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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Evento do Pacto Global em Curitiba

ADESÃO AO PACTO GLOBAL AJUDA EMPRESA MOSTRAR AÇÕES PELA SUSTENTABILIDADE, AFIRMA ESPECIALISTA

Vitor Seravalli conduziu uma oficina realizada nesta quarta-feira, em Curitiba, pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial


Aderir aos princípios do Pacto Global não é apenas mais um título para a empresa, mas uma oportunidade de mostrar o que ela tem feito em prol da sustentabilidade, disseminar suas iniciativas, trocar experiências e criar uma oportunidade de negócios. A opinião é do especialista Vitor Seravalli, que esteve em Curitiba nesta quarta-feira (13) para conduzir uma oficina sobre o Pacto Global. Seravalli já presidiu o Comitê Brasileiro do Pacto Global.

Realizado pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE), do Sistema Fiep, o encontro reuniu mais de 70 pessoas, a maioria profissionais de empresas como a América Latina Logística, Arauco do Brasil, Copel, Ecovia, Electrolux, Gemalto, Spaipa, Bematech, Volvo, CNH, Furukawa, HT Technologies, Bosch, GVT, além de faculdades, prefeituras, sindicatos e associações.

O objetivo foi conscientizar e capacitar as empresas para a adesão ao Pacto Global - iniciativa proposta pela ONU que chama as empresas para a sua responsabilidade para com o futuro do planeta. Oficinas como essa, foram realizadas, também, em Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Londrina.

Ao abrir o encontro, o presidente executivo do CPCE, Victor Barbosa, destacou que as empresas mais eficientes possuem um compromisso social na gestão empresarial. “No mundo globalizado de hoje, não entender e não seguir as regras de responsabilidade social é um convite à mediocridade e lucratividade reduzida”, disse.

O Paraná possui 77 signatários - atrás apenas para São Paulo. “O Paraná tem a vantagem de ter a Fiep como signatária e membro do Comitê Brasileiro. O trabalho da Fiep e do CPCE na conscientização dos empresários tem ajudado muito a aumentar o número de empresas que seguem os princípios”, disse. Das três cidades brasileiras que já aderiram, duas são paranaenses: Maringá e Ortigueira. Em todo o mundo são 8.000 signatários. O Brasil aparece na quarta posição, com 456. “Nossa meta é chegar em 2020 com 20 mil signatários”, avaliou Seravalli.

Comunicação de Progresso – Após firmar compromisso com os princípios do Pacto Global, as empresas devem fazer, uma vez ao ano, o Comunicado de Progresso (COP). No site www.pactoglobal.org.br há uma série de informações sobre como montar este relatório.

O Crea-PR é signatário desde 2009. “Antes não tínhamos nada nessa área de responsabilidade social. Nosso primeiro passo foi realizar uma oficina com os funcionários e pontuar ações que eles estivessem dispostos a fazer”, disse a coordenadora do Comitê de Responsabilidade Socioambiental Corporativa do Crea-PR, Cacilda Ribeiro. Segundo ela, entre os resultados estão a unificação dos indicadores e a adesão ao selo pró-equidade de gênero na empresa.

A Arauco do Brasil já está se preparando para sua primeira Comunicação de Progresso. “A empresa tem dentro de seus compromissos ações relacionadas aos princípios globais. Isso facilitará na hora de evidenciar as ações”, afirmou a coordenadora de relações institucionais da Arauco, Maristela Aparecida dos Santos, destacando que a adesão da matriz da empresa, que fica no Chile, incentivou a fábrica do Brasil a também se tornar signatária.

Sustentabilidade Revisitada – Durante o encontro de Curitiba, o empresário e secretário executivo do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, Rodrigo da Rocha Loures, lançou o livro “Sustentabilidade Revisitada: o que queremos sustentar?”. Segundo Loures, que presidiu o Sistema Fiep até 2011, a sustentabilidade parte da mudança de consciência dos empresários. “As iniciativas têm que acontecer por protagonismo da sociedade civil e dos empresários. Podemos ir além da mobilização e sermos agentes do desenvolvimento sustentável”.

Foto: Mauro Frasson
Fonte: FIEP

Curitibanos pedalam para gerar energia limpa

Quem passar pela farmácia Minerva do Bacacheri, nesta quinta-feira, 14, poderá participar de uma atividade diferente, produzindo energia elétrica a partir do próprio esforço. A ação, denominada Cine Bike, conta com 14 bicicletas, acopladas a geradores individuais que, quando pedaladas, geram energia elétrica que ativa um telão. Ação ecológica acontece nesta quinta-feira

O mecanismo é simples: os geradores transferem a corrente contínua do dínamo ativado pelos ciclistas a um transformador, que a converte em corrente alternada de 110 volts. De acordo com o professor de Física do curso pré-vestibular Acesso, José Motta Filho, os equipamentos usados no Cine Bike dão um belo exemplo de transformação de energia: a energia mecânica proveniente das pedaladas transforma-se em energia elétrica capaz de acionar os aparelhos geradores de imagem para o telão.

Catorze pessoas pedalando juntas geram cerca de dois quilowatts em uma hora (2kWh**) - energia suficiente para acender simultaneamente 33 lâmpadas de 60 watts, carregar 540 vezes um celular ou usar a bateria de um laptop por 40h. "É a atividade física de mãos dadas com a ciência, gerando energia limpa e bem-estar para as pessoas", afirma o professor.

A ação acontece das 14h às 20h e tem o objetivo de conscientizar a população em relação à prática de exercícios físicos e geração de energia limpa. Pessoas de todas as idades podem participar do evento, que é gratuito e aberto à comunidade. A Minerva fica na Av. Erasto Gaertner, 387.


Serviço:
O quê - Cine Bike
Quando - 14 de junho, das 14h às 20h
Onde - Estacionamento da Farmácia Minerva Bacacheri (Av. Erasto Gaertner, 387 - Curitiba - PR)
Quanto - Entrada gratuita
* Em caso de chuva, o evento será transferido.
** 1 kWh representa a energia consumida por uma potência de 1.000 watts ao longo de 1 hora.

Fonte: CentralPress

Soja tem gestão ambiental personalizada


A soja é a estrela da agricultura brasileira: segundo o Ministério da Agricultura, é a cultura que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de soja do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A soja é produzida em todo o Brasil, mas o principal estado produtor é o Mato Grosso do Sul, seguido pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul. Os compradores da soja nacional são principalmente a China e a Holanda, seguidos de Japão e México. Curiosamente, China e Japão são os países de onde a soja é originária.

Tanto interesse pelo grão se explica pelas suas diversas aplicações, especialmente aquelas voltadas à alimentação humana e animal devido à sua rica composição proteica. É utilizada, ainda, como matéria-prima para cosméticos, biocombustíveis, tintas e outros produtos.

Uma commodity agrícola (mercadoria de baixo valor agregado e comercializada globalmente em estado bruto) tão importante para o Brasil precisa de uma gestão ambiental e de sustentabilidade voltada especialmente para ela. Para o Ministério da Agricultura, o cultivo da soja deve ser orientado por um padrão ambientalmente responsável e com o uso de práticas de agricultura sustentável, entre elas, o sistema integração-lavoura-pecuária e a utilização da técnica do plantio direto. São técnicas que permitem o uso intensivo da terra com menor impacto ambiental, otimizando sobremaneira o uso de seus recursos e reduzindo a pressão pela abertura de novas áreas.

A TNC Brasil (The Nature Conservancy, maior organização de conservação ambiental do mundo, presente em mais de 30 países, que adota diferentes estratégias para preservar a natureza e a vida) realizou um amplo levantamento sobre os mecanismos de produção sustentável do grão, em expansão no Brasil e no mundo. Este levantamento culminou na publicação intitulada “Boas Práticas Agrícolas e Certificação Socioambiental – A Caminho da Sustentabilidade” (disponível gratuitamente em...), com o objetivo de "ilustrar os movimentos do setor agrícola rumo ao equilíbrio entre o desenvolvimento produtivo e a preservação dos ativos sociais e ambientais". Desta maneira, a publicação vem "prover informações iniciais aos produtores, empresas e demais envolvidos nesta cadeia, sobre as particularidades da responsabilidade social e ambiental relacionada às commodities agrícolas, com destaque para a soja e seus subprodutos".






O resultado da pesquisa, feita em parceria com as empresas Cargill, Syngenta, Amaggi e Fiagril, foi lançado na oficina Boas Práticas e Certificação Socioambiental da Soja, organizada pela TNC e parceiros, no dia 29 de março deste ano, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso.

Entre os temas abordados pela publicação, os “Mecanismos Financeiros” merecem destaque, uma vez que descrevem alguns dos principais condicionantes de sustentabilidade exigidas por instituições bancárias para o financiamento da cadeia produtiva. São programas de boas práticas agrícolas adotados por produtores, empresas, órgãos públicos e outras entidades, além de compromissos, acordos e certificações socioambientais são também esclarecidos no documento.

Outro tema de destaque, o CAR, Cadastro Ambiental Rural, é um instrumento de gestão ambiental e territorial que visa à identificação georreferenciada das propriedades rurais, para uma precisa delimitação de suas APPs (Áreas de Preservação Permanente) e de suas RLs (Reservas Legais), além dos remanescentes de vegetação nativa localizadas no interior do imóvel. Esse cadastro, já exigido por alguns órgãos de controle e fiscalização ambiental, apresenta-se como uma ferramenta bastante importante de auxílio ao controle ambiental das propriedades, ao planejamento e à implementação de políticas públicas com base nos dados levantados, além de controlar a efetividade das operações de fiscalização, entre muitos outros benefícios socioambientais, tanto para proprietários de terras, como para trabalhadores e a sociedade em geral.

Na estrada da sustentabilidade

A coordenadora de conservação de terras privadas do Programa de Conservação da Mata Atlântica e Savanas Centrais da TNC, Giovana Baggio de Bruns, diz que todas as commodities agrícolas brasileiras estão trilhando a estrada da sustentabilidade: "Comprovar que produtos agrícolas são produzidos de maneira sustentável é uma ação que não pode mais ser ignorada pelos produtores, visto que os consumidores, os importadores e o mercado estão questionando isso cada vez mais".

Giovana afirma que, para o mercado, não basta ser sustentável, é preciso comprovar a sustentabilidade e esse é o papel das certificações socioambientais: maneiras de se ratificar, com esquemas auditáveis e isentos, que a empresa efetivamente faz aquilo que diz fazer. Ela conta que há países, como a Holanda, que se comprometeram, até 2015, a importar apenas soja certificada conforme rígidos critérios de sustentabilidade. "Se considerarmos que a Holanda é o segundo maior importador da soja brasileira, um mercado bastante interessante e sustentável está se abrindo e o Brasil pode se destacar como um exemplo positivo", afirma. A TNC já observa no país uma movimentação grande de empresas e produtores de soja e outras culturas, para se adequar à legislação ambiental e trabalhista como primeiro passo para futuras certificações. Até porque a tendência, diz a coordenadora, é que os demais mercados consumidores, como a China, que ainda estão muito focados em garantir uma escala de abastecimento - devido à crescente demanda por alimentos - e outros países como Japão e México comecem a seguir o caminho do mercado europeu.

Segundo o Ministério da Agricultura, o mercado brasileiro da soja tem a perspectiva de crescimento internacional de 35% até 2020. Giovana ressalta, entretanto, que isso não significa que outras culturas não irão crescer também. "O Brasil ainda tem muita área para isso. O problema é que precisamos investir na recuperação de quase 140 milhões de hectares de pastagens degradadas (dado do prof. Aníbal Moraes da Universidade Federal do Paraná), tanto para fins agrícolas quanto para fins de restauração da vegetação nativa", declara. A coordenadora afirma ainda que, ao contrário do que muitos querem dar a entender, diversas culturas agrícolas e vegetação nativa podem coexistir, e o Brasil pode ser um modelo mundial de agricultura sustentável, desde que os brasileiros se esqueçam dos modelos de desenvolvimento pautados na degradação: "Não é necessário desmatar. Novas técnicas existem, só precisamos usá-las".

Giovana lembra que, há alguns anos, o brasileiro nem imaginaria ver prateleiras de supermercados forradas de produtos orgânicos certificados. Hoje, até o papel para talões de cheque e contas de luz é feito a partir de florestas plantadas certificadas pelo FSC (Forest Stewardship Council), cujo braço no Brasil é Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, ou pelo Cerflor (Certificação Florestal). "Isso demonstra que o mercado interno brasileiro está se preocupando cada vez mais com uma origem sustentável dos produtos e, a meu ver, é só uma questão de tempo para chegarmos a níveis de conscientização como os da Alemanha, Holanda e outros países europeus", diz.

Nessa evolução, os organismos financeiros têm papel importante e podem ser molas propulsoras da melhoria socioambiental no campo. Ao exigirem o cumprimento de critérios ambientais e sociais na propriedade rural para a liberação de crédito, exercem uma pressão positiva e fundamental que influencia na melhor gestão dos recursos naturais e dos trabalhadores em toda a cadeia produtiva. A adequação da propriedade rural tem um custo, e os subsídios para que o produtor rural faça a sua parte devem ser dados de maneira facilitada, afinal, uma propriedade que administra bem seus recursos naturais e humanos, produz mais, melhor e por um período maior. E os programas de Boas Práticas Agrícolas e Certificações vêm para corroborar esse processo.






Giovana afirma que é também muito importante que informações referentes à origem dos produtos agrícolas e à importância de se consumir com responsabilidade cheguem a todos, pois é o consumidor final que mais pode influenciar a melhoria socioambiental de toda a cadeia produtiva agrícola e industrial. Porém, até mesmo para produtores rurais, ainda falta conhecimento em questões ambientais, o que gera a maioria das controvérsias. "Por essa razão, a mídia de massa tem papel primordial. Entretanto, é essencial também que a informação chegue de uma maneira mais pessoal e direta ao campo e é por isso que priorizamos eventos e publicações para produtores rurais", diz.

Quanto ao Novo Código Florestal, ainda a ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff, a TNC espera que as propriedades rurais sejam totalmente adequadas à Legislação Ambiental, principalmente no que se refere à Reserva Legal. "Entretanto, ao dialogarmos com produtores de todo o Brasil, percebemos que a maioria está bastante consciente da importância das Áreas de Preservação Permanente (matas ciliares) e sabe as consequências para os rios e mananciais do mau uso dessas áreas de proteção", afirma Giovana.

No caminho das boas práticas

Luis Fernando Guedes Pinto, do corpo técnico do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), também vê a sustentabilidade agrícola como um processo lento que depende de vários passos e instrumentos que vão de crédito à forma de produzir e comercializar, e implica em mudanças em toda a cadeia produtiva. "A soja e outros setores da agropecuária nacional acordaram para a questão da sustentabilidade como algo importante para a sua competitividade e visão de longo prazo, mas ainda estão em começo da mudança. Assim, ainda não temos como avaliar com exatidão a escala da sustentabilidade do setor", diz.

Para ele, a certificação é um dos instrumentos que devem levar a soja e outros setores ao caminho das boas práticas e da gestão da produção com conservação dos recursos naturais, e garantia de direitos e condições de trabalho dignas no campo: "Temos evidências de que isso tem ocorrido em setores como café, cacau e manejo florestal, mas estamos no começo".

Guedes Pinto lembra a Moratória da Soja, um pacto ambiental entre entidades representativas de produtores de soja no Brasil, ONGs e o governo federal prevendo a adoção de medidas contra o desmatamento da Amazônia. Ele acredita que a Moratória tem contribuído para aumentar o conhecimento público da relação entre a expansão do setor e o desmatamento do bioma amazônico, e sido realmente efetiva para diminuir o desmatamento pela expansão da cultura da soja naquele bioma. Porém, adverte que a Moratória não é uma solução definitiva: "É uma transição para uma realidade em que outros instrumentos (lei, certificação, crédito, etc.) deem conta da meta de frear o desmatamento pela expansão da fronteira agrícola em qualquer bioma".

Como Giovana Baggio de Bruns, da TNC, Guedes Pinto também aposta na comunicação de massa para divulgar os diversos pontos de vista sobre o assunto. Entretanto, também como ela, vê as limitações desse processo em que os grandes meios de comunicação não dão conta de mostrar a pluralidade de opiniões e soluções. Portanto, são necessários novos meios de comunicação de massa especializados e com maior transparência na disseminação das informações.

Outro sistema de controle socioambiental importante é o rastreamento dos produtos gerados pelas culturas como a da soja. Para Guedes Pinto, não é por questões tecnológicas que os mecanismos de rastreamento ainda não foram implantados para a maioria dos produtos de origem agropecuária, pois há formas de rastrear matérias-primas em toda a cadeia produtiva. O problema seria o custo, que muitos setores não querem ou não podem absorver. "Além disso, essa transparência nem sempre é do interesse do vendedor varejista ou atacadista, que não consegue garantir a origem do que compra", declara. "Ainda consumimos muitos produtos de origem ilegal ou predatória".

Em relação à soja, Guedes Pinto diz que as traders que compram e vendem a maior parte do grão produzido no Brasil poderiam garantir essa origem, se quisessem: "Algumas delas até têm suas marcas de óleo, que encontramos nos supermercados, mas, além da tecnologia, elas teriam que mudar seu relacionamento com os produtores e adotar novas políticas de compra, numa perspectiva de longo prazo e com responsabilidade compartilhada com o produtor".

Assim, apesar de não substituir as políticas públicas e a aplicação da lei que devem ser feitas pelo Estado, uma das melhores formas de promover mudanças socioambientais em setores produtivos ainda é a certificação correta: "A condução de um processo de certificação e auditoria tem uma ética e uma dinâmica que faz diferença no resultado e é um instrumento de estímulo e de uma agenda positiva", afirma Guedes.






Mecanismos financeiros

A publicação da TNC cita alguns mecanismos financeiros de apoio ao cultivo da soja no Brasil: do Rabobank International Brasil, do Banco do Brasil e da Corporação Financeira Internacional (International Finance Corporate - IFC).

O Rabobank, fundado há mais de 110 anos por produtores rurais holandeses e presente em 45 países, "incentiva a adoção de boas práticas agrícolas e de gestão ambiental que incluam a conservação da biodiversidade, do solo, da qualidade da água e do ar; o desenvolvimento de políticas sociais e ambientais para fornecedores de matérias-primas; o uso de procedimentos que garantam o bem-estar animal; e a mitigação da emissão de gases de efeito estufa".

O Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio no país, aderiu à Moratória da Soja proposta por ONGs ambientalistas em 2006, pactuada com o governo e o setor produtivo: "O banco estabeleceu critérios de regularização ambiental das propriedades para a concessão de financiamento, também abrindo linhas de crédito para a recuperação de Reservas Legais (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP), negando o financiamento para a produção de soja em áreas desmatadas. Neste cenário, a instituição passou a considerar quesitos exigidos na Moratória da Soja para a análise e concessão de crédito".

"A IFC, ligada ao Banco Mundial (World Bank), é uma instituição financeira que tem como missão a promoção do investimento sustentável do setor privado dos países em desenvolvimento, ajudando a reduzir a pobreza e a melhorar a vida das pessoas". Os projetos por ela financiados devem "ser implementados em um país em desenvolvimento membro da IFC; pertencer ao setor privado; ser tecnicamente seguros; apresentar boas perspectivas de lucratividade; beneficiar a economia local; e ser ambiental e socialmente saudáveis, atendendo aos padrões ambientais da IFC, bem como os padrões do país em que se inserem".

CAR - Cadastro Ambiental Rural, por Giovana Baggio de Bruns, coordenadora de conservação de terras privadas do Programa de Conservação da Mata Atlântica e Savanas Centrais da TNC

"O Cadastro Ambiental Rural é uma ferramenta que vem sendo implementada em vários estados e a TNC foi uma das líderes na sua implementação no Mato Grosso e no Pará. Na medida do sucesso que o cadastramento alcança, outros estados estão se interessando pela sua implementação. O CAR é discutido dentro do Novo Código Florestal e, se realmente for incluído como um instrumento essencial em Lei Federal, logo todos os estados brasileiros estarão implementando a ferramenta.

O CAR, primeiramente, auxilia na adequação da propriedade rural em relação à legislação ambiental, principalmente no que se refere à alocação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.

Entretanto, a TNC estuda o desenvolvimento de outras ferramentas, não relacionadas ao CARGEO (que é o software que está por trás da ferramenta do CAR), para que o monitoramento da implantação de Boas Práticas Agrícolas seja possível.

A TNC lista em sua publicação os principais programas de Boas Práticas Agrícolas (ou BPAs), compromissos, acordos e esquemas de certificação socioambiental ligados à produção da soja:

Programas de Boas Práticas Agrícolas

Soja Plus – Programa de Gestão Econômica, Social e Ambiental da Soja Brasileira

Soja Mais Verde

Cargill 3S – Soluções para Suprimentos Sustentáveis

Código de Agricultura Sustentável Unilever (Sustainable Agriculture Code – SAC)

Programa Soja Livre – Embrapa

Agricultura Sustentável – Bunge

Iniciativa “Do Campo ao Mercado” - Instituto para o Agronegócio Sustentável (ARES) e Embrapa

Programa de Aplicação Responsável (PAR)

Programas de Boas Práticas Agrícolas Emater

Manual de Boas Práticas Agrícolas Socioambientais no Agronegócio – Rabobank

Syngenta – Projetos Socioambientais

Grupo André Maggi – Sustentabilidade

Fiagril – Projetos Socioambientais

Compromissos e Acordos

Critérios da Basiléia (Basel Criteria – BC)

Iniciativa Holandesa de Comércio Sustentável (Initiatief Duurzame Handel – IDH)

Moratória da Soja

Diretiva de Energia Renovável da União Europeia (EU–RED)

Esquemas de Certificação Socioambiental

Certificação RTRS – Associação Internacional de Soja Responsável / Mesa Redonda da Soja Responsável

Padrão ProTerra de Responsabilidade Social e Sustentabilidade Ambiental

Esquema de Certificação da Sustentabilidade da Câmara Argentina de Biocombustíveis para a União Europeia – (Carbio Sustainability Certification Scheme for EU – RED Compliance - CSCS)

Esquema Voluntário de Sustentabilidade de Biocombustíveis de Biomassa (Biomass Biofuels Sustainability Voluntary Scheme – 2BSvs)

Sistema de Segurança para Matérias-Primas para Alimentação Animal (Feed Materials Assurance Scheme - FEMAS)

Associação Argentina de Produtores de Plantio Direto – Aapresid / Agricultura Certificada (AC)

Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (International Federation of Organic Agriculture Movements – IFOAM)

Comércio Justo (Fairtrade)

IBD - Selo EcoSocial

Rede de Agricultura Sustentável Imaflora (RAS) / Sustainable Agriculture Network (SAN) – Selo Rainforest Alliance CertifiedTM

GlobalGAP - Global Good Agricultural Practices

Mesa Redonda dos Biocombustíveis Sustentáveis - Round Table on Sustainable Biofuels (RSB)

Sustentabilidade Internacional e Certificação do Carbono – International Sustainability and Carbon Certification (ISCC)

Acordo Técnico da Holanda – Netherlands Technical Agreement (NTA 8080)

Oferecimento

Convite - Lançamento em Curitiba hoje às 19h30

Rio+20: ONG paranaense terá projetos discutidos na conferência



Ações para evitar o desmatamento e conservar a biodiversidade reduzem emissão de gases do efeito estufa

A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), ONG paranaense que atua na conservação da biodiversidade, estará presente na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A instituição traz um balanço de como algumas de suas iniciativas estão contribuindo para os objetivos definidos em convenções internacionais sobre biodiversidade e mudanças climáticas. Um dos principais destaques será a apresentação do programa E-CONS (Empreendedores da Conservação).

Veja abaixo alguns projetos da SPVS e seus resultados:

Conservação de biomas brasileiros
Lançado recentemente, o Programa Empreendedores da Conservação (E-CONS) tem o objetivo de identificar e apoiar financeiramente pessoas com projetos de conservação em todos os biomas do Brasil. Seis projetos já são apoiados, entre eles:

• O combate ao tráfico do papagaio-verdadeiro no Pantanal Sul e outras espécies ameaçadas na Serra da Bodoquena;

• O incentivo à transformação de áreas naturais em reservas particulares;

• A diminuição da caça ao lobo-guará (Cerrado);

• A descoberta e conservação do soldadinho-do-araripe (Caatinga) e do bicudinho-do-brejo (Mata Atlântica); e

• A disseminação da educação ambiental na Amazônia.

“Todos os projetos apoiados trazem a luz o conceito dos serviços ambientais, benefícios essenciais para as pessoas e para as atividades econômicas”, explica Ângela Kuczach, técnica responsável pelo programa na SPVS.

A integração com a iniciativa privada é um dos destaques do programa E-CONS, que recebe o apoio do HSBC. “Essas parcerias fortalecem a capacidade de implementação de ações para resolver as causas da perda da biodiversidade, garantindo que as preocupações sejam integradas em toda a sociedade”, opina Ângela.

Papagaio-de-cara-roxa

Desde 1998, a ONG executa o Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, uma ave da Floresta Atlântica do sul do Brasil sob risco de extinção. Entre as ações estão a conservação de populações geneticamente viáveis, a eliminação de ameaças de extinção, a sensibilização da comunidade e a conservação ambiental da região em que o papagaio-de-cara-roxa ocorre.

“Este projeto envolve a participação da sociedade civil e comunidade local na preservação ao papagaio, o que se integra ao Plano Estratégico para a Diversidade Biológica 2011-2020, que tem o objetivo de reduzir a perda da biodiversidade em todo o mundo”, aponta Elenise Sipinski, coornadora do projeto na SPVS.

Segundo ela, o projeto também se integra ao plano por gerar e promover informações científicas sobre a espécie, além de desenvolver metodologias para monitorar o status e as tendências de comportamento do papagaio e dos serviços ecossistêmicos da região.

O resultado deste trabalho pode ser visto anualmente durante o censo que a instituição realiza na região. Em 2011, foi constatado um aumento de 28% no número de papagaios, com relação à média dos anos anteriores (5.000 indivíduos).

Política Pública

O trabalho que a instituição faz é usado pelo governo brasileiro como resultados que o País vem alcançando para a consecução dos objetivos de um acordo internacional. No caso da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), em 2010, a SPVS foi citada no quarto relatório nacional enviado pelo Governo para demonstrar como o Brasil coloca a Convenção em prática, como exemplo de iniciativas envolvendo a preservação ou recuperação de vegetação nativa para a compensação de emissões de carbono, Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) e conservação da água.

Convenção sobre Mudanças do Clima

O trabalho de preservação de vegetação nativa tem relação com outro importante acordo internacional: a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima.

Segundo Denilson Cardoso, coordenador do Programa Desmatamento Evitado, “o projeto contribui para a mitigação das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que ajuda na conservação da Floresta com Araucária, um ecossistema ameaçado e de alto interesse para a manutenção da diversidade biológica”.

Atualmente, são mais de 420 mil toneladas de carbono estocadas em 24 áreas com contratos vigentes. Essa é a quantidade de carbono que seria emitida para a atmosfera, caso essas áreas fossem degradas ou desmatadas.

Na Rio+20

Os resultados dos projetos da SPVS serão levados à Rio+20. Na conferência, haverá um side event que apresentará um estudo feito pela ONG sobre políticas públicas de mudanças climáticas para os setores de agricultura e florestas no Brasil. Além disso, representantes da instituição acompanharão as discussões e os debates durante a Conferência, assim como farão intercâmbio com empresas, agentes governamentais e outras ONGs em busca de soluções a vida no Planeta.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Feira ReciclAção EXPOMAI

Economia verde para um novo modelo de desenvolvimento


Ambientalistas, empresários e a sociedade se perguntam como minimizar o impacto socioambiental sem abrir mão da segurança financeira

O modelo econômico atual, de produção e consumos crescentes, além de ferir o meio ambiente e o ser humano, já não se sustenta. Ainda assim, muitos governos, empresários e economistas continuam apostando nele e incentivando-o, como se não houvesse outra forma de manter a população da Terra alimentada, segura e feliz, mesmo sabendo que a maior parte da população da Terra não está nem alimentada ou segura e muito menos feliz.

"A humanidade descobriu que é parte do problema que afeta a sua própria sobrevivência na medida em que sistemas econômicos e políticos permitem tanto a perversa exploração do ambiente quanto de outros seres humanos", afirma o representante da sociedade civil da Comissão Nacional Organizadora do governo brasileiro da Rio+20, o doutor em Engenharia Ambiental Rubens Harry Born. "A economia de uma civilização sustentável tem que estar a serviço da sociedade e em defesa da vida."

Para ele, a noção da necessidade urgente de mudança para outro modelo não apenas econômico, mas civilizatório, de sociedades sustentáveis, se disseminou com a gravidade das crises climáticas e da perda de biodiversidade, e ganhou novos atores sociais que exigem de governos e de empresas essa mudança. Segundo Born, que também é coordenador executivo do Instituto Vitae Civilis para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz - organização brasileira fundada em 1989 -, no Brasil houve avanços na legislação, como aprovação de leis sobre política nacional de recursos hídricos, de resíduos sólidos, unidades de conservação ambiental, crimes ambientais, acesso à informação etc. "Mas esses avanços ainda não redundaram em mudanças estruturais nas políticas econômicas e em reversão da degradação socioambiental", diz. "Por isso, precisamos continuar a sensibilizar e mobilizar a sociedade para a efetivação dos compromissos globais e nacionais para a sustentabilidade."

Espera-se que um importante passo nesse sentido seja dado na Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável 2012, a ser realizada nos dias 20 a 22 de junho deste ano, cujo objetivo é desenvolver uma declaração política de renovação dos compromissos internacionais em desenvolvimento sustentável assumidos na Rio-92 - Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. "Além da transformação econômica, o desafio é buscar a transformação dos arranjos institucionais internacionais para que estes ajudem países e cidadãos a encontrar meios para promoção da plataforma social e das condições ambientais necessárias para a vida digna de todos", diz Born.

A transição que o mundo precisa fazer para chegar a esse novo modelo econômico e civilizatório, na falta de outra definição mais exata, está sendo chamada de economia verde. Born afirma que ainda não há um consenso sobre um conceito do que seja economia verde e que essa expressão tem suscitado debates e interpretações variadas, segundo as diversas abordagens e visões dos diferentes meios sociais (trabalhadores, empresários, indígenas, governos etc.).

Para ele, independentemente do nome dado à nova economia, ela deve atender às sete questões críticas que a ONU propõe na Rio+20 (ver quadro): "E as atividades econômicas, de comunidades rurais até conglomerados industriais, devem atender a dois fundamentos: por um lado, contribuir para a efetivação de direitos sociais à educação, saúde, alimentação e habitação, consagrados na Declaração Universal de Direitos Humanos elaborada pela ONU em 1948 e, por outro lado, respeitar os limites ambientais planetários e de cada ecossistema, ajudando a conservar e restaurar ecossistemas, respeitar a capacidade de suporte, proteger áreas frágeis".

O ambientalista conta que um dos temas da Rio+20 (assim chamada porque se completam 20 anos da Rio-92), é a economia verde para erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável: "Outro tema importante é a governança, ou seja, os mecanismos decisórios e institucionais, de transparência e acesso à informação na esfera global para a coordenação do desenvolvimento sustentável".

Pequenos ajustes: Born afirma que não se pode confundir economia verde com apenas a mitigação, pelo uso de tecnologias de controle da poluição ou outras medidas semelhantes, de impactos socioambientais. "Economia verde não é, por exemplo, mero aproveitamento de oportunidades para atividades e negócios que ajudam a poluir menos", diz. Para ele, essas ações são necessárias, mas não suficientes para se alcançar uma economia em favor da sustentabilidade e da sociedade, pois essa economia deve contar com marcos regulatórios estabelecidos pelo poder público e com parâmetros ambientais fundados no conhecimento científico e no princípio da precaução. Sempre considerando aspectos culturais e históricos de importância para as diferentes comunidades humanas.

O ambientalista diz que acreditar que essas iniciativas, que chama de pequenos ajustes, estão colocando o mundo no caminho da sustentabilidade é um equívoco que incentiva os modos atuais de produção e consumo. Ele exemplifica com a indústria veicular, associada ao segmento de combustíveis fósseis e renováveis, que se assentam na capacidade ilimitada (crescimento ilimitado) da produção e uso de veículos para o transporte individual. "Isso resulta somente em mais congestionamento nas cidades, mais óbitos e pessoas enfermas nas cidades pela poluição, além de exploração ampliada de petróleo (pré-sal) ou de terras férteis", diz. Assim, para Born, as políticas públicas e programas que favorecem tal produção e consumo, como a recente redução de impostos para veículos de baixa cilindrada como estratégia governamental para enfrentar a crise financeira, ou a aprovação da lei que altera o Código Florestal, colocam o país na contramão dos esforços necessários para lidar com a redução de emissões de gases de efeito estufa e proteção da biodiversidade.

Contudo, algumas corporações nacionais ou multinacionais se dedicam a essas ações e afirmam que estão fazendo sua parte. Empresas como a Volvo, fabricante motores e veículos, e a Beraca, desenvolvedora de tecnologias, soluções e matérias-primas para tratamento de águas, cosméticos, nutrição animal e indústria de alimentos e bebidas.

Para o coordenador de assuntos institucionais e governamentais da Volvo do Brasil, Alexandre Parker, todo passo no sentido de poupar o meio ambiente e as pessoas é um passo na direção da economia verde: "Todos os empresários podem desenvolver projetos sustentáveis, até porque há muitas linhas de crédito bastante atrativas, disponíveis nacional e internacionalmente, para projetos bem estruturados, responsáveis e profissionais".

A gerente comercial nacional da Beraca, Vanessa Salazar, acredita que toda iniciativa, por mínima que seja, é importante. Ela afirma que a Beraca está comprometida, a partir de critérios nacionais e internacionais de gestão ambiental, social e econômica, com a conservação da biodiversidade, o respeito ao conhecimento tradicional e uma repartição justa e equitativa dos benefícios ao longo de toda a cadeia produtiva.

Empresas sustentáveis: Alexandre Parker diz que, como todo o Grupo Volvo - que tem 20 fábricas e 190 pontos de venda no mundo todo -, a Volvo do Brasil, sediada em Curitiba, no Paraná, é firmada em três pilares: qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente, e está em constante desenvolvimento de ideias e projetos em todos os departamentos que visam a esses objetivos. "São projetos focados, profissionais e produtivos, pensados, projetados e conduzidos para, de alguma forma, contribuir com a economia verde e o fairtrade", diz.

"Porém, entenda-se bem", adverte, "com resultados em médio e longo prazo". Ele conta, por exemplo, que o departamento de Engenharia de Produto, pelo qual ingressou na Volvo, em 1986, já na década de 1980 praticava a lista negra dos produtos, indo além da demanda legal, ou seja, não apenas não utilizando materiais proibidos legalmente, mas reconhecidamente prejudiciais. "Não há um dia em que eu não trabalhe com um dos nossos pilares ligados à sustentabilidade", afirma.

Já Vanessa Salazar acredita que, para uma empresa crescer de modo sustentável precisa apoiar-se no tripé da sustentabilidade, ou seja, com aproveitamento inteligente de recursos naturais e buscando desenvolvimento social e econômico. E que um produto, para ser considerado sustentável, tem que ser desenvolvido preservando os recursos naturais e as pessoas envolvidas na exploração desses recursos: "Em seu processo produtivo, a Beraca trabalha em parceria com cerca de 1.500 pessoas, distribuídas em núcleos comunitários. Entre as ações, está o auxílio na organização da coleta de frutos da floresta, por meio de treinamentos sobre o manejo sustentável de matérias-primas, e a ampliação das oportunidades de inserção no mercado", conta. "Dessa forma, exportamos óleos vegetais, manteigas, extratos, resinas e argila com a certeza de que estamos respeitando o meio ambiente e proporcionando uma fonte de renda para várias famílias brasileiras".

Vanessa destaca algumas iniciativas, que julga positivas, do governo brasileiro na área de atuação da Beraca, como a assinatura do Protocolo de Nagoya que estabelece bases para um regime eficaz e que torna possível o acesso e a repartição dos benefícios provenientes da biodiversidade, bem como dos conhecimentos tradicionais a ela associados: "É um importante passo para garantir a preservação e a conservação da biodiversidade no mundo, além de um instrumento contra a biopirataria".

Ela lembra ainda o CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético), criado com o intuito de regulamentar a utilização de recursos genéticos. "O Brasil, berço da maior biodiversidade do mundo, precisa ser o mais preocupado em preservar suas riquezas e estimular a economia verde", afirma Vanessa. "Comparado a outros países do mundo, ainda temos uma atuação tímida nesse sentido, mas, acreditamos, a iniciativa privada e a sociedade podem realmente fazer diferença e assumir a liderança desse movimento".

A Beraca, com sete fábricas no território nacional, e presente em 41 países por meio de 33 distribuidores, localizados nas Américas, Europa, Ásia e Oceania - e ainda um escritório comercial em Paris, é signatária do Pacto Global da ONU, para o setor privado, defende dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção.

Nos sites de ambas as empresas, Volvo do Brasil (www.volvodobrasil.com.br) e Beraca (www.beraca.com.br), é possível conhecer em detalhes cada projeto ligado à sustentabilidade e ao comércio justo.

Pessoas sustentáveis: Além de iniciativas corporativas e empresariais, surgem cada vez mais iniciativas da sociedade na busca pela preservação dos recursos do planeta e da vida humana. Instituições, ONGs e indivíduos que trabalham e até dedicam suas vidas a esses valores. Pessoas como o diretor de cinema diretor israelense Micha Peled, que acaba de lançar o último filme da sua Trilogia da Globalização, que mostram, com eloquência, os efeitos negativos das ações de grandes corporações nas vidas de pessoas.

"O que eu posso fazer a esse respeito?" Questionando-se dessa forma diante do que acredita serem os maus efeitos colaterais da globalização, Peled produziu os documentários Store Wars: when Wal-Mart comes to town (sem versão em português), China Blue e Amargas Sementes. Este foi exibido no Brasil no festival internacional de documentários "é tudo verdade", que aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo no final de março. Através dos olhos de uma adolescente que sonha se tornar jornalista - Manjusha Amberwar -, Amargas Sementes desvenda uma epidemia de suicídios entre produtores familiares de algodão - mais 250 mil mortes - que, ao serem obrigados a utilizar sementes transgênicas produzidas pela Monsanto, perdem suas colheitas e terras, entram em desespero e cometem suicídio, deixando famílias inteiras para trás. Manjusha é uma das órfãs da epidemia.

Peled diz que o objetivo desses filmes é chamar a atenção para o poder das grandes corporações sobre as vidas e que a única forma de parar as consequências ruins desse poder é as pessoas se informarem e se organizarem.

Apesar de se declarar um cineasta e não um ativista, as escolhas de Peled têm sido bem particulares. Seus primeiros trabalhos como documentarista abordam questões ligadas às origens do diretor, que nasceu e viveu uma parte da vida em Israel, e a trilogia, que levou doze anos para ser concluída, levanta questões de fairtrade. "Eu não teria devotado doze anos da minha vida a fazer filmes sobre algo com o qual não me importasse", afirma. "É aí que entra o ativista: faço os filmes e mostro essas questões a pessoas do mundo todo."

Entretanto, ele ressalta uma questão importante: para que as pessoas realmente mudem de comportamento não se pode somente lhes apontar o que está errado, é preciso apresentar alternativas: "Não adianta mostrar às pessoas somente o que eles devem ser contra, mas do que podem ser a favor."

Peled acredita que a melhor contribuição que pode dar é fazer filmes. Ele conta que recebe muitos emails de pessoas que, tocadas pelos documentários, procuram informações para agir de forma mais justa e sustentável. O filme China Blue, que mostra as agruras da vida de duas adolescentes que trabalham como operárias em uma indústria de jeans que exporta para várias partes do mundo, é um bom exemplo. Ao ver como aqueles operários trabalham sob condições insalubres e análogas ao trabalho escravo, as pessoas querem saber como podem comprar roupas feitas sob condições corretas de respeito ao trabalhador, à natureza e ao mercado.

Peled leva muito tempo para fazer um documentário (levou quatro anos para terminar China Blue e três anos para Amargas Sementes) porque passa muito tempo observando, conversando com as pessoas e colhendo informações e provas. Ele verifica a veracidade de todas as informações e ouve os vários lados de cada questão. Confirma fatos, consulta cientistas, recolhe relatórios e documentos.

Para ele, a natureza de uma grande corporação é crescer continuamente e agregar valor a suas ações, garantindo sua lucratividade não apenas hoje, mas no futuro. Conversando com muitas pessoas ligadas a grandes corporações, empregados, diretores, etc., especialmente das indústrias que critica nos filmes, Peled ouve as mais variadas explicações de porque o que estão fazendo é uma coisa boa: "Em todas as indústrias, as pessoas, seres humanos como eu, podem ser muito boas, talvez melhores do que eu", diz Peled. "O que percebo é que a mente humana não consegue viver muito tempo em dissonância cognitiva, ou seja, você não pode se olhar no espelho e sair para trabalhar todos os dias se sabe que a empresa para a qual você trabalha está fazendo coisas terríveis. Então você acredita em outra coisa que o faça se sentir melhor. E acredita profundamente nisso, da mesma forma que eu acredito no oposto."


7 Questões Críticas da Rio+20 (fonte: site da Rio+20 - www.rio20.info)

EMPREGO
Ação econômica e políticas sociais para criar trabalho remunerado são fundamentais para a coesão e estabilidade sociais. "Empregos verdes" são vagas na agricultura, indústria, serviços e administração que contribuem para a preservação ou restauração da qualidade do meio ambiente.

ENERGIA
O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon está liderando a iniciativa Energia Sustentável para Todos para garantir o acesso universal a serviços energéticos modernos, melhorar a eficiência e aumentar o uso de fontes renováveis.

CIDADES
Permitir que as pessoas avancem social e economicamente está entre as melhores coisas nas cidades e os desafios enfrentados podem ser superados de forma que possam continuar a prosperar e crescer, melhorando a utilização dos recursos e reduzindo a poluição e pobreza.

ALIMENTAÇÃO
Uma mudança profunda no sistema alimentar e na agricultura mundial é necessária se quisermos alimentar os atuais 925 milhões de famintos e os 2 bilhões de pessoas esperadas até 2050.

ÁGUA
Escassez e má qualidade de água impactam negativamente a segurança alimentar, subsistência e oportunidades educacionais para as famílias pobres em todo o mundo. Até 2050, uma em cada quatro pessoas provavelmente viverá em um país afetado por escassez crônica ou recorrente de água potável.

OCEANOS
Nossa água da chuva, água potável, tempo, clima, litorais, grande parte da nossa alimentação, e até mesmo o oxigênio do ar que respiramos são, em última análise, todos fornecidos e regulados pelo mar. A gestão cuidadosa deste recurso global essencial é uma característica chave de um futuro sustentável.

DESASTRES
Com um ritmo acelerado de desastres naturais, acarretando uma perda maior de vidas e propriedades, e um maior grau de concentração de assentamentos humanos, um futuro inteligente significa planejar com antecedência e ficar alerta.


Matéria publicada na Edição 28 da Revista Geração Sustentável - Jornalista Letícia Ferreira

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Veja outros conteúdos dessa edição:

Matérias:

Tecnologia e Sustentabilidade: Energia solar: um sonho de consumo

Visão Sustentável: Software de gestão corporativa promove autossustentabilidade para empresas

Responsabilidade Social Corportativa: Responsabilidade empresarial com futuro

Desenvolvimento Local: A sustentabilidade como profissão
Artigos:

Marcio Zarpelon: Sustentabilidade na construção civil

Jeronimo Mendes: Aprendendo com a crise

Ivan de Melo Dutra: Subsídios do governo brasileiro

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