência cultural que impactou sua vida / seja relacionada com os valores de sua organização: Uma propaganda do green peace, que tinha de fundo a música my way, sobre mudanças climáticas que no final trazia a seguinte mensagem: “lembra como sua geração sonhava em mudar o mundo? Parabéns vocês conseguiram” (mensagem alusiva às catástrofes ambientais que causamos)
Obs. Foi o vídeo inspirador para o projeto da revista e que me fez acreditar no projeto e colocá-lo em prática. http://www.youtube.com/watch?v=wCmO3OCZX6Q

Qual o impacto (positivo) que sua ideia/projeto tem sobre Curitiba? Como Curitiba é uma cidade que possui projetos socioambientais, buscamos contribuir para o processo de educação e aculturamento das pessoas. Acreditamos que antes de implantar projetos é necessário mudar pensamentos… Rever conceitos e criar novos modelos, isso faz parte do “pensar sustentável”.

Quem você admira? Refleti por uns instantes sobre essa pergunta!!!
Admiro muitas pessoas próximas e poderia cometer injustiças citando alguns nomes!
Tenho grande admiração pelas pessoas que fazem o bem e trabalham por um mundo melhor para as próximas gerações!!!


O que é o HUB
Por perceber que faz falta um lugar em Curitiba que ofereça espaços e serviços para que gente com ideias inovadoras possa acessar recursos, realizar conexões, produzir e compartilhar conhecimento, formamos um grupo de interessados em trazer o Hub para cá. O Hub (www.the-hub.net) é uma organização que já existe em vários lugares do mundo e tem a ambição de inspirar e apoiar ideias empreendedoras e criativas rumo a um mundo radicalmente melhor.
SAIBA MAIS SOBRE O HUB CURITIBA

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Nova edição - Inovação e Sustentabilidade

A nova edição da revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL já está pronta...
Acesse aqui o editorial e saiba também os demais conteúdos que fazem parte dessa edição


EDITORIAL
Precisamos inovar e não apenas renovar

Desde os meus tempos de faculdade ouço falar que precisamos inovar constantemente. Buscar novos desafios, quebrar paradigmas, substituir modelos obsoletos, enfim, criar novas alternativas quando não conseguimos mais progredir nos formatos antigos. Esse discurso direciona a inovação para o momento exato em que já esgotamos todas as alternativas e recursos que podíamos.
A palavra inovação também ilustra os discursos de muitos consultores e profissionais que justificam seus resultados porque inovaram, ou pelo menos porque acham que inovaram. Um dos pontos que merece reflexão é se realmente inovamos ou apenas renovamos. Inovar é criar mudanças profundas e provocar atitudes/comportamentos diferentes, já renovar é apenas mudar a roupagem e manter o conteúdo.
Como o termo inovação sempre acompanha os gestores, nesse momento em que a estratégias são voltadas a sustentabilidade empresarial, isso fica ainda mais evidente. A inovação passa a caminhar de mãos dadas com a sustentabilidade dos negócios. Não criaremos soluções sustentáveis se não mudarmos os modelos de produção e de consumo. Uma inovação na indústria automobilística, por exemplo, terá que ir mais além do que mudar o tipo de combustível. Veículos movidos a energia elétrica é apenas um pequeno passo do que teremos (e seremos obrigados a ter) no futuro. Esse novo veículo terá que interagir com outras causas ambientais como, por exemplo, a mobilidade urbana. Veículos movidos a energia elétrica e nos tamanhos atuais não serão sustentáveis. Como diz o consultor Cleuton Carrijo em suas palestras, inovar é criar algo novo, inusitado e surpreendente. É mudar a direção do pensar, do viver e do ser.
Achei muito interessante também um comentário feito pela superintendente de Desenvolvimento Sustentável, Linda Murasaka, do Banco Santander em uma palestra na Bienal de Design. Ela explorou aquele famoso ditado de que não devemos “dar o peixe e sim ensinar a pescar”. Mas ela evoluiu da seguinte forma: “Dar o peixe é filantropia; ensinar a pescar é responsabilidade social; inovação é ensinar a pescar, se preocupar com a qualidade da água, com o ecossistema e trabalhar continuamente para que nunca falte peixe naquele local”. Esse pensamento nos faz ampliar a visão e perceber que a inovação é trabalhar em questões bem mais profundas. E atuar na mudança de conceito, colocar em prática novas ideias em conjunto com os fatores socioambientais são temas que você leitor encontrará nessa edição.
Boa Leitura! Pedro Salanek Filho - Editor

Veja o que mais você encontra nessa edição:

MATÉRIAS
- Entrevistado: Victor Barbosa (Presidente do CPCE)
- Matéria de Capa: Tempo de Rever Conceitos e Inovar
- Visão Sustentável: Jogos de Negócios Sustentáveis - A dinâmica do tabuleiro
- Responsabilidade Social: Sericultura gera cooperação e desenvolvimento sustentável no Paraná
- Rersponsabilidade Ambiental: Ecogaragem - Empresa de transporte coletivo reinventa com a sustentabilidade
- Desenvolvimento Local: História e sustentabilidade no interior do Paraná

ARTIGOS
Ivan Dutra: Política Nacional de Mudança do Clima - Uma no cravo e outra na ferradura
Jerônimo Mendes: Mais ação e menos discurso Brasil!
Ney Algusto Vieira: Do limão à limonada
Rosimery Fátima de Oliveira: Achei um ninho de passarinho reciclado



A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro "ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável" do consultor Evandro Razzoto. ASSINE AQUI